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EDITORIAL
OS RISCOS DA MEDICINA EM GARANHUNS
Já se tornou lugar comum falar das deficiências da
medicina que se pratica em Garanhuns. A incompetência, a má
vontade e o desleixo estão presentes tanto no serviço
público quanto no privado. O Hospital Dom Moura dispensa
comentários. O editorial e até o próprio jornal
seriam pequenos para enumerar os casos de negligência citados
daquela unidade de saúde. Aqui, basta lembrar o episódio
da médica que foi denunciada ao Ministério Público
e na Delegacia de Polícia por forçar um parto normal
numa paciente de risco.
Mas até mesmo médicos renomados da cidade, com bem
montados consultórios, com certa frequência dão
dignósticos (cheios de sapiência), que depois são
completamente desmoralizados quando o paciente, sem conseguir melhorar,
recorre aos recursos da capital. É incrível mas no
Recife até mesmo os exames feitos aqui são rejeitados.
Mandam fazer tudo novamente.
Um médico respeitado em Garanhuns outro dia confidenciou
ao editorialista que o quadro é mesmo preocupante. Ele revelou
que um determinado profissional da cidade já matou pelo menos
duas pessoas, com prescrição errada de medicamentos.
Um dos pacientes teria sido uma criança. Os pais, revoltados,
até quiseram "pegar" o referido doutor.
Um absurdo completo, um caso para o ministério público
investigar.
O comunicador Ronaldo César, quando vitimado por uma doença
rara, causada por bactéria, foi atendido por um clínico
geral que o medicou como se estivesse com uma virose. Teve de ser
levado às pressas para o Recife, onde foi intubado e passou
25 dias fora do mundo.
O próprio editor deste jornal, depois de passar por mais
de um médico de Garanhuns e numa crise séria ser internado
quatro dias num hospital particular, teve o desprazer de receber
doses cavalares de remédios até ser liberado de volta
à casa. E o que parecia só labirintite era na verdade
um tumor na cabeça, que o obrigou a uma cirurgia de risco
na capital. É lamentável que ao ser atendido na casa
de saúde local não tenha sido submetido a um único
exame. Parece até que os profissionais têm medo de
tocar no paciente.
Muitos outros casos poderiam ser narrados, como o do aposentado
José de Azevedo Timoteo, que ficou mais de 24 horas sentado
numa cadeira, no Hospital Dom Moura, esperando um leito e um médico
e terminou morrendo porque além de sofrer de pressão
alta o apêndice estrangulou. Há ainda os casos de erros
de anestesia, que infelizmente não são tão
poucos assim.
Não queremos, porém, com esse editorial, generalizar,
cometer injustiças. Acreditamos que a coisa até já
foi pior e temos hoje em Garanhuns uma jovem geração
que promete. Propositadamente, não citamos o nome de nenhum
dos profissionais considerados negligentes ou incompetentes. Mas
podemos citar os que têm dados bons exemplos (segundo a voz
dos pacientes), alguns deles há pouco tempo entre nós:
Dra. Ana Cristina, Dr. Lincol, Dr. Alcindo Menezes, Dr. Severino
Vieira, Dra. Marta Júdice, Dr. Domingos Sávio, Dr.
Bartolomeu, Dr. Antônio Albuquerque, Dr. Hermes, Dr. Marconi
Bruno, Dra. Cláudia Cordeiro, Dr. Antônio Filho, Dr.
Saulo Rocha, Dr. Eduardo Alexandre, Dr. Lamberti, Dr. Alberto Madeira,
Dr. Carlos Eugênio, Dr. Pedro Henrique, Dr. Paulo Monteiro,
Dr. Lima, Dra. Leonila, Dr. Válter Mário, Dr. Marconi,
Dr. Couto, Dr. Jurandir...
Certamente essa lista, que poderia ser classificada como a dos
bons profissionais, tem mais nomes a integrá-la. Mas aqui
seria difícil citar todos. Que o exemplo dos verdadeiros
discípulos de Hipócrates seja seguido, para que os
maus não levem a uma generalização e a medicina
em Garanhuns não represente um perigo.
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