Garanhuns, 16 de junho de 2007
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OPINIÃO
 

POLÍTICA PARA POLÍTICOS

Luzinete Laporte


Em uma revista européia , li uma entrevista sob o título: "Espiritualidade e Política" dada pelo Inspetor Geral de Finanças - autor de inúmeras obras, entre as quais "A Cultura e o Desenvolvimento Humano" - Jean Baptiste de Foucauld.

Ele apresenta três valores básicos fundamentais para o político. Primeiro, o sentido que ele deve dar à sua vida, à sua ação. Segundo, o comedimento, isto é, o controle dos gastos pessoais (para evitar a corrupção, a ambição que leva ao roubo, o que implica na redistribuição do saldo positivo.) Terceiro, a fraternidade entre os homens políticos, o trato com respeito.

Para ele, embora as Democracias, vencido o comunismo, tenham-se estabelecido, aponta os fatores que a tornam frágil , às vezes, ineficientes. Os perigos: o individualismo, o materialismo e o racionalismo (como Tocqueville já denunciava) levam à exclusão social.

De Focauld afirma que a democracia necessita de espiritualidade para cumprir suas promessas. Quer dizer, de uma fonte de energia cívica virtuosa, alimentada pelos humanismos, pelas religiões e pela laicidade. O que não se resume a um quadro neutro, porém, ao contrário, importa em valores específicos. Adverte para um perigo: que o religioso não absorva o político ou que o político manipule a religião em proveito próprio.

É necessário conciliar a resistência (às manifestações) a regulamentação e a utopias, à justiça. Ser absolutamente intransigente diante da injustiça e da mentira. Ser solidário às ações concretas benéficas ao povo, partam de onde partirem. Apoiar os projetos que ousem muito (utopia) para que a esperança seja presença de fé no amanhã.

Leva-nos a meditar sobre o capítulo 7 do Livro da Sabedoria. De todo o capítulo, meditemos/reflitemos sobre: "Mais ágil que qualquer movimento, a sabedoria é móvel; atravessa e penetra tudo porque é pura."

Que o político encare nas suas funções as lições expressas por De Foucauld. Desde os anos de sua adolescência (aos 13 anos) aprendeu a resistir ao fascínio do superficial, do supérfluo para atingir a sabedoria, ocupar os mais altos cargos do poder.


Luzinete Laporte é professora e escritora, ex-secretária de Educação do Município e diretora da antiga Dere.