Garanhuns, 14 de julho de 2007
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HUMOR

Raulzito


EXCESSO DE HIPOCRISIA

De tanto viajar pelo mundo, o presidente Lula agora deu pra falar grego, ou palavras originárias daquele país, o que no seu caso é mais ou menos a mesma coisa. O ilustre petista, na ânsia (talvez) de justificar as estripulias de Renan Calheiros, o Dom Juan das Alagoas, chamou os senadores Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon de hipócritas.

Da agressividade do ex-Lulinha Paz e Amor, pode se deduzir que ele está querendo defender o Renanzinho, que fora umas notas frias apresentadas em sua defesa, só cometeu o pecado de comer a jornalista Mônica Veloso, uma escolha de muito bom gosto, ainda mais que o senador é feio de dar dó.

Que besteira, essa, todos no Congresso fazem o dever fora de casa, às vezes no próprio gabinete parlamentar. Eventualmente, dessas brincadeiras nascem filhos, que não têm culpa de nada, mas sendo resultantes da união da luxúria com o poder atraem mesadas que só os grandes criadores de gado desse país podem pagar.

O próprio presidente - e olha que ainda era operário quando pulou a cerca - não teve com a enfermeira Mirian a menina Lurian, que exerceria um papel moralista arrasador na campanha política de 1989?

Assim, por esses raciocínios - raciocínios presidenciais, podemos dizer - o pernambucano Jarbas e o gaúcho Simon são mesmo dois hipócritas. O ex-governador do Estado, mesmo, quem não sabe que sempre foi um guloso namorador, de preferência das misses e delegadas de polícia de pernas e coxas impecáveis?

Lula, portanto, apenas repete o preceito bíblico e joga na cara dos fariseus: "Atire a primeira pedra quem nunca teve uma Mônica em sua vida".
- Até o Bill Clinton - lembra, pra quem está esquecido do envolvimento do ex-presidente americano com uma secretária gorducha e sem graça, em plena Casa Branca.
O discurso de Lula, no entanto, não pode ser interpretado somente no campo da sexualidade. O viajado presidente não está pensando apenas na obra de Freud, que leu ainda menino, quando morava em Caetés, mas tem influências também do grande pensador Maquiavel, aquele que escreveu "O Príncipe", a bíblia dos políticos desde o século XVIII, se não estou enganado.

Dessa maneira, Freud explica muito bem porque o Renan papou a Mônica; Maquiavel diria o porquê das notas frias e o povão, em sua sabedoria intuitiva e acumulada na universidade da vida daria uma resposta às fazendas, às boiadas, ao apego ao poder: "Todo político calça 40", sintetiza o jargão popular, tido como coisa de alienado nos anos 70, quando ainda se lutava contra a ditadura militar.

Agora, traduzida essa frase pela palavra hipocrisia, pronunciada pelo presidente da República mais popular do país desde Getúlio Vargas, podemos lavar as mãos e pensar (pode ser um momento de pessimismo com a conjuntura nacional) que é tudo a mesma coisa sim.
- todos têm uma amante;
- todos mentem;
- todos usam notas frias;
- todos só querem usufruir do poder
- todos pousam de representantes do povo, mas por trás do sorriso falso não é nada disso, o que sobra mesmo é a hipocrisia presente no discurso do presidente.

Mas quem sabe o grande líder está apenas sendo pragmático. As amantes, as mentiras, as notas frias, o jogo do poder, o sorriso falso, os abraços, as alianças aparentemente esdrúxulas... Tudo isso é só para manter a tal de governabilidade.

Ainda que os empregos formais estejam cada vez mais difíceis, ainda que a renda do trabalhador esteja caindo, as escolas públicas falidas, os hospitais do governo cada vez piores, violência e mais violência, falta de reforma agrária, caos nos aeroportos... São problemas pequenos, afinal temos o bolsa-família, a inflação sob controle, os jogos pan americanos no Rio e quem sabe a Copa do Mundo de 2014 sendo realizada aqui no Brasil.

Puta que pariu. Quanta hipocrisia. E olha que nem falamos dos políticos de Garanhuns e região.