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HUMBERTO MORAES - UM HOMEM ALÉM DO SEU
TEMPO
Rossini Moura
Antes de ir para a Bahia passar uma temporada com a filha Maria
do Carmo, netos e genro, Humberto, num lampejo de aclareamento da
mente disse-me: "Este ano de 2007 para mim não será
8 nem 80 e sim 8l".
Isto aconteceu no comecinho de janeiro em frente ao fiteiro de
Diva, na Avenida Santo Antônio, quando de inopino arrematou:
"Eu quero é viver, viver porque a vida é bela.
Viver e contemplar o crescimento simétrico de Garanhuns,
ver o nascer e o por do sol, escutar o canto da passarada, e aspirar
o perfume das flores desta terra que me enfeitiçou".
No dia 1º de abril completou 81 anos na terra do Senhor do
Bonfim, sob os alaridos festivos dos seus familiares. Então,
cumpriu-se a sua profecia: não era mais oito nem oitenta
e sim oitenta e um anos.
UMA TRAJETÓRIA PLENA DE VICISSITUDES - Aqui em Garanhuns
esse calçadense de boa cepa, filho de Dr. Raimundo de Moraes
e dona Obdúlia, irmão de Lurdinha, Lula e Cláudio,
iniciou uma brilhante e fecunda travessia.
Embrenhou-se na difícil profissão de jornalista e
realizou grandes reportagens a exemplo da cobertura que fez para
o Jornal do Commercio, em companhia de Luiz Torres, da morte de
Dom Expedito Lopes, bispo diocesano de Garanhuns. Foi seu grande
batismo na profissão.
O jovem Betinho que tinha pendores inegáveis para o jornalismo
foi fisgado pela Rádio Difusora, hoje Rádio Jornal,
para dinamizar o setor de radio jornalismo. E o fez com competência,
criando o noticiário "A Cidade em Foco" que ia
ao ar todos os dias, exceto domingos, das 18h30 às 19h. esse
noticiário se transformou numa trincheira do povo, porque
Humberto soube dar o toque refinado da notícia, prestando
significativos serviços à população
da região.
ESGRIMIU COM PROFECIÊNCIA EM TODOS OS SEGMENTOS - Na Avenida
13 de Maio, 169, aprendeu com o seu pai, Dr. Raimundo, que também
foi vereador combativo, a arte de protético. E foi um dos
melhores de Garanhuns. Humberto de Moraes notabilizou-se pela persistência
em conquistar com trabalho honrado e competência absoluta
os seus objetivos.
Foi corretor de imóveis, a quem o Dr. Pedrosa lhe confiou
uma extensa área composta por mais de 1.200 lotes para comercialização.
Passou 30 anos fazendo esse "bico" que complementava a
sua renda e nunca lesou os compradores e muitos menos o dono dos
terrenos.
Mas na verdade Humberto estava sempre querendo mais. Ousado, enfrentava
de cara os árduos caminhos na busca da materialização
dos seus desejos; não recuava ante os óbices que se
interpunham à sua frente. Em razão disso, entrou no
jornalismo para ser a trincheira dos oprimidos, o advogado dos injustiçados.
Na sua veia, ao invés de sangue, corria tinta de imprimir
jornais. Era visto constantemente rua acima, rua abaixo, garimpando
notícias para publicá-las nos jornais da cidade, Rádio
Difusora e Jornal do Commercio. Aquele caderninho que conduzia,
não era um caderninho comum, como se pudesse imaginar, era
uma bateia para recolher as pérolas da notícia, dos
fatos, dos acontecimentos.
Ancorou o seu talento dirigindo o SESC.
Arrastava pelo braço os artistas populares para se exibirem
no palco da Difusora ou no antigo Sanatório, hoje Hotel Tavares
Correia, para entreter os hóspedes. Ainda contribuiu com
a força do seu talento na administração do
Tavares Correia de Caruaru, convidado pelo seu dileto amigo Dr.
Paulo Tavares.
Ingressou na Codeam, onde fez um belo trabalho, humanizando os
funcionários que se sentiam à margem das acontecências.
Imprimiu à Codeam sua verdadeira missão, que era a
de ser portadora de projetos que beneficiassem os municípios
associados.
Deu uma dinâmica impressionante, atraindo para essa Comissão
encontro de prefeitos com governadores, promovendo palestras e congressos
palpitantes com experts da política municipal.
Na Difusora, em tempos de campanhas políticas, criou a Mesa
Redonda, onde os candidatos a prefeito e vereador expunham seus
projetos, com debates civilizados e democráticos.
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