Garanhuns, 16 de junho de 2007
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CULTURA
 

A produção nacional está viva

O Cinema Nacional está vivo, apesar dos preconceitos, dos boicotes, da descrença, da má vontade e da ignorância. A própria mídia do país joga contra. Se você lê a Set, a Veja, a Época, outras revistas ou os jornais diários e suas resenhas sobre filmes, dificilmente irá encontrar comentários e/ou espaços justos. Super Man, Homem Aranha, Piratas do Caribe e outras produções de Holywood são superestimados, embora sejam mera diversão e digam muito pouco sobre o Brasil. Têm méritos, qualidade? Têm, mas não passam de mero passatempo, sem contribuição nenhuma a nossa cultura.

Os clássicos, épicos (poderiam ser, se a mídia os transformassem pelo menos em cult, como fazem com as produções americanas, muitas vezes apenas medianas) da cinematografia nacional vão passando quase despercebidos, só atraindo multidões aos multiplex que infestam as capitais quando contam a história de algum fenômeno popular, tipo a dupla Zezé de Camargo e Luciano.

Mas a relação de bons filmes nacionais é longa e poderia ser ainda maior se houvesse mais apoio de vários setores e uma maior conscientização da população. Ora, que me perdoe o Homem Aranha e seus superpoderes, porém jamais o aracnídeo valerá tanto quanto os heróis de carne e osso de O Homem que Copiava, O Que é isso Companheiro, Deus é Brasileiro, Cidade de Deus, O Auto da Compadecida, Central do Brasil, Abril Despedaçado, Olga, O Quatrilho, Memórias do Cárcere, Lisbela e o Prisioneiro e mesmo alguns tipos criados pelo velho palhaço Renato Aragão.

Sem falar no passado do quase perfeito O Pagador de Promessas e Vidas Secas, e grande parte da produção do baiano Glauber Rocha, este muito louco e intelectualizado, é verdade, mas de todo modo ensinando a fazer cinema de verdade e refletindo sobre a realidade brasileira.

Pra dizer uma verdade nua e crua, num país em que milhões de pessoas vivem do bolsa família, em que metade da população ou mais é incapaz de compreender um texto ou escrever um bilhete, em que o orçamento dos filmes são raquíticos, ainda se faz muito em termos de cinema. Ainda mais que as salas de exibição hoje se restringem quase às capitais e os ingressos custam caro pra o povão.

Quando tivermos mais bibliotecas e mais leitores, quando houver mais emprego e maior poder aquisitivo, teremos um aumento na venda de jornais, revistas e livros. Quando os homens públicos levarem mais a sério os artistas e os produtores culturais, teremos melhores filmes ainda, e eles serão assistidos, discutidos e mais e mais pessoas saberão que uma história levada à telona pode ser mais do que diversão: pode ser arte, história, política, informação, ciência e cultura.