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INTERIOR CRESCE MAIS
Terezinha Nunes
Do segundo semestre do ano passado para o início deste ano,
uma falsa polêmica se estabeleceu nos meios políticos
pernambucanos sobre um hipotético abandono do interior em
relação ao Grande Recife. Chegou-se a apregoar, abertamente,
que o interior estava estagnado, havendo necessidade de uma medida
urgente para "corrigir" a distorção.
Não há dúvida de que em um estado carente
como Pernambuco, estamos longe de corrigir todas as distorções
e mudar, radicalmente, de rumo. Mas, em relação ao
interior, a alegação está caindo por terra.
Em sua última edição, a Revista Exame traz
reportagem sobre a economia nordestina, acompanhada de um mapa com
as dez cidades que mais crescem hoje na região. Pernambuco
abriga três delas: Santa Maria da Boa Vista e Cabo de Santo
Agostinho, com crescimento de 10% ao ano, e Toritama com 15% ao
ano. Um percentual que está ao nível dos tigres asiáticos
e hoje a Ásia é campeã nas taxas de crescimento
em todo o mundo.
Das três cidades pernambucanas citadas só Cabo está
no Grande Recife. As demais são no interior. Recentemente,
Caruaru figurou com a cidade que mais cresce entre 25 campeães
brasileiras do seu tamanho.
Mas as boas novas do interior não ficam por aí. Em
tese de Mestrado em Gestão Pública na UFPe, a professora
Suely Jucá Maciel, concluiu recentemente que, entre 1998
e 2003 - entre 2004 e 2006 o crescimento foi ainda maior - seis
das 12 Regiões de Desenvolvimento em que o estado de Pernambuco
está dividido, cresceram mais do que a Região Metropolitana.
Enquanto o Grande Recife cresceu, no período, 2,6%, o Sertão
do São Francisco cresceu 7,8%, O Sertão do Pajeú
cresceu 6,7%, o sertão do Moxotó - 4,3%, o Agreste
setentrional - 4%, o Agreste Meridional - 3,1% e o Sertão
Central - 3%. A Região Metropolitana ficou, portanto, em
sétimo lugar no ranking.
Até no Grande Recife houve desconcentração
no crescimento. A capital abrigava em 1998, 35,5% do PIB estadual.
Hoje concentra 30,2%. Os demais municípios metropolitanos,
que agregavam 28,3% do PIB, agora agregam 33,2%. Cinco por cento
do bolo mudou de mãos em oito anos, beneficiando as áreas
periféricas e, portanto, mais pobres.
Usando informações do Condepe/Fidem, a professora
Suely aponta, como principal fator do crescimento interiorano, os
investimentos estruturadores feitos com os recursos da privatização
da Celpe e do tesouro estadual nos últimos oito anos. Cita
entre outros, a duplicação da BR-232, as estradas
da Uva e do Vinho, a Estrada do Gesso, as estradas que ligaram as
cidades do Pajeú aos estados vizinhos, as adutoras, como
a Sertão e de Jucazinho.
Dos R$ 3 bilhões e 125 milhões investidos pelo estado,
o Grande Recife, que concentra mais de 40% da população,
recebeu R$ 457,00 por habitante. Já no Agreste Central foram
investidos R$ 603,00, por habitante, na Mata Sul - R$ 388,00; no
Sertão do Moxotó - 380.00; no Sertão do Araripe
- R$ 339,00 e no Sertão do Pajeú- 336,00. Há
décadas essas áreas não recebiam tantos recursos.
É certo que o Grande Recife vai continuar se beneficiando
com os investimentos em Suape, e o porto é apontado pela
jornalista Carolina Meyer, da Exame, como um grande indutor de crescimento
na Região Metropolitana. "Em torno de Suape - diz ela
- ergue-se um conglomerado de indústrias que não pára
de crescer. São 74 empresas que geram 6 mil empregos e produzem
de refrigerantes a produtos químicos".
Consola, porém, saber que não só os novos
investimentos de Suape vão fazer o bolo da economia pernambucana
crescer, aumentando a capacidade de o estado continuar investindo
no interior, como também o crescimento que já se observa
nos municípios interioranos vai contribuir para tornar ainda
maior a simetria que já está se observando entre a
RMR e o restante do estado.
Terezinha Nunes
- Deputada estadual e presidente da Comissão de Defesa da
Cidadania da Assembléia Legislativa
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