Garanhuns, 16 de junho de 2007
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Nasce mais um Poeta Maldito

Por Paulito Lebre


Em passagem por Garanhuns, eu, Paulito Lebre, que há muito não dava as caras na terrinha, visitei o meu primo segundo, Raulzito, insigne colunista do Correio Sete Colinas, detestável pelos pobres imbecis mal-humorados. Botando, no bom sentido, a conversa em dia, Raulzito tratou de me deixar a par das coisas boas, mas principalmente dos fatos podres que têm acontecido no promissor Reino Suíço Pernambucano.

Após um longo bate-papo numa das mesas da etílico-cultural Bodega de Massilom, onde é fácil observar pelos parâmetros da Antropologia, o conjunto complexo dos códigos e padrões que regulam a ação humana individual e coletiva, tal como se desenvolvem em uma sociedade ou grupo específico, e que se manifestam em praticamente todos os aspectos da vida; ou, ainda, através do campo filosofal, em que os grandes pensadores (e um deles é o próprio Massilom) evidenciam a categoria dialética de análise do processo pelo qual o homem, por meio de sua atividade concreta (espiritual e material), ao mesmo tempo que modifica a natureza, cria a si mesmo como sujeito social da história; e aí a Bodega também se destaca como lugar oportuno para tal. Pois bem, após o comprido papo com o primo, resolvi contar pra ele sobre um grande acontecimento na minha vida: tornei-me poeta; não tão expressivo como um João Marques, Paulo Gervais, Maviael Medeiros (pai e filho), Roberto Almeida, Carlos Janduy, Hélder Herik, César Monteiro e tantos outros que ora não me chegam à memória. Então, pois não é que um das minhas primeiras criações poéticas está publicada neste conceituadíssimo jornal! Mas tenho a obrigação de dizer que se não fosse a ilibada influência do meu primo Raulzito, não teria eu, nem tão cedo, honrosa publicação dos meus versos quase sinistros, neste periódico. Pois bem, eis, a seguir, o meu primeiro soneto, mas devo alertar a quem se propor a lê-lo que recomendo se pegar com todos os Santos que puder antes de digerí-lo.


ESCÓRIA DA ESCÓRIA

O que será de vós, horrífera criatura,
Quando a leite aqui se faz aqui se paga
Pesar nos vossos ombros como adaga
Da justiva sem venda nem umpura?

O ventre que vos gerou, hoje lamenta
Ter expelido insignificante existência,
Talvez por ser mãe e acalentar clemência,
Suportou pingar nos olhos abrasada pimenta.

Por toda a vossa prática de atos vis,
Além do vosso escarmento neste território,
Havereis de pagar no inferno, infeliz.

Mas se Deus, em sua infinda misericórdia,
Permitir que fiqueis no purgatório,
As almas que lá estiverem entrarão em discórdia.