Garanhuns, 19 de maio de 2007
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CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Marinês - A Rainha do Forró

Marinês, do grupo Marinês e Sua Gente, morreu segunda-feira (14), na capital pernambucana, aos 71 anos de idade. A "Rainha do Forró", que estava internada no Hospital Português, não resistiu ao segundo acidente vascular cerebral (AVC) que sofreu em nove dias. O primeiro derrame aconteceu no sábado, dia 5, e provocou paralisia do lado esquerdo do corpo da cantora. Segundo os médicos, a morte de Marinês foi inesperada. Nos últimos dias, ela tinha apresentado melhoras. No domingo (13), recebeu visita de vários familiares e amigos, inclusive do cantor Genival Lacerda.
O velório aconteceu no Teatro Municipal da cidade paraibana O corpo da pernambucana Marinês foi sepultado no cemitério Campo Santo Parque da Paz, em Campina Grande, na Paraíba, na manhã da terça-feira (15).

"Marinês tinha cerca de 30 discos. Em 1956, gravou o primeiro álbum, já como Marinês e sua Gente. Também nos anos 50, com o então marido Abdias, sanfoneiro, e o zabumbeiro Cacau, Marinês formou a Patrulha de Choque do Rei do Baião, tocando nas cidades em que Luiz Gonzaga se apresentava.

Em 1957, ela acompanhou Luiz Gonzaga ao Rio de Janeiro, se apresentando em programas de rádio. "Pisa na fulô" e "Peba na pimenta" foram alguns dos sucessos lançados pela cantora, que teve intensa produção até a década de 80, quando se separou de Abdias.

Inês acrescentou o Maria ao nome quando participou de um programa de calouros em uma rádio, para que os pais não percebessem que ela estava atuando como cantora. O locutor, ao anunciá-la, chamou-a de Marinês, nome que ela acabou adotando.

Fosse o baião simbolizado pelo triângulo, sem dúvida, Marinês seria o vértice, tendo Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga na base. Coroada pelo Rei do Baião, Rainha do Xaxado, Marinês será sempre lembrada como um dos maiores mitos da música nordestina.

Filha do ex-cangaceiro do bando de Lampião Manoel Caetano de Oliveira e da dona de casa Josefa Maria de Oliveira, dona Donzinha, a menina Maria Inês Caetano de Oliveira nasceu em 1936, em São Vicente Ferrer, Pernambuco. Mas seria a Paraíba que acolheria em Campina Grande, a família que se mudou em 1940. Ali viveu a infância, a mocidade, o começo da carreira e a união com o sanfoneiro Abdias.

As músicas que mais atraiam a sua atenção eram os sucessos do Rei do Baião, divulgadas pelos altos falantes em postes das difusoras de Campina Grande. Qui nem Jiló, Respeita Januário, Xanduzinha, No Ceará não Tem disso não e Asa Branca, eram apenas algumas músicas que ela já sabia de cor por lhe tocarem a alma de sertaneja.

Sempre chamando atenção pelo seu canto afinado e pujante, atraiu a atenção dos diretores da Rádio Borborema, que a contrata para os seus programas de auditório em 1952. No mesmo ano contratariam o sanfoneiro paraibano Abdias Farias. Começam a namorar e após pedir permissão aos pais da moça, o talento da consertina se casa com a Maria Bonita do Forró, dois anos depois. De Fortaleza surgiu um convite para trabalhar na Rádio Iracema, onde as condições empregatícias eram melhores. Lá encontraram o terceiro elemento, que iria fechar um formato pronto a ganhar o país.
O zabumbeiro Cacau, que tinha tocado com Luiz Gonzaga no começo dos anos 50, estava em Fortaleza "por acaso", procurando emprego onde pudesse martelar sua zabumba.

Abdias vislumbrou logo a possibilidade de montar um trio de forró, tocando repertório de Jackson do Pandeiro e de Luiz Gonzaga. Ele afunfando o fole, Marinês tilintando seu triângulo e Cacau castigando a zabumba.

Com repertório afiado, zarparam na lapa do mundo, tocavam em bibocas, cinemas, circos, alugavam armazéns e iam disseminando o novo ritmo criado por Gonzaga. Este, por sua vez, ia tendo notícia aqui e alí de um trio que tocava suas músicas: "a moça é uma Gonzaga de Saias", diziam.

O primeiro encontro, acontecido em 1955, narrado por Marinês: "Foi quando eu fiz um show em Propriá (Sergipe) e Pedro Chaves, o prefeito na ocasião, apaixonado por Luiz Gonzaga, ofereceu um busto na praça. Eu e meu marido dissemos que tínhamos muita vontade de conhecê-lo pessoalmente. Ele, então, nos contrata para fazer um show justamente no dia que Gonzaga ia inaugurar a Praça. Ele nos botou num apartamento junto do apartamento do Gonzaga, porta com porta. Quando chegamnos lá, Luiz Gonzaga já estava sabendo que tinha essa cangaceirinha, como ele me chamava, cantando as músicas dele. Quando o Pedro Chaves disse: a Marinês está aí. Ele bateu em nossa porta e disse: - Vocês são meus convidados para comer comigo na mesa. Eu tremia, nem comi direito, nervosa com o impacto da presença, uma coisa que eu sonhava. Almoçamos e ele disse: eu vou lhe ensinar a dançar xaxado porque eu estou precisando de uma rainha do xaxado. Tenho a princesinha do baião, que era Claudete. Aí ele foi dançar comigo".
Após a apresentação Gonzaga prometeu dar uma força à Patrulha de Choque, acenando com canais abertos em rádios e gravadoras. no Rio , onde morava. Em março de 1956 a trupe chegou ao Rio e se hospedou na casa de Helena Gonzaga, madame baião, e do rei. Apadrinhados desde o encontro em Sergipe, Gonzaga saiu a apresentá-los nos programas na Rádio Mayrink Veiga, onde coroou em terras do Sul oficialmente a Rainha do Xaxado. Tocaram também nas rádios Nacional e Tupi.
Depois de divulgá-los, o cantor de Asa Branca destitue a Tropa e os incorpora à sua nova produção: "Luiz Gonzaga e Seus Cabras da Peste". Abdias ia pro agogô - só tocava sanfona quando Luiz dançava - Zito Borborema no pandeiro, Marinês no triângulo e Miudinho na zabumba.

Neste ano Marinês registrava em disco sua voz pela priemira vez, na faixa Mané e Zabé, de Gonzaga. O novo grupo partiria para uma excursão à capital mineira para celebrar o aniversário de uma emissora associada. Na volta, o grupo teve que enfrentar o ciúme de Helena Gonzaga que exigiu ao rei a dissolução do grupo.

No começo de 1957 Marinês se apresentou no programa Rancho Alegre , da rádio Tupi. Antes de entrarem em cena o apresentador Chacrinha apontou para Cacau e Abdias e perguntou a cantora :

- Quem são esses aí ?

- É minha gente, explicou.

De bate-pronto o velho guerreiro anunciou: Marinês e sua gente. A partir daí nasceu o nome do grupo: Marinês e sua gente".


Trechos da Biografia de Marinês, transcritos da Web Site Música Nordestina.