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Nasce mais um Poeta Maldito
Por Paulito Lebre
Em passagem por Garanhuns, eu, Paulito Lebre, que há muito
não dava as caras na terrinha, visitei o meu primo segundo,
Raulzito, insigne colunista do Correio Sete Colinas, detestável
pelos pobres imbecis mal-humorados. Botando, no bom sentido, a conversa
em dia, Raulzito tratou de me deixar a par das coisas boas, mas
principalmente dos fatos podres que têm acontecido no promissor
Reino Suíço Pernambucano.
Após um longo bate-papo numa das mesas da etílico-cultural
Bodega de Massilom, onde é fácil observar pelos parâmetros
da Antropologia, o conjunto complexo dos códigos e padrões
que regulam a ação humana individual e coletiva, tal
como se desenvolvem em uma sociedade ou grupo específico,
e que se manifestam em praticamente todos os aspectos da vida; ou,
ainda, através do campo filosofal, em que os grandes pensadores
(e um deles é o próprio Massilom) evidenciam a categoria
dialética de análise do processo pelo qual o homem,
por meio de sua atividade concreta (espiritual e material), ao mesmo
tempo que modifica a natureza, cria a si mesmo como sujeito social
da história; e aí a Bodega também se destaca
como lugar oportuno para tal. Pois bem, após o comprido papo
com o primo, resolvi contar pra ele sobre um grande acontecimento
na minha vida: tornei-me poeta; não tão expressivo
como um João Marques, Paulo Gervais, Maviael Medeiros (pai
e filho), Roberto Almeida, Carlos Janduy, Hélder Herik, César
Monteiro e tantos outros que ora não me chegam à memória.
Então, pois não é que um das minhas primeiras
criações poéticas está publicada neste
conceituadíssimo jornal! Mas tenho a obrigação
de dizer que se não fosse a ilibada influência do meu
primo Raulzito, não teria eu, nem tão cedo, honrosa
publicação dos meus versos quase sinistros, neste
periódico. Pois bem, eis, a seguir, o meu primeiro soneto,
mas devo alertar a quem se propor a lê-lo que recomendo se
pegar com todos os Santos que puder antes de digerí-lo.
ESCÓRIA DA ESCÓRIA
O que será de vós, horrífera
criatura,
Quando a leite aqui se faz aqui se paga
Pesar nos vossos ombros como adaga
Da justiva sem venda nem umpura?
O ventre que vos gerou, hoje lamenta
Ter expelido insignificante existência,
Talvez por ser mãe e acalentar clemência,
Suportou pingar nos olhos abrasada pimenta.
Por toda a vossa prática de atos vis,
Além do vosso escarmento neste território,
Havereis de pagar no inferno, infeliz.
Mas se Deus, em sua infinda misericórdia,
Permitir que fiqueis no purgatório,
As almas que lá estiverem entrarão em discórdia.
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