Garanhuns, 16 de junho de 2007
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CULTURA
 

Tapete vermelho para o Cinema Nacional

Uma boa surpresa é o filme "Tapete Vermelho", dirigido pelo cineasta Luiz Carlos Pereira. Uma produção simples, sem intelectualizações, que lembra de alguma forma o bem sucedido "Os Dois Filhos de Francisco". Tem de saída dois ótimos atores, Matheus Neterhgale e Gorete Milagres, que vivem os dois personagens principais da trama. O garoto que faz o filho do caipira, embora não tenha o mesmo talento dos meninos que vivem o Zezé de Camargo e seu irmão no cinema, não chega a comprometer, chegando até a conseguir algumas expressões convincentes ou comoventes.

O Tapete Vermelho é simples e objetivo como os filmes de Mazaroppi, o grande homenageado dessa produção. Apenas tem uma direção mais eficiente do que a maioria dos que foram feitos pelo caipira paulista e um ator sem dúvida nenhuma superior ao Jeca Tatu do cinema brasileiro. Mas a homenagem é das mais justas e felizes, porque o que Mazaroppi fez não foi pouco, numa época em que certamente não dispunha nem dos recursos nem da tecnologia de hoje.

O filme é uma delícia já no início, quando abre com um lindo visual das matas, do verde, do campo, com uma música caipira tocando ao fundo numa interpretação bem dentro do estilo do cômico paulista. E a letra feita sob medida por ninguém mais ninguém menos que o ótimo compositor paulista Renato Texeira, um dos maiores divulgadores da autêntica música sertaneja deste país. Pra quem tá meio esquecido é ele mesmo: o autor de "Romaria", eternizada na voz de Elis Regina.

O enredo de "O Tapete Vermelho" é simples como o filme. O caipira havia feito uma promessa de levar o filho ao cinema, quando este fizesse certa idade, para que ele pudesse ver uma fita de Mazaroppi. Repeteria assim o gesto do pai, que tinha feito o mesmo com ele quando criança.

E assim sai o matuto, contra a vontade da mulher, andando a pé, de burro e caminhão pelas estradas que levam à cidade grande. Ele, a contrariada esposa e o menino. A teimosia do caipira lembra a do personagem "O Pagador de Promessa", ate hoje um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, que pela suas qualidades ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França, na década de 60.

Aí, da maneira mais singela, vamos tendo um banho de Brasil, mostrando uma realidade da zona rural que ainda existe, mas que muitos, especialmente nas capitais, desconhecem. A ignorância, a inocência, a ingenuidade, a teimosia. Histórias de assombrações, feitiços e rezas para tirar mandingas, tudo isso desfila aos nossos olhos de maneira leve, engraçada e inteligente. E as cidades com suas complicações ou inovações: comida no peso, trânsito, espertalhões e igrejas evangélicas tomando o lugar dos cinemas.

Como se tudo isso que já foi citado fosse pouco, ainda temos um monte de craques da dramaturgia nacional como convidados especiais para dar uma "canja" no filme: Paulo Goulart, Jackson Antunes, Paulo Betti e a exemplar Cássia Kiss. Eles, de forma explícia ou subliminar, passam um recado, é como se quisessem dizer: nós fazemos questão de participar dessa homenagem!.

Ao final, "O Tapete Vermelho" celebra não apenas Mazaroppi e a figura do caipira. Brinda a retomada do cinema nacional, festeja o país, faz ver aos que têm sensibilidade quanta coisa bonita nós temos: em termos de natureza, de música, de atores e de atrizes, que só precisam de um diretor competente para transformar palavras e imagens em obra de arte. (R.A.).