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HUMOR
Raulzito
EXCESSO DE HIPOCRISIA
De tanto viajar pelo mundo, o presidente Lula agora deu pra falar
grego, ou palavras originárias daquele país, o que
no seu caso é mais ou menos a mesma coisa. O ilustre petista,
na ânsia (talvez) de justificar as estripulias de Renan Calheiros,
o Dom Juan das Alagoas, chamou os senadores Jarbas Vasconcelos e
Pedro Simon de hipócritas.
Da agressividade do ex-Lulinha Paz e Amor, pode se deduzir que
ele está querendo defender o Renanzinho, que fora umas notas
frias apresentadas em sua defesa, só cometeu o pecado de
comer a jornalista Mônica Veloso, uma escolha de muito bom
gosto, ainda mais que o senador é feio de dar dó.
Que besteira, essa, todos no Congresso fazem o dever fora de casa,
às vezes no próprio gabinete parlamentar. Eventualmente,
dessas brincadeiras nascem filhos, que não têm culpa
de nada, mas sendo resultantes da união da luxúria
com o poder atraem mesadas que só os grandes criadores de
gado desse país podem pagar.
O próprio presidente - e olha que ainda era operário
quando pulou a cerca - não teve com a enfermeira Mirian a
menina Lurian, que exerceria um papel moralista arrasador na campanha
política de 1989?
Assim, por esses raciocínios - raciocínios presidenciais,
podemos dizer - o pernambucano Jarbas e o gaúcho Simon são
mesmo dois hipócritas. O ex-governador do Estado, mesmo,
quem não sabe que sempre foi um guloso namorador, de preferência
das misses e delegadas de polícia de pernas e coxas impecáveis?
Lula, portanto, apenas repete o preceito bíblico e joga
na cara dos fariseus: "Atire a primeira pedra quem nunca teve
uma Mônica em sua vida".
- Até o Bill Clinton - lembra, pra quem está esquecido
do envolvimento do ex-presidente americano com uma secretária
gorducha e sem graça, em plena Casa Branca.
O discurso de Lula, no entanto, não pode ser interpretado
somente no campo da sexualidade. O viajado presidente não
está pensando apenas na obra de Freud, que leu ainda menino,
quando morava em Caetés, mas tem influências também
do grande pensador Maquiavel, aquele que escreveu "O Príncipe",
a bíblia dos políticos desde o século XVIII,
se não estou enganado.
Dessa maneira, Freud explica muito bem porque o Renan papou a Mônica;
Maquiavel diria o porquê das notas frias e o povão,
em sua sabedoria intuitiva e acumulada na universidade da vida daria
uma resposta às fazendas, às boiadas, ao apego ao
poder: "Todo político calça 40", sintetiza
o jargão popular, tido como coisa de alienado nos anos 70,
quando ainda se lutava contra a ditadura militar.
Agora, traduzida essa frase pela palavra hipocrisia, pronunciada
pelo presidente da República mais popular do país
desde Getúlio Vargas, podemos lavar as mãos e pensar
(pode ser um momento de pessimismo com a conjuntura nacional) que
é tudo a mesma coisa sim.
- todos têm uma amante;
- todos mentem;
- todos usam notas frias;
- todos só querem usufruir do poder
- todos pousam de representantes do povo, mas por trás do
sorriso falso não é nada disso, o que sobra mesmo
é a hipocrisia presente no discurso do presidente.
Mas quem sabe o grande líder está apenas sendo pragmático.
As amantes, as mentiras, as notas frias, o jogo do poder, o sorriso
falso, os abraços, as alianças aparentemente esdrúxulas...
Tudo isso é só para manter a tal de governabilidade.
Ainda que os empregos formais estejam cada vez mais difíceis,
ainda que a renda do trabalhador esteja caindo, as escolas públicas
falidas, os hospitais do governo cada vez piores, violência
e mais violência, falta de reforma agrária, caos nos
aeroportos... São problemas pequenos, afinal temos o bolsa-família,
a inflação sob controle, os jogos pan americanos no
Rio e quem sabe a Copa do Mundo de 2014 sendo realizada aqui no
Brasil.
Puta que pariu. Quanta hipocrisia. E olha que nem falamos dos políticos
de Garanhuns e região.
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