|
Galeria de Artes será inaugurada em julho
Um dos espaços terá
um Memorial da Cultura do Café em Garanhuns e Região
Carente de atrativos turísticos e acostumada a tratar com
desdém seus valores artísticos, Garanhuns vai ganhar
no próximo mês de julho, possivelmente no dia oito,
a Galeria de Artes Mãos na Terra. O espaço é
uma iniciativa pessoal da advogada Ielma Lucena, que sem nenhuma
ajuda governamental está levando à frente um projeto
que já atrai ao município visitantes de cidades como
Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.
A Galeria Mãos na Terra foi anunciada pela primeira vez
aqui mesmo no Correio Sete Colinas, numa das primeiras edições
deste ano. Parecia um sonho e alguns chegaram a duvidar. Mas o projeto
da advogada é pra valer e o seu casarão, no bairro
de Heliópolis, já é na verdade uma grande galeria
de arte, com espaço para artesãos, escultores, pintores
e produtores de cultura popular de modo geral. A idéia é
atrair turistas de todo o Brasil e incentivar os artistas de Garanhuns
e outras cidades do Agreste Meridional.
A galeria montada por Dr. Ielma já tem um acervo razoável
(o levantamento ainda está sendo feito), com os espaços
divididos para um memorial da cultura do café, galeria de
arte popular, coreto destinado a serestas e outras manifestações
musicais, além de um galpão rústico que sediará
ao mesmo tempo um "café cultural" e abrigará
oficinas de capacitação dos nossos potenciais artistas.
Teremos ainda a "Lojinha da Galeria", onde serão
comercializadas lembrancinhas e souvenirs.
RIQUEZA CULTURAL - Só no memorial da cultura do café
já se pode contemplar a riqueza do material exposto na galeria.
O espaço é composto por louças, móveis,
utensílios, mobiliários e toda a iconografia do ciclo
do café. A maioria das peças é do início
do século XX, mas há também objetos dos séculos
XIX e XVIII. No acervo estão pratos de porcelana, mesas,
cristaleiras, imagens sacras e oratórios que pertenceram
a famílias tradicionais de Garanhuns, Bom Conselho e Brejão,
como os Figueira, os Letiere, os Moreira.
Na galeria de arte popular, muito da produção dos
artistas de Garanhuns, como Marcos Siqueira, José Veríssimo,
Mestre Fida, Wagner Porto e as artesãs da Cohab I, todos
em plena forma. Das cidades próximas, participam nomes como
Valdeci (Canhotinho), Cláudio (Bom Conselho) e João
do Mamulengo (São João). Neste setor do casarão,
chamam a atenção os bancos rústicos em forma
de guará e pássaro preto, produzidos por Sérgio
Ferreira dos Santos, o Serginho, natural de Canhotinho, mas atualmente
residindo na Rua Santa Quitéria, aqui em Garanhuns.
A proposta de Ielma Lucena é elaborar um calendário
de eventos para o ano todo, incluindo a realização
de capacitações, convites para palestras, promoção
de salões de arte com premiações e também
de exposições periodicamente. A Mãos na Terra
é a primeira galeria de artes de Garanhuns, assim como a
Casa de Cidadania, também criada pela advogada, foi a primeira
ONG da cidade.
Quando se pergunta a Dra. Ielma quem a está ajudando a criar
uma obra tão monumental, ela confessa que está sozinha
no projeto, embora não faltem os incentivadores. "Só
eu e Deus", sintetiza. Em nenhum momento, porém, deixa
de revelar entusiasmo e investe da própria renda familiar
para ir enriquecendo a galeria. "Mas não tenho tido
prejuízo pessoal e estou realizando um sonho", complementa.
Mesmo sem ter sido ainda inaugurada oficialmente, a Galeria Mãos
na Terra já tem recebido visitas importantes. Entre os turistas
que já estiveram no espaço, podemos citar Guilherme
Valença (primo de Alceu) da Galeria Canto do Sabiá,
no Pelourinho, em Salvador. Estiveram na cidade também dois
colecionadores de arte do Rio de Janeiro, conhecidos como Sandra
e Jorge. Outra que conheceu a galeria garanhuense foi Dra. Silvana,
da Fundação Joaquim Nabuco, que inclusive convidou
Ielma a levar uma exposição ao Museu do Homem do Nordeste,
no Recife, com figuras do reizado. Naturalmente tudo iria ser feito
por artistas daqui a terra. Por fim, esteve no casarão da
advogada a responsável pela Galeria Estação
(SP) Vilma Haidar Eid, que fez questão de levar várias
peças produzidas na Suíça Pernambucana para
a capital paulista.
É de se esperar que não aconteça com a Galeria
Mãos na Terra o que está sucedendo com o Museu de
Cultura Latino Americana. Este último, bancado pelo idealismo
do professor Josevaldo, está praticamente desativado, sem
que as autoridades do Município e do Estado tenham percebido
a importância daquele espaço, que nunca teve um local
definido e apropriado para se desenvolver.
Dra. Ielma, inclusive, já recebeu até convite para
levar sua galeria para Gravatá. Um empresário de lá
tentou convencê-la a mudar de cidade, observando (para tristeza
dela e nossa) que "Garanhuns é uma cidade morta".
Mas a advogada, assim como outros abnegados, lutam para que um dia
isso mude e a terra das sete colinas tenha vida. (R.A.).
|