Garanhuns, 14 de julho de 2007
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HUMBERTO MORAES - UM HOMEM ALÉM DO SEU TEMPO

Rossini Moura


Antes de ir para a Bahia passar uma temporada com a filha Maria do Carmo, netos e genro, Humberto, num lampejo de aclareamento da mente disse-me: "Este ano de 2007 para mim não será 8 nem 80 e sim 8l".

Isto aconteceu no comecinho de janeiro em frente ao fiteiro de Diva, na Avenida Santo Antônio, quando de inopino arrematou: "Eu quero é viver, viver porque a vida é bela. Viver e contemplar o crescimento simétrico de Garanhuns, ver o nascer e o por do sol, escutar o canto da passarada, e aspirar o perfume das flores desta terra que me enfeitiçou".

No dia 1º de abril completou 81 anos na terra do Senhor do Bonfim, sob os alaridos festivos dos seus familiares. Então, cumpriu-se a sua profecia: não era mais oito nem oitenta e sim oitenta e um anos.

UMA TRAJETÓRIA PLENA DE VICISSITUDES - Aqui em Garanhuns esse calçadense de boa cepa, filho de Dr. Raimundo de Moraes e dona Obdúlia, irmão de Lurdinha, Lula e Cláudio, iniciou uma brilhante e fecunda travessia.

Embrenhou-se na difícil profissão de jornalista e realizou grandes reportagens a exemplo da cobertura que fez para o Jornal do Commercio, em companhia de Luiz Torres, da morte de Dom Expedito Lopes, bispo diocesano de Garanhuns. Foi seu grande batismo na profissão.

O jovem Betinho que tinha pendores inegáveis para o jornalismo foi fisgado pela Rádio Difusora, hoje Rádio Jornal, para dinamizar o setor de radio jornalismo. E o fez com competência, criando o noticiário "A Cidade em Foco" que ia ao ar todos os dias, exceto domingos, das 18h30 às 19h. esse noticiário se transformou numa trincheira do povo, porque Humberto soube dar o toque refinado da notícia, prestando significativos serviços à população da região.

ESGRIMIU COM PROFECIÊNCIA EM TODOS OS SEGMENTOS - Na Avenida 13 de Maio, 169, aprendeu com o seu pai, Dr. Raimundo, que também foi vereador combativo, a arte de protético. E foi um dos melhores de Garanhuns. Humberto de Moraes notabilizou-se pela persistência em conquistar com trabalho honrado e competência absoluta os seus objetivos.

Foi corretor de imóveis, a quem o Dr. Pedrosa lhe confiou uma extensa área composta por mais de 1.200 lotes para comercialização. Passou 30 anos fazendo esse "bico" que complementava a sua renda e nunca lesou os compradores e muitos menos o dono dos terrenos.

Mas na verdade Humberto estava sempre querendo mais. Ousado, enfrentava de cara os árduos caminhos na busca da materialização dos seus desejos; não recuava ante os óbices que se interpunham à sua frente. Em razão disso, entrou no jornalismo para ser a trincheira dos oprimidos, o advogado dos injustiçados.

Na sua veia, ao invés de sangue, corria tinta de imprimir jornais. Era visto constantemente rua acima, rua abaixo, garimpando notícias para publicá-las nos jornais da cidade, Rádio Difusora e Jornal do Commercio. Aquele caderninho que conduzia, não era um caderninho comum, como se pudesse imaginar, era uma bateia para recolher as pérolas da notícia, dos fatos, dos acontecimentos.

Ancorou o seu talento dirigindo o SESC.

Arrastava pelo braço os artistas populares para se exibirem no palco da Difusora ou no antigo Sanatório, hoje Hotel Tavares Correia, para entreter os hóspedes. Ainda contribuiu com a força do seu talento na administração do Tavares Correia de Caruaru, convidado pelo seu dileto amigo Dr. Paulo Tavares.

Ingressou na Codeam, onde fez um belo trabalho, humanizando os funcionários que se sentiam à margem das acontecências. Imprimiu à Codeam sua verdadeira missão, que era a de ser portadora de projetos que beneficiassem os municípios associados.

Deu uma dinâmica impressionante, atraindo para essa Comissão encontro de prefeitos com governadores, promovendo palestras e congressos palpitantes com experts da política municipal.

Na Difusora, em tempos de campanhas políticas, criou a Mesa Redonda, onde os candidatos a prefeito e vereador expunham seus projetos, com debates civilizados e democráticos.