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Zezinho de Garanhuns: um artista que valoriza
a cultura nordestina
José Gomes de Souza tem 47 anos e nasceu aqui mesmo, entre
as sete colinas. Cresceu bebendo água das fontes das nossas
águas minerais, convivendo com as ladeiras da Boa Vista e
do Magano, apreciando nas noites de inverno a garoa fina que cobre
a cidade. De família de artistas, cedo se apaixonou pelo
forró verdadeiro, pelas vaquejadas, as toadas e cantorias.
Aí virou Zezinho de Garanhuns, cantor e compositor, também
homem de rádio, que nos programas apresentados faz questão
de valorizar a cultura nordestina, o forró pé-de-serra,
o legado de Luiz Gonzaga, Jacinto Silva e Dominguinhos.
Atualmente, Zezinho de Garanhuns apresenta todas as tardes, das
16 às 18h, o programa Musicamp, na FM Sete Colinas. Mas antes
de chegar a emissora da Boa Vista percorreu um longo caminho, como
cantor e como apresentador. Em disco estreou em 1985, pela Sonat,
quando gravou o primeiro LP, em parceria com "O Gigantes do
Nordeste", formado por Sinhozinho Barbosa e Chico Barra Nova.
É um trabalho já na linha de prestigiar o autêntico
forró, cantando principalmente as nossas vaquejadas.
Depois Zezinho formou uma dupla com Rivaldo, artista com raízes
também aqui na região do Agreste. A parceria durou
nove anos, de 1988 a 1997, resultando em muitos shows e três
discos gravados. Logo após a separação da dupla,
o artista gravou o seu primeiro disco solo, num CD que contou com
a participação do consagrado Flávio José.
O passo seguinte foi a formação de uma nova dupla,
desta vez com Arlindo Marcolino, ex-parceiro de Vavá Machado.
Sempre, nos trabalhos de Zezinho de Garanhuns, a preocupação
com o fortalecimento da música regional, o resgate da nossa
cultura a recusa em divulgar bandas de forró estilizado.
O ano passado ele lançou mais um CD e já totaliza
nove discos, afora algumas participações em trabalhos
de outros valores locais, como nos Cds de Carlos Janduy e Ronaldo
César.
O RÁDIO - Em rádio Zezinho está atuando há
20 anos, tendo começado na antiga Difusora de Caruaru, passado
pela Meridional (1997), Rádio Jornal Garanhuns (97 a 2002),
Monte Sinai (2002 a 2004), Estação Sat (2005/2006)
e agora Sete Colinas, onde estreou em dezembro do ano passado. Na
maioria das emissoras apresentou sempre o mesmo programa, o Musicamp,
mas na ex-Difusora local o sucesso era o "Alvorada Sertaneja",
que ia ao ar logo pela manhã.
Na FM Sete Colinas o comunicador começou com uma hora, das
17 às 18h, mas em pouco tempo ganhou mais tempo, devido a
grande audiência, que resultou em número significativo
de patrocinadores. Durantes as duas horas em que está no
ar, Zezinho conta "causos" da região, piadas de
sabor regional, canta e recita poesias matutas.
O apresentador também abre espaço para os repentistas,
emboladores, cantadores de toadas e produtores de forró pé-de-serra.
E aí tanto tem vez os artistas já conhecidos, como
Gláucio Costa e Mourinha do Forró, quanto anônimos
que ainda estão batalhando para vencer na carreira. "Eu
não me vendo à mídia. Gosto é de valoriza
a cultura nordestina", Afirma Zezinho de Garanhuns, que cita
como seus ídolos - pessoas capazes de influenciar seu trabalho
- nomes como Luiz Gonzaga, Genival Lacerda, Alcymar Monteiro, Flávio
José e Marinês, esta última falecida recentemente.
Aliás, no dia seguinte ao da morte da pernambucana Marinês
(nasceu em São Vicente Férrer, mas se criou em Campina
Grande), Zezinho fez uma homenagem a grande forrozeira. Faz questão
de lembrar, no entanto, que sempre tocou a artista em seus programas,
mesmo quando ela enfrentava um certo ostracismo na mídia.
CONCORRÊNCIA - Zezinho entrou na Sete Colinas para substituir
outro grande nome do rádio garanhuense: o radialista Rocir
Santiago, que brilhou durante certo tempo nas emissoras da cidade,
perdeu um pouco do pique nos últimos tempos e terminou trocando
Garanhuns pela capital, recentemente. Além da responsabilidade
de suceder um profissional de talento, como Rocir, Zezinho se apresenta
praticamente no mesmo horário do Mução, que
tem o seu programa transmitido pela Estação Sat.
Embora não exista pesquisa oficial, pelo menos no momento
Zezinho de Garanhuns parece estar levando certa vantagem, embora
se recuse a fazer apelações e tocar a música
de certa bandas que aparecem no programa do concorrente. "A
gente sente que tem audiência", confessa o artista, com
jeito humilde, convencido de que o público da cidade o prestigia
exatamente pelo "sabor regional" do seu programa.
GENÉTICA - José Gomes de Souza é casado com
Maria do Socorro e tem dois filhos: Maria Cláudia e José
Cláudio. Ele não disse se os filhos seguirão
sua carreira, mas de toda maneira deixou claro que a veia artística
está no sangue. O pai de Zezinho, Benício Laurentino
de Souza, está com 78 anos. E ainda toca, canta e dança
no reizado da Boa Vista. E tem mais: Seu Benício é
sobrinho de mestre Cândido, outro artista ligado à
cultura popular.
Conversando com Zezinho, a gente percebe que ele está de
bem com a vida. Satisfeito com seus discos, seus programas em rádio
e principalmente sua Garanhuns. Ele confidencia que não troca
a cidade por nenhum outro lugar e acredita até que não
se projetou mais na carreira por ter ficado sempre aqui, cultivando
suas raízes. Já se apresentou na Sala de Reboco e
no Clube Internacional, no Recife, já cantou no Festival
de Inverno mais de uma vez, mas nada disso lhe envaidecesse. Parece
gostar mesmo é de estar subindo as ladeiras da cidade, de
cantar e de lutar pelos autênticos valores do Nordeste. "Eu
sou e vou continuar assim. Não faço apelação.
O meu programa no rádio qualquer pai de família pode
ouvir", define Zezinho, que parece não concordar com
a fórmula de outros comunicadores, pródigos em dizer
palavrões no ar, para atrair ouvintes.
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