Garanhuns, 2 de junho de 2007
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POLÍTICA
 

Dr. Alcindo defende formação de uma nova classe política em Garanhuns

Natural do Recife, o médico ginecologista Alcindo Bezerra de Menezes,43, já está em Garanhuns há 16 anos. Além de exercer aqui na cidade a medicina de forma competente, como fazia seu tio, Fernando Firmo Pires, Alcindo tem interesse também pela política. Não poderia ser diferente. Seu pai, Antônio Rafael de Menezes, foi vereador na capital pernambucana durante 20 anos, ficando conhecido pela sua luta em favor da educação.

Embora nunca tenha disputado um mandato eletivo, Dr. Alcindo teve uma participação ativa nas duas últimas eleições: foi um dos coordenadores da campanha de Bartolomeu Quidute à prefeitura, em 2004, e desempenhou papel importante na vitória de Eduardo Campos em Garanhuns, no pleito do ano passado. Por essa movimentação, por ser hoje uma das principais figuras do PSB no município, o nome deste médico tem sido lembrado constantamente como pré-candidato à sucessão Luiz Carlos de Oliveira, de quem continua um dos principais críticos.

Nesta entrevista exclusiva ao Correio, Alcindo Menezes, fala da reorganização do PSB local, da possibilidade de vir a disputar a prefeitura, do crescimento da violência no município, da estagnação econômica de Garanhuns e até do roubo recente de um veículo da prefeitura municipal. O texto e a edição são de Roberto Almeida.


CORREIO - Como é que está o PSB aqui em Garanhuns?

DR. ALCINDO - O PSB aqui no município é um partido que se reestruturou a partir de 2005, quando juntamente com Audálio Ramos, Alberto Flávio e Aldemiro Aquino nós tivemos oportunidade de assumir a agremiação. Então chegamos a eleição de 2006, quando tivemos êxito com a vitória de Eduardo Campos, tendo nós socialistas também apoiado a reeleição do presidente Lula. Hoje é um partido que está na fase final dessa reestruturação, na qual obtivemos a renovação da comissão provisória e estamos iniciando um processo de conversação com outros partidos no sentido de formar uma frente de oposições na cidade de Garanhuns.


CORREIO - Em 2008 Partido Socialista terá candidato próprio à prefeitura de Garanhuns?

DR. ALCINDO - Esse é um aspecto que temos como resolvido desde o primeiro momento, quando assumimos o partido em 2005. Naquela ocasião conversamos com o então candidato Eduardo Campos e mostramos pra ele essa necessidade de que o PSB tivesse candidatura própria no município de Garanhuns, principalmente se obtivéssemos a vitória, como terminou acontecendo com a eleição do governador do Estado. Então, sem dúvida nenhuma o Partido Socialista terá candidato próprio majoritário na eleição do próximo ano.


CORREIO - Há informações de que o prefeito Luiz Carlos está tentando se filiar ao PSB. O que há de verdade nisso? Se esse fato acontecer, como é que fica o partido em Garanhuns?

DR. ALCINDO - O que nós temos de informação a nível de Garanhuns é que sim, que o prefeito teria se movimentado no sentido de tentar vir para o PSB. Entretanto, até o momento, ele não foi recebido pelo governador e todos os sinais que nós obtivemos por parte do governo, por parte da secretaria civil é de que o prefeito não viria para o Partido Socialista. É preciso se entender que nós não temos nada contra a pessoa de Luiz Carlos, mas o PSB de Garanhuns hoje é um projeto iniciado em 2005 e não é possível nós aceitarmos pessoas que venham a reboque das situações participar o processo. É lícito que o prefeito pleitei a sua reeleição, que escolha o partido de sua preferência, porém nas hostes do PSB local não há lugar para ele, neste momento.


CORREIO - O Correio Sete Colinas publicou na sua última edição uma pesquisa realizada pelo Instituto Contexto, na qual o prefeito aparece como favorito para vencer a eleição de 2008. Como é que o Sr. analisa os números divulgados?

ALCINDO - Primeiro eu gostaria de dizer que sou um crente nas pesquisas. Elas representam um método científico comprovado que consegue sem dúvida fotografar o momento e dizer pra gente qual é a situação daquele dado instante. Agora, na pesquisa divulgada pelo Correio, eu entendo que ela tenha algumas coisas a serem avaliadas. Por exemplo: é pouco provável que uma pessoa prefeito já há três anos só tenha um por cento de índice de rejeição. Isso é pouco provável porque as pessoas naturalmente se desgastam, deixam de agradar as outras pessoas e por isso é estranho esse índice de rejeição tão baixo apresentado pelo prefeito. Mas é uma fotografia do momento, fiquei muito satisfeito eu terem colocado o meu nome, porque até agora o único nome colocado como pré-candidato é o próprio prefeito. Se o meu nome foi incluído é que de certa forma nosso trabalho tem repercutido na cidade. E fiquei ainda mais satisfeito porque apareço na pesquisa com números bastante próximos aos de Márcio Quirino, ex-vice-prefeito do município, e Sivaldo Albino, ex-presidente da Câmara Municipal.


CORREIO - Admitindo que os números favoráveis ao prefeito estejam próximos da realidade, o Sr. acha que está muito díficil vencer Luiz Carlos na próxima eleição?

DR. ALCINDO - Se você fizer uma retrospectiva e avaliar outras candidaturas que tivemos por aí, vai perceber por exemplo que a própria candidatura de Eduardo Campos há dois anos da eleição tinha algo próximo de 5% das intenções de voto. E naquela época Mendonça Filho aparecia com mais de 30%. No entanto Mendonça Filho perdeu a eleição. Como eu disse antes pesquisa é um retrato do momento. A situação hoje favorece o prefeito, que tem recebido verbas do governo federal, mas com recursos próprios do município não tem feito nada. Vale ressaltar que até o presente momento não houve nenhuma oposição ao governo do Sr. Luiz Carlos. Mas a partir do momento em que começarmos a discutir os problemas - porque nós sabemos que existem muitos problemas na atual gestão -, e a população tomar conhecimento dos fatos que estão acontecendo talvez aconteça realmente uma modificação importante. E aí eu acho que essa diferença que o prefeito tem a seu favor não significa realmente muita coisa, porque no decorrer do processo certamente isso vai mudar.


CORREIO - De acordo com a pesquisa o Sr. ainda não é muito conhecido como político. Mesmo assim aparece com índices razoáveis. Acha que dá para crescer mais daqui pra frente e viabilizar sua candidatura pelo PSB?

DR. ALCINDO - O nosso nome está posto, tanto que foi colocado na pesquisa e tem sido discutido na cidade. Acho que qualquer nome pode crescer no processo eleitoral, isso vai depender de como se trata esse processo e se faz as amarrações políticas. Acho que tanto o meu nome como outros podem vir a crescer, chegando a índices capazes realmente de concorrer. É como lembrei antes: em várias campanhas os candidatos começam com índices considerados pequenos, vão crescendo durante a campanha e terminam por chegar a vitória.


CORREIO - Como é que vocês do PSB vêem o problema da violência e da criminalidade em Garanhuns. Recentemente até o carro usado pelo prefeito foi roubado...?

DR. ALCINDO - Eu queria fazer duas análises a esse respeito. Primeiro tomei conhecimento que esse automóvel estava sem o seguro em dia, o que considero absurdo. Isso é uma prova do total descaso que se tem com os recursos públicos. Porque esse dinheiro não é de A, de B ou de C. Esse dinheiro pertence ao povo de Garanhuns. E você não ter realizado a renovação desse seguro é uma prova cabal da falta de planejamento e da falta de capacidade administrativa do atual governo. Com relação a violência em si eu só tenho a lamentar que esteja grassando da forma que está. Sou daquelas pessoas que acredita que essa violência se aproximou mais da gente por conta da vinda do presídio. E sou daqueles que participaram do processo para impedir a vinda do presídio, contra pessoas que hoje estão na prefeitura e optaram pela colônia penal feminina. É preciso dizer isso para que hoje, quando o governador anuncia sua intenção de retirar o presídio de Garanhuns, não apareçam heróis de última hora. A verdade é que esse é um processo iniciado por Alberto Flávio (presidente do Sindicato do Bancários), que arregimentou inúmeras pessoas e instituições que colaboraram com ele, como é o caso do então vereador Audálio Ramos e da Unimed do Agreste Meridional. Nós perdemos aquela luta, na ocasião, porque as forças políticas eram muito fortes e Jarbas e Mendonça queriam trazer o presídio para Garanhuns de todo jeito, mas hoje a gente tem a possibilidade de tirar essa cadeia daqui, o que pode contribuir para diminuir a violência no município.


CORREIO - O que está faltano para que Garanhuns tenha um ritmo de crescimento mais acelerado?

DR. ALCINDO - Eu queria aproveitar para citar uma frase de uma personalidade, admitindo que uso isso seguindo como mote pra minha vida. Diz assim: "Existem homens que vêem as coisas como são e perguntam por que? E existem homens que imaginam as coisas como poderiam ser e perguntam por que não?" Essa é uma frase que foi dita pelo senador Robert Kennedy no dia em que foi assassinado num hotel nos Estados Unidos, quando era candidato a presidente. E aquilo norteava a vida dele. A todo momento ele achava que podia fazer as coisas diferentes, ficava se perguntando por que não conseguia. E eu comungo desse pensamento, acho que a gente tem de tá se perguntando. Acho que Garanhuns está necessitando de uma política e de políticos diferentes dos que estão aí. Acho que o município precisa passar por um processo de planejamento, passar por um processo de pensar o futuro. Não temos mais tempo de ter políticos e prefeitos que só pensam no dia-a-dia em calçar uma rua, em pintar o meio fio, em botar uma placa numa praça. Precisamos ter políticos e pessoas que pensem hoje em construir o futuro de Garanhuns. Você para construir e mudar a história do município tem que planejar. Fazer com que o município passe por um processo de avaliação, de diagnóstico.

Nesse processo você tem de trazer a sociedade, se aproximar dos empresários. Eu fico admirado porque estou aqui há mais de 15 anos e não lembro de ter havido um seminário reunindo os empresários da cidade para se fazer uma pergunta básica a essas pessoas, que geram recursos no município. O que é que o Sr. Precisa para aumentar as vagas de trabalho aqui em Garanhuns? Você não vê isso. Não vê a prefeitura ouvir o empresariado, ouvir a sociedade, no sentido de se fazer um diagnóstico para se desenvolver o município. É uma questão de gestão, é uma questão de planejamento e nós precisamos de políticos e pessoas que pensem dessa forma. Você vê que o governador Eduardo Campos hoje age dessa maneira. E não é só ele não. O Ceará passou por um processo de planejamento político e administrativo. Na Paraíba, cidades como Campina Grande passaram por esse processo. A própria Caruaru e também Petrolina passaram por esse planejamento. Nós aqui em Garanhuns até hoje não fizemos isso. Por isso que precisamos de outros tipos de políticos, que não sejam simplesmente imediatistas, que se elegem hoje e começam a fazer calçamentos de ruas simplesmente pensando numa reeleição. A gente precisa reconstruir Garanhuns, iniciar o processo de desenvolvimento que foi perdido na década de 60.