Garanhuns, 2 de junho de 2007
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OPINIÃO
 

EDITORIAL


O BRASIL E O HÁBITO DA LEITURA

Um dos problemas sérios no Brasil é o baixo índice de leitura. Se lê pouquíssimo na classe mais pobre e mesmo nos setores médios e de alto poder aquisitivo a coisa deixa a desejar. Um povo que não lê jornais, revistas e livros, que busca o conhecimento somente pelo rádio e televisão, é um povo não devidamente informado, na maioria das vezes por fora de assuntos básicos no campo da geografia, da história, da política, das ciências ou da língua portuguesa.

Registra a excelente revista Língua Portuguesa (comercializada nas bancas de revista da cidade), que a demanda por leitura no País é limitada. Temos 2.200 pontos de venda no Brasil, dos quais 1.800 podem ser classificados como livrarias. Metade desse número está no Estado de São Paulo, 200 delas na capital. Há uma livraria para cada 84.500 brasileiros. Nos Estados Unidos o percentual é de uma livraria para 15 mil pessoas e os argentinos tem uma casa especializada em livros para cada 50 mil habitantes. Buenos Aires, a capital do país vizinho, tem 400 livrarias, o dobro de São Paulo.

Pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro mostra que o maior inibidor da venda de livros no Brasil é o pouco hábito da leitura. Mais de 60% dos entrevistados preferem veículos mais rápidos e só 32% dos adultos e alfabetizados no conjunto de todas as classes sociais revelam que gostam de ler. A elite lê mais, só que consome muita bobagem e o estímulo à leitura hoje está centrado nos programas de livros didáticos do MEC, a ações da iniciativa privada e cursos de formação. Bibliotecas - insuficientes e mal aparelhadas - e ensino básico (desigual de norte a sul do país) viraram, em alguns casos, complicadores.

A escola seria o veículo mais importante para mudar esse quadro, mas infelizmente as políticas adotadas pelas secretarias municipais e estaduais de educação não têm contribuído muito na formação de leitores. Num contexto em que a preocupação maior são os salários dos professores, o cumprimento da carga horária e o estado físico dos prédios, termina não restando muito espaço para uma pedagogia verdadeira, capaz de formar jovens conscientes do mundo através da matemática, das ciências e principalmente da leitura do que é e tem sido produzido pelos grandes homens através dos tempos.

Aqui em Garanhuns, mesmo, apesar dos esforços do professor José Maria Leitão, uma pessoa culta e bem intencionada, julgamos que ainda são tímidos os feitos na área de educação. Acreditamos que um município pólo como este poderia ir muito mais longe, promovendo uma verdadeira revolução através das idéias. Para se chegar a esse objetivo, é preciso uma política de leitura direcionada aos alunos e professores, estes últimos vítimas e também culpados de um sistema arcaico que privilegia a repetição e o burocratismo, deixando de lado o essencial, que passa pela informação necessária, a conscientização para um viver autêntico.