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Os espaços do tempo
Ao ler uma matéria sobre envelhecimento dos grandes cantores da MPB, de Roberto Almeida, no jornal Sete Colinas, criei coragem (?). É que não é assunto aceito com naturalidade. No entanto, todos envelhecemos. Apenas é preciso saber viver cada espaço do nosso tempo de vida: infância, preadolescência, adolescência, juventude, adultez, velhice. É uma ascendência (há quem ache decadência...) igual, para todos os que chegamos às rugas e aos cabelos brancos. Não adianta apavorar-se: as rugas aparecem, os cabelos brancos também. O que não significa que a vida perca sua beleza, seus desafios, sua grandeza, sua miséria, sua poesia, seu cântico, seu balé, suas cores. A transformação não é apenas física. É também psíquico-espiritual. Vê-se o mundo com mais argúcia. Aprende-se a amar. Perde-se o papel de juiz. O sorriso é mais e mais presente. As amizades válidas aprofundam-se. O controle de si mesmo é conquistado. O tempo é mais livre para o estudo, a aprendizagem de inúmeras áreas humanas. De rugas e de cabelos brancos, seguimos o raio de luz que nos foi lançado. Vez por outra uma queda (física também...). Um desvio para a sombra. (Que esta faz parte de nosso eu). O retorno radiante para a luz. Refaz-se a paz, ganha-se a alegria mais forte, mais constante. Rugas? Cabelos brancos? O poeta Ronsard: E como a cada dia, amo-te cada vez mais / Hoje mais do que ontem e bem menos que amanhã / Que nos importarão as rugas em nossas faces? / Nosso amor se fará mais grave e mais sereno. Claro que ele se referia à mulher dele, porém, guardemos o penúltimo verso: que importam as rugas, os cabelos brancos? Aprendamos a seguir cantando, bailando nosso próprio ritmo, irradiando o amor, a paz, a alegria, no raio de luz, que nos é lançado. Em demanda à Luz. |