Garanhuns, 16 de junho de 2007
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OPINIÃO
 

EDITORIAL


OS RISCOS DA MEDICINA EM GARANHUNS

Já se tornou lugar comum falar das deficiências da medicina que se pratica em Garanhuns. A incompetência, a má vontade e o desleixo estão presentes tanto no serviço público quanto no privado. O Hospital Dom Moura dispensa comentários. O editorial e até o próprio jornal seriam pequenos para enumerar os casos de negligência citados daquela unidade de saúde. Aqui, basta lembrar o episódio da médica que foi denunciada ao Ministério Público e na Delegacia de Polícia por forçar um parto normal numa paciente de risco.

Mas até mesmo médicos renomados da cidade, com bem montados consultórios, com certa frequência dão dignósticos (cheios de sapiência), que depois são completamente desmoralizados quando o paciente, sem conseguir melhorar, recorre aos recursos da capital. É incrível mas no Recife até mesmo os exames feitos aqui são rejeitados. Mandam fazer tudo novamente.

Um médico respeitado em Garanhuns outro dia confidenciou ao editorialista que o quadro é mesmo preocupante. Ele revelou que um determinado profissional da cidade já matou pelo menos duas pessoas, com prescrição errada de medicamentos. Um dos pacientes teria sido uma criança. Os pais, revoltados, até quiseram "pegar" o referido doutor.

Um absurdo completo, um caso para o ministério público investigar.

O comunicador Ronaldo César, quando vitimado por uma doença rara, causada por bactéria, foi atendido por um clínico geral que o medicou como se estivesse com uma virose. Teve de ser levado às pressas para o Recife, onde foi intubado e passou 25 dias fora do mundo.

O próprio editor deste jornal, depois de passar por mais de um médico de Garanhuns e numa crise séria ser internado quatro dias num hospital particular, teve o desprazer de receber doses cavalares de remédios até ser liberado de volta à casa. E o que parecia só labirintite era na verdade um tumor na cabeça, que o obrigou a uma cirurgia de risco na capital. É lamentável que ao ser atendido na casa de saúde local não tenha sido submetido a um único exame. Parece até que os profissionais têm medo de tocar no paciente.

Muitos outros casos poderiam ser narrados, como o do aposentado José de Azevedo Timoteo, que ficou mais de 24 horas sentado numa cadeira, no Hospital Dom Moura, esperando um leito e um médico e terminou morrendo porque além de sofrer de pressão alta o apêndice estrangulou. Há ainda os casos de erros de anestesia, que infelizmente não são tão poucos assim.

Não queremos, porém, com esse editorial, generalizar, cometer injustiças. Acreditamos que a coisa até já foi pior e temos hoje em Garanhuns uma jovem geração que promete. Propositadamente, não citamos o nome de nenhum dos profissionais considerados negligentes ou incompetentes. Mas podemos citar os que têm dados bons exemplos (segundo a voz dos pacientes), alguns deles há pouco tempo entre nós: Dra. Ana Cristina, Dr. Lincol, Dr. Alcindo Menezes, Dr. Severino Vieira, Dra. Marta Júdice, Dr. Domingos Sávio, Dr. Bartolomeu, Dr. Antônio Albuquerque, Dr. Hermes, Dr. Marconi Bruno, Dra. Cláudia Cordeiro, Dr. Antônio Filho, Dr. Saulo Rocha, Dr. Eduardo Alexandre, Dr. Lamberti, Dr. Alberto Madeira, Dr. Carlos Eugênio, Dr. Pedro Henrique, Dr. Paulo Monteiro, Dr. Lima, Dra. Leonila, Dr. Válter Mário, Dr. Marconi, Dr. Couto, Dr. Jurandir...

Certamente essa lista, que poderia ser classificada como a dos bons profissionais, tem mais nomes a integrá-la. Mas aqui seria difícil citar todos. Que o exemplo dos verdadeiros discípulos de Hipócrates seja seguido, para que os maus não levem a uma generalização e a medicina em Garanhuns não represente um perigo.