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A produção nacional está
viva
O Cinema Nacional está vivo, apesar dos preconceitos, dos
boicotes, da descrença, da má vontade e da ignorância.
A própria mídia do país joga contra. Se você
lê a Set, a Veja, a Época, outras revistas ou os jornais
diários e suas resenhas sobre filmes, dificilmente irá
encontrar comentários e/ou espaços justos. Super Man,
Homem Aranha, Piratas do Caribe e outras produções
de Holywood são superestimados, embora sejam mera diversão
e digam muito pouco sobre o Brasil. Têm méritos, qualidade?
Têm, mas não passam de mero passatempo, sem contribuição
nenhuma a nossa cultura.
Os clássicos, épicos (poderiam ser, se a mídia
os transformassem pelo menos em cult, como fazem com as produções
americanas, muitas vezes apenas medianas) da cinematografia nacional
vão passando quase despercebidos, só atraindo multidões
aos multiplex que infestam as capitais quando contam a história
de algum fenômeno popular, tipo a dupla Zezé de Camargo
e Luciano.
Mas a relação de bons filmes nacionais é longa
e poderia ser ainda maior se houvesse mais apoio de vários
setores e uma maior conscientização da população.
Ora, que me perdoe o Homem Aranha e seus superpoderes, porém
jamais o aracnídeo valerá tanto quanto os heróis
de carne e osso de O Homem que Copiava, O Que é isso Companheiro,
Deus é Brasileiro, Cidade de Deus, O Auto da Compadecida,
Central do Brasil, Abril Despedaçado, Olga, O Quatrilho,
Memórias do Cárcere, Lisbela e o Prisioneiro e mesmo
alguns tipos criados pelo velho palhaço Renato Aragão.
Sem falar no passado do quase perfeito O Pagador de Promessas e
Vidas Secas, e grande parte da produção do baiano
Glauber Rocha, este muito louco e intelectualizado, é verdade,
mas de todo modo ensinando a fazer cinema de verdade e refletindo
sobre a realidade brasileira.
Pra dizer uma verdade nua e crua, num país em que milhões
de pessoas vivem do bolsa família, em que metade da população
ou mais é incapaz de compreender um texto ou escrever um
bilhete, em que o orçamento dos filmes são raquíticos,
ainda se faz muito em termos de cinema. Ainda mais que as salas
de exibição hoje se restringem quase às capitais
e os ingressos custam caro pra o povão.
Quando tivermos mais bibliotecas e mais leitores, quando houver
mais emprego e maior poder aquisitivo, teremos um aumento na venda
de jornais, revistas e livros. Quando os homens públicos
levarem mais a sério os artistas e os produtores culturais,
teremos melhores filmes ainda, e eles serão assistidos, discutidos
e mais e mais pessoas saberão que uma história levada
à telona pode ser mais do que diversão: pode ser arte,
história, política, informação, ciência
e cultura.
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