Garanhuns, 2 de junho de 2007
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OPINIÃO
 

"MELHOR PREVENIR"...

Luzinete Laporte


A revista "Cidade Nova" de maio (2007) traz um artigo sob o título "O Soldado Brizola".

Tanta coisa lemos e vemos acontecer, nos jornais, nas TVs, na vida real, sobre violência. Vale a pena conhecer o que de positivo, de bom e de bem, é feito no "fogo cruzado" cujos fatos nos atingem como "balas perdidas".

Leio o trabalho realizado por um PM, o Soldado Brizola, com crianças e adolescentes, em prevenção à violência e à droga, no Paraná.

Para tal, ele lança mão de um material pedagógico de nome "Dado do Amor." É um dado em cujos lados estão apelos como: "Amar a todos" ou "Amar por primeiro", isto é, fazer gestos de amor, de paz, sem esperar que alguém o faça primeiro.

Cerca de 600 crianças de 9 a 15 anos participam do programa, com uma aula por semana.

Com a filosofia da valorização da vida, desde que se é criança, passando pela adolescência, aos poucos o Evangelho de Jesus, avança sobre a brutal realidade das manchetes.

Nas escolas, tanto públicas quanto particulares, a agressividade recuou. Narra o Soldado Brizola: "Empurravam-se nas filas falavam mal umas das outras (...) Chegavam a desrespeitar e agredir os professores."

Jogavam lixo no chão, rabiscavam as paredes e carteiras, além de uma postura individualista, sem qualquer espírito de colaboração com as propostas da escola.

E com o "Dado do Amor", o PM continua: "Houve mudança de comportamento, abertura para o diálogo. Cessou a violência na escola."

Seria ótimo se alguém começasse o mesmo trabalho em nossas escolas.

Conheço uma criança de 11 anos que vivia, como diz a própria mãe, no mato, matando passarinho e lagartixa. "Em casa era agredido pelos pais e tratava mal os irmãos. Na escola (coisa impensável, inaudita) a professora o tratava de burro e perguntava-lhe por que só ia com o mesmo casaco - sabendo de sobra as condições financeiras da família.

Hoje, está totalmente mudado (era surdo. Quero dizer, não se comunicava. Era um ser humano oprimido. O que seria em adulto?) Alguém interessou-se por mostrar-lhe outra face da vida. E que criança maravilhosa tornou-se em apenas dois meses!

A violência não é apenas fruto da pobreza. É fruto da violência. Milhares de crianças como esta, estão necessitando de patrocínio. Coloquem-nas na natação, judô, etc. Dêem-lhe o ambiente e amor. E Deus sorrirá para os que os assumem.


Luzinete Laporte é professora e escritora, já foi gerente da antiga Dere e Secretária de Educação no município.