Garanhuns, 16 de junho de 2007
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Galeria de Artes será inaugurada em julho
Um dos espaços terá um Memorial da Cultura do Café em Garanhuns e Região

Carente de atrativos turísticos e acostumada a tratar com desdém seus valores artísticos, Garanhuns vai ganhar no próximo mês de julho, possivelmente no dia oito, a Galeria de Artes Mãos na Terra. O espaço é uma iniciativa pessoal da advogada Ielma Lucena, que sem nenhuma ajuda governamental está levando à frente um projeto que já atrai ao município visitantes de cidades como Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.

A Galeria Mãos na Terra foi anunciada pela primeira vez aqui mesmo no Correio Sete Colinas, numa das primeiras edições deste ano. Parecia um sonho e alguns chegaram a duvidar. Mas o projeto da advogada é pra valer e o seu casarão, no bairro de Heliópolis, já é na verdade uma grande galeria de arte, com espaço para artesãos, escultores, pintores e produtores de cultura popular de modo geral. A idéia é atrair turistas de todo o Brasil e incentivar os artistas de Garanhuns e outras cidades do Agreste Meridional.

A galeria montada por Dr. Ielma já tem um acervo razoável (o levantamento ainda está sendo feito), com os espaços divididos para um memorial da cultura do café, galeria de arte popular, coreto destinado a serestas e outras manifestações musicais, além de um galpão rústico que sediará ao mesmo tempo um "café cultural" e abrigará oficinas de capacitação dos nossos potenciais artistas. Teremos ainda a "Lojinha da Galeria", onde serão comercializadas lembrancinhas e souvenirs.

RIQUEZA CULTURAL - Só no memorial da cultura do café já se pode contemplar a riqueza do material exposto na galeria. O espaço é composto por louças, móveis, utensílios, mobiliários e toda a iconografia do ciclo do café. A maioria das peças é do início do século XX, mas há também objetos dos séculos XIX e XVIII. No acervo estão pratos de porcelana, mesas, cristaleiras, imagens sacras e oratórios que pertenceram a famílias tradicionais de Garanhuns, Bom Conselho e Brejão, como os Figueira, os Letiere, os Moreira.

Na galeria de arte popular, muito da produção dos artistas de Garanhuns, como Marcos Siqueira, José Veríssimo, Mestre Fida, Wagner Porto e as artesãs da Cohab I, todos em plena forma. Das cidades próximas, participam nomes como Valdeci (Canhotinho), Cláudio (Bom Conselho) e João do Mamulengo (São João). Neste setor do casarão, chamam a atenção os bancos rústicos em forma de guará e pássaro preto, produzidos por Sérgio Ferreira dos Santos, o Serginho, natural de Canhotinho, mas atualmente residindo na Rua Santa Quitéria, aqui em Garanhuns.

A proposta de Ielma Lucena é elaborar um calendário de eventos para o ano todo, incluindo a realização de capacitações, convites para palestras, promoção de salões de arte com premiações e também de exposições periodicamente. A Mãos na Terra é a primeira galeria de artes de Garanhuns, assim como a Casa de Cidadania, também criada pela advogada, foi a primeira ONG da cidade.

Quando se pergunta a Dra. Ielma quem a está ajudando a criar uma obra tão monumental, ela confessa que está sozinha no projeto, embora não faltem os incentivadores. "Só eu e Deus", sintetiza. Em nenhum momento, porém, deixa de revelar entusiasmo e investe da própria renda familiar para ir enriquecendo a galeria. "Mas não tenho tido prejuízo pessoal e estou realizando um sonho", complementa.

Mesmo sem ter sido ainda inaugurada oficialmente, a Galeria Mãos na Terra já tem recebido visitas importantes. Entre os turistas que já estiveram no espaço, podemos citar Guilherme Valença (primo de Alceu) da Galeria Canto do Sabiá, no Pelourinho, em Salvador. Estiveram na cidade também dois colecionadores de arte do Rio de Janeiro, conhecidos como Sandra e Jorge. Outra que conheceu a galeria garanhuense foi Dra. Silvana, da Fundação Joaquim Nabuco, que inclusive convidou Ielma a levar uma exposição ao Museu do Homem do Nordeste, no Recife, com figuras do reizado. Naturalmente tudo iria ser feito por artistas daqui a terra. Por fim, esteve no casarão da advogada a responsável pela Galeria Estação (SP) Vilma Haidar Eid, que fez questão de levar várias peças produzidas na Suíça Pernambucana para a capital paulista.

É de se esperar que não aconteça com a Galeria Mãos na Terra o que está sucedendo com o Museu de Cultura Latino Americana. Este último, bancado pelo idealismo do professor Josevaldo, está praticamente desativado, sem que as autoridades do Município e do Estado tenham percebido a importância daquele espaço, que nunca teve um local definido e apropriado para se desenvolver.

Dra. Ielma, inclusive, já recebeu até convite para levar sua galeria para Gravatá. Um empresário de lá tentou convencê-la a mudar de cidade, observando (para tristeza dela e nossa) que "Garanhuns é uma cidade morta". Mas a advogada, assim como outros abnegados, lutam para que um dia isso mude e a terra das sete colinas tenha vida. (R.A.).