Garanhuns, 14 de julho de 2007
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OPINIÃO
 

INTERIOR CRESCE MAIS

Terezinha Nunes


Do segundo semestre do ano passado para o início deste ano, uma falsa polêmica se estabeleceu nos meios políticos pernambucanos sobre um hipotético abandono do interior em relação ao Grande Recife. Chegou-se a apregoar, abertamente, que o interior estava estagnado, havendo necessidade de uma medida urgente para "corrigir" a distorção.

Não há dúvida de que em um estado carente como Pernambuco, estamos longe de corrigir todas as distorções e mudar, radicalmente, de rumo. Mas, em relação ao interior, a alegação está caindo por terra.

Em sua última edição, a Revista Exame traz reportagem sobre a economia nordestina, acompanhada de um mapa com as dez cidades que mais crescem hoje na região. Pernambuco abriga três delas: Santa Maria da Boa Vista e Cabo de Santo Agostinho, com crescimento de 10% ao ano, e Toritama com 15% ao ano. Um percentual que está ao nível dos tigres asiáticos e hoje a Ásia é campeã nas taxas de crescimento em todo o mundo.

Das três cidades pernambucanas citadas só Cabo está no Grande Recife. As demais são no interior. Recentemente, Caruaru figurou com a cidade que mais cresce entre 25 campeães brasileiras do seu tamanho.

Mas as boas novas do interior não ficam por aí. Em tese de Mestrado em Gestão Pública na UFPe, a professora Suely Jucá Maciel, concluiu recentemente que, entre 1998 e 2003 - entre 2004 e 2006 o crescimento foi ainda maior - seis das 12 Regiões de Desenvolvimento em que o estado de Pernambuco está dividido, cresceram mais do que a Região Metropolitana.

Enquanto o Grande Recife cresceu, no período, 2,6%, o Sertão do São Francisco cresceu 7,8%, O Sertão do Pajeú cresceu 6,7%, o sertão do Moxotó - 4,3%, o Agreste setentrional - 4%, o Agreste Meridional - 3,1% e o Sertão Central - 3%. A Região Metropolitana ficou, portanto, em sétimo lugar no ranking.

Até no Grande Recife houve desconcentração no crescimento. A capital abrigava em 1998, 35,5% do PIB estadual. Hoje concentra 30,2%. Os demais municípios metropolitanos, que agregavam 28,3% do PIB, agora agregam 33,2%. Cinco por cento do bolo mudou de mãos em oito anos, beneficiando as áreas periféricas e, portanto, mais pobres.

Usando informações do Condepe/Fidem, a professora Suely aponta, como principal fator do crescimento interiorano, os investimentos estruturadores feitos com os recursos da privatização da Celpe e do tesouro estadual nos últimos oito anos. Cita entre outros, a duplicação da BR-232, as estradas da Uva e do Vinho, a Estrada do Gesso, as estradas que ligaram as cidades do Pajeú aos estados vizinhos, as adutoras, como a Sertão e de Jucazinho.

Dos R$ 3 bilhões e 125 milhões investidos pelo estado, o Grande Recife, que concentra mais de 40% da população, recebeu R$ 457,00 por habitante. Já no Agreste Central foram investidos R$ 603,00, por habitante, na Mata Sul - R$ 388,00; no Sertão do Moxotó - 380.00; no Sertão do Araripe - R$ 339,00 e no Sertão do Pajeú- 336,00. Há décadas essas áreas não recebiam tantos recursos.

É certo que o Grande Recife vai continuar se beneficiando com os investimentos em Suape, e o porto é apontado pela jornalista Carolina Meyer, da Exame, como um grande indutor de crescimento na Região Metropolitana. "Em torno de Suape - diz ela - ergue-se um conglomerado de indústrias que não pára de crescer. São 74 empresas que geram 6 mil empregos e produzem de refrigerantes a produtos químicos".

Consola, porém, saber que não só os novos investimentos de Suape vão fazer o bolo da economia pernambucana crescer, aumentando a capacidade de o estado continuar investindo no interior, como também o crescimento que já se observa nos municípios interioranos vai contribuir para tornar ainda maior a simetria que já está se observando entre a RMR e o restante do estado.


Terezinha Nunes - Deputada estadual e presidente da Comissão de Defesa da Cidadania da Assembléia Legislativa