|
EDITORIAL
MAIS UM FESTIVAL DE INVERNO
Em 2005, quando anunciada a programação do Festival
de Inverno, a imprensa e o público reclamaram na hora. Fora
Alceu Valença, Kid Abelha e Djavan, os outros artistas contratados
não faziam jus ao grande evento que se promove em Garanhuns
desde o início dos anos 90. Imagine que até Giliard
foi ressuscitado naquele ano, que deveria trazer ainda Wando e suas
calcinhas, mas este felizmente terminou não vindo.
O ponto alto dos protestos foi "um minuto de silêncio"
decretado pelo comunicador Jonas Lira, na FM Sete Colinas, pela
descaracterização do Festival de Inverno. O gesto,
como era de se esperar, desagradou figurões da Prefeitura
e da Fundarpe. Marcos Cardoso, na Rádio Marano, também
deu suas "cacetadas" na programação do FIG.
O Correio, na sua linha equilibrada, destacou em manchete de primeira
página exatamente o clima de dois anos atrás: "Alceu,
Kid Abelha e Djavan salvam programação do Festival".
Esse posicionamento da imprensa local, em sintonia com o pensamento
dos setores mais conscientes da população, parece
ter funcionado. Tanto que no ano seguinte os dirigentes da Fundarpe,
Bruno Lisboa à frente, resolveram se redimir. E aí,
em 2006, tivemos uma das melhores programações já
anunciadas em 16 edições do FIG.
Tivemos música erudita na catedral, a manutenção
dos espaços no Pau Pombo e Euclides Dourado, festival de
cinema nacional no Eldorado e na Guadalajara um time de primeira:
Osvaldo Montenegro, Nando Reis, Pholhas, Paulo Diniz, Banda Magníficos,
Vanessa da Mata, Los Hermanos, Barão Vermelho e Maria Rita,
esta última simplesmente a cantora do momento.
Não deu outra. Ninguém criticou e Garanhuns pôde
fazer um grande Festival de Inverno.
Chega 2007 e temos aí a programação da festa
definida. Mudou o governo, mudou a filosofia de trabalho e talvez
o dinheiro esteja um pouco mais curto. Não temos, inegavelmente,
tantas estrelas quanto o ano passado. Mas não há dúvida
também que estamos mais bem servidos do que em 2005.
É um Festival mais modesto, mas que nem por isso deixa de
ser grandioso. Tem bons cantores e cantoras, artistas consagrados,
capazes de arrastar grandes públicos à Guadalajara,
que é a principal vitrine do FIG.
Assim, Flávio José será capaz de agradar aos
que gostam da autêntica música nordestina, Fábio
Júnior tocará no coração dos românticos,
Fagner e Elba Ramalho atrairão fãs de várias
gerações e Capital Inicial certamente não decepcionarão
os roqueiros de ontem e hoje.
E ainda tem Dudu Nobre, Adilson Ramos, Reginaldo Rossi, a música
instrumental no Pau Pombo, as danças e o pop no Euclides
Dourado, as oficinas culturais e o espaço erudito na Catedral
de Santo Antônio. Só faltou o cinema e ainda não
me explicaram o porquê.
Mas tá de bom tamanho. Dessa vez os organizadores merecem
mais elogios do que críticas. Agora, é usar o casado
de frio, ajeitar os cabelos, preparar o sorriso e curtir pra valer
mais um Festival de Inverno.
|