Garanhuns, 2 de junho de 2007
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HUMOR

Raulzito


GARANHUNS E CARUARU

Garanhuns é uma cidade mais bonita do que Caruaru. Pelas praças, o relógio de flores, as sete colinas, o Alto do Mangando, o Pau do Pombo, o Parque Euclides Dourado, pela própria arquitetura da cidade. O clima daqui também é um pouquinho mais gostoso (mais fresco) do que o de lá. Tirando essas vantagens, no resto a gente perde feio.

Na capital do Agreste tem um shopping center e outro em construção. Tem cerca de 60 indústrias e mais 23 em implantação. São três emissoras de televisão contra zero de Garanhuns. Mais prédios de apartamento (os daqui ainda dá pra contar nos dedos de uma mão), mais empregos, maior proximidade da capital e acredito que até mais gente feia.

Caruaru tem dois deputados estaduais e um federal. Nenhum deles tem o bocão do Izaías Régua, é verdade, mas no campo legislativo eles nos vencem por 3 a 1. E ainda têm o vice-governador do Estado, que não é um João qualquer, é o Lyra. Sem falar no Porto e Central, este último vice-campeão estadual, enquanto a AGA deu com os burros nágua e o Sete pena na segundona.

Garanhuns, apesar do verniz cultural, não valoriza tanto assim seus artistas. Se fizer uma pesquisa pelo Instituto Contexto garanto que de 80 a 90% dos moradores locais nunca ouviram nem falar em Luiz Jardim, apesar do espaço em sua homenagem, bem no centro.

E o Dominguinhos, que quando vivia na terrinha sofria pra ganhar uns trocados no meio da rua, anda tão esquecido por aqui que também nem lembra do lugar onde nasceu.

Se os medalhões são tratados assim, imagine o que acontece com os artistas de hoje, teimando em viver do clima maravilhoso, abençoados pela água São Luiz ou da Serra Branca.

Garanhuns precisa de ícones, como Vitalino, uma espécie de Frei Galvão de barro, lá na terra do forró.

Já estamos perdendo também por um elástico placar na quantidade de cursos de nível superior. Acho que quando se formar a primeira turma de jornalismo em Garanhuns (se o curso for implantado) na capital do Agreste já estará circulando um jornal diário.

Teve um tempo em que essa discussão, essas comparações tinham graça. A disputa era quase no pau. Agora, infelizmente, a gente tem é de se preocupar com Belo Jardim e quem sabe Lajedo, que há 50 anos era uma vilazinha e agora já é do tamanho pelo menos da Boa Vista inteira.

Sou bairrista e gosto de Garanhuns, torço e luto pelo seu crescimento. Mas apesar de fã de Raul Santos Seixas, o maluco beleza, ainda não perdi o juízo e não posso deixar de reconhecer que eles estão na fórmula um e a gente ainda andando de Kart, como esse menino filho do Jânio Almeida.

Mas quem sabe com a duplicação da BR-423, como quer o prefeito Luiz Carlos do Jardim das Oliveiras, a gente também acelera e diminui a distância de Caruaru.

Aí, quando a Suíça Pernambucana fizer 150 anos, a gente faz uma festa arretada como a que eles fizeram, com cadernos especiais nos principais jornais do Estado.

Eles começaram a se desenvolver com um Zé, cresceram ainda mais com o João e dispararam no governo desse Tonho, que é mais que jóia, é Gel.

E a gente com um Lula cá e outro lá sem aproveitar devidamente. Mas isso muda, isso muda. Nem que o presidente tenha de fazer a transposição do Rio São Francisco só praqui. E nesse dia juro por Deus - ou passamos Caruaru ou chegamos junto de Petrolina, que sem nenhum Zé, João, Gel ou Luiz chegou onde chegou, com um monte de coelho botando as unhas de fora.

Viviane, a minha boazuda do bairro São José não gosta de Caruaru. Eu também. É por isso que fico com raiva deles estarem tão na frente, fazendo inveja todos os meses do ano, menos em julho, quando tem o Festival de Inverno. Espero que pelo menos essa vantagem o governador Eduardo do Campo não nos tire.