Garanhuns, 30 de junho de 2007
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OPINIÃO
 

EDITORIAL

MAIS UM FESTIVAL DE INVERNO

Em 2005, quando anunciada a programação do Festival de Inverno, a imprensa e o público reclamaram na hora. Fora Alceu Valença, Kid Abelha e Djavan, os outros artistas contratados não faziam jus ao grande evento que se promove em Garanhuns desde o início dos anos 90. Imagine que até Giliard foi ressuscitado naquele ano, que deveria trazer ainda Wando e suas calcinhas, mas este felizmente terminou não vindo.

O ponto alto dos protestos foi "um minuto de silêncio" decretado pelo comunicador Jonas Lira, na FM Sete Colinas, pela descaracterização do Festival de Inverno. O gesto, como era de se esperar, desagradou figurões da Prefeitura e da Fundarpe. Marcos Cardoso, na Rádio Marano, também deu suas "cacetadas" na programação do FIG. O Correio, na sua linha equilibrada, destacou em manchete de primeira página exatamente o clima de dois anos atrás: "Alceu, Kid Abelha e Djavan salvam programação do Festival".

Esse posicionamento da imprensa local, em sintonia com o pensamento dos setores mais conscientes da população, parece ter funcionado. Tanto que no ano seguinte os dirigentes da Fundarpe, Bruno Lisboa à frente, resolveram se redimir. E aí, em 2006, tivemos uma das melhores programações já anunciadas em 16 edições do FIG.

Tivemos música erudita na catedral, a manutenção dos espaços no Pau Pombo e Euclides Dourado, festival de cinema nacional no Eldorado e na Guadalajara um time de primeira: Osvaldo Montenegro, Nando Reis, Pholhas, Paulo Diniz, Banda Magníficos, Vanessa da Mata, Los Hermanos, Barão Vermelho e Maria Rita, esta última simplesmente a cantora do momento.

Não deu outra. Ninguém criticou e Garanhuns pôde fazer um grande Festival de Inverno.

Chega 2007 e temos aí a programação da festa definida. Mudou o governo, mudou a filosofia de trabalho e talvez o dinheiro esteja um pouco mais curto. Não temos, inegavelmente, tantas estrelas quanto o ano passado. Mas não há dúvida também que estamos mais bem servidos do que em 2005.

É um Festival mais modesto, mas que nem por isso deixa de ser grandioso. Tem bons cantores e cantoras, artistas consagrados, capazes de arrastar grandes públicos à Guadalajara, que é a principal vitrine do FIG.

Assim, Flávio José será capaz de agradar aos que gostam da autêntica música nordestina, Fábio Júnior tocará no coração dos românticos, Fagner e Elba Ramalho atrairão fãs de várias gerações e Capital Inicial certamente não decepcionarão os roqueiros de ontem e hoje.

E ainda tem Dudu Nobre, Adilson Ramos, Reginaldo Rossi, a música instrumental no Pau Pombo, as danças e o pop no Euclides Dourado, as oficinas culturais e o espaço erudito na Catedral de Santo Antônio. Só faltou o cinema e ainda não me explicaram o porquê.

Mas tá de bom tamanho. Dessa vez os organizadores merecem mais elogios do que críticas. Agora, é usar o casado de frio, ajeitar os cabelos, preparar o sorriso e curtir pra valer mais um Festival de Inverno.