Garanhuns, 19 de maio de 2007
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Cultura
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
CULTURA
 

Zezinho de Garanhuns: um artista que valoriza a cultura nordestina

José Gomes de Souza tem 47 anos e nasceu aqui mesmo, entre as sete colinas. Cresceu bebendo água das fontes das nossas águas minerais, convivendo com as ladeiras da Boa Vista e do Magano, apreciando nas noites de inverno a garoa fina que cobre a cidade. De família de artistas, cedo se apaixonou pelo forró verdadeiro, pelas vaquejadas, as toadas e cantorias. Aí virou Zezinho de Garanhuns, cantor e compositor, também homem de rádio, que nos programas apresentados faz questão de valorizar a cultura nordestina, o forró pé-de-serra, o legado de Luiz Gonzaga, Jacinto Silva e Dominguinhos.

Atualmente, Zezinho de Garanhuns apresenta todas as tardes, das 16 às 18h, o programa Musicamp, na FM Sete Colinas. Mas antes de chegar a emissora da Boa Vista percorreu um longo caminho, como cantor e como apresentador. Em disco estreou em 1985, pela Sonat, quando gravou o primeiro LP, em parceria com "O Gigantes do Nordeste", formado por Sinhozinho Barbosa e Chico Barra Nova. É um trabalho já na linha de prestigiar o autêntico forró, cantando principalmente as nossas vaquejadas.

Depois Zezinho formou uma dupla com Rivaldo, artista com raízes também aqui na região do Agreste. A parceria durou nove anos, de 1988 a 1997, resultando em muitos shows e três discos gravados. Logo após a separação da dupla, o artista gravou o seu primeiro disco solo, num CD que contou com a participação do consagrado Flávio José. O passo seguinte foi a formação de uma nova dupla, desta vez com Arlindo Marcolino, ex-parceiro de Vavá Machado.

Sempre, nos trabalhos de Zezinho de Garanhuns, a preocupação com o fortalecimento da música regional, o resgate da nossa cultura a recusa em divulgar bandas de forró estilizado. O ano passado ele lançou mais um CD e já totaliza nove discos, afora algumas participações em trabalhos de outros valores locais, como nos Cds de Carlos Janduy e Ronaldo César.

O RÁDIO - Em rádio Zezinho está atuando há 20 anos, tendo começado na antiga Difusora de Caruaru, passado pela Meridional (1997), Rádio Jornal Garanhuns (97 a 2002), Monte Sinai (2002 a 2004), Estação Sat (2005/2006) e agora Sete Colinas, onde estreou em dezembro do ano passado. Na maioria das emissoras apresentou sempre o mesmo programa, o Musicamp, mas na ex-Difusora local o sucesso era o "Alvorada Sertaneja", que ia ao ar logo pela manhã.

Na FM Sete Colinas o comunicador começou com uma hora, das 17 às 18h, mas em pouco tempo ganhou mais tempo, devido a grande audiência, que resultou em número significativo de patrocinadores. Durantes as duas horas em que está no ar, Zezinho conta "causos" da região, piadas de sabor regional, canta e recita poesias matutas.

O apresentador também abre espaço para os repentistas, emboladores, cantadores de toadas e produtores de forró pé-de-serra. E aí tanto tem vez os artistas já conhecidos, como Gláucio Costa e Mourinha do Forró, quanto anônimos que ainda estão batalhando para vencer na carreira. "Eu não me vendo à mídia. Gosto é de valoriza a cultura nordestina", Afirma Zezinho de Garanhuns, que cita como seus ídolos - pessoas capazes de influenciar seu trabalho - nomes como Luiz Gonzaga, Genival Lacerda, Alcymar Monteiro, Flávio José e Marinês, esta última falecida recentemente.

Aliás, no dia seguinte ao da morte da pernambucana Marinês (nasceu em São Vicente Férrer, mas se criou em Campina Grande), Zezinho fez uma homenagem a grande forrozeira. Faz questão de lembrar, no entanto, que sempre tocou a artista em seus programas, mesmo quando ela enfrentava um certo ostracismo na mídia.

CONCORRÊNCIA - Zezinho entrou na Sete Colinas para substituir outro grande nome do rádio garanhuense: o radialista Rocir Santiago, que brilhou durante certo tempo nas emissoras da cidade, perdeu um pouco do pique nos últimos tempos e terminou trocando Garanhuns pela capital, recentemente. Além da responsabilidade de suceder um profissional de talento, como Rocir, Zezinho se apresenta praticamente no mesmo horário do Mução, que tem o seu programa transmitido pela Estação Sat.

Embora não exista pesquisa oficial, pelo menos no momento Zezinho de Garanhuns parece estar levando certa vantagem, embora se recuse a fazer apelações e tocar a música de certa bandas que aparecem no programa do concorrente. "A gente sente que tem audiência", confessa o artista, com jeito humilde, convencido de que o público da cidade o prestigia exatamente pelo "sabor regional" do seu programa.

GENÉTICA - José Gomes de Souza é casado com Maria do Socorro e tem dois filhos: Maria Cláudia e José Cláudio. Ele não disse se os filhos seguirão sua carreira, mas de toda maneira deixou claro que a veia artística está no sangue. O pai de Zezinho, Benício Laurentino de Souza, está com 78 anos. E ainda toca, canta e dança no reizado da Boa Vista. E tem mais: Seu Benício é sobrinho de mestre Cândido, outro artista ligado à cultura popular.

Conversando com Zezinho, a gente percebe que ele está de bem com a vida. Satisfeito com seus discos, seus programas em rádio e principalmente sua Garanhuns. Ele confidencia que não troca a cidade por nenhum outro lugar e acredita até que não se projetou mais na carreira por ter ficado sempre aqui, cultivando suas raízes. Já se apresentou na Sala de Reboco e no Clube Internacional, no Recife, já cantou no Festival de Inverno mais de uma vez, mas nada disso lhe envaidecesse. Parece gostar mesmo é de estar subindo as ladeiras da cidade, de cantar e de lutar pelos autênticos valores do Nordeste. "Eu sou e vou continuar assim. Não faço apelação. O meu programa no rádio qualquer pai de família pode ouvir", define Zezinho, que parece não concordar com a fórmula de outros comunicadores, pródigos em dizer palavrões no ar, para atrair ouvintes.