Garanhuns, 19 de maio de 2007
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CIDADE
 

Médica do Dom Moura acusada de negligência

Fernando Rodolfo


Uma tentativa forçada de parto normal quase provocou a morte de uma criança na maternidade do Hospital Regional Dom Moura em Garanhuns. A família ingressou com uma denúncia no Ministério Público, que vai apurar a conduta da obstetra Maria Mônica. Ela estava de plantão no dia 30 de abril quando teve início o drama vivido pela agricultora Claudenize Rolim de Oliveira, 42, que precisou ser atendida na referida unidade hospitalar. A criança terminou nascendo com diversos hematomas pelo corpo, lesões nos olhos e com dois coágulos na cabeça. "Quem viu minha filha pensava que ela estava morta de tantos hematomas que tinha", denuncia a mãe, que recorreu ao hospital público por não ter R$ 1.800,00 para pagar o parto.

A agricultora vinha sendo acompanhada por um médico amigo da família, que não foi localizado para fazer a cirurgia. "Como ela não me conhecia, eu fui dizer qual era a minha situação. Ela simplesmente disse que a médica era ela e que não era pra eu estar numa emergência", conta Claudenize. A agricultora tentou avisar a médica que apresentava problemas no útero e que foi aconselhada por outro profissional a não permitir o exame do toque. "Ela disse que as condições quem dizia era ela e não eu", disse a agricultora. A paciente afirma que mostrou à médica o cartão de gestante, onde estava claro tratar-se de uma gestação de risco. Claudenize retornou para a residência dela e ao chegar em casa passou a sentir dores e resolveu ir novamente ao hospital. A médica insistiu no exame do toque que não foi permitido pela paciente. "Eu já tinha perdido uma criança por causa de um exame de toque que foi feito em mim", explica Claudenize, que voltou para casa mais uma vez.

Minutos depois, a paciente começou a sentir as contrações e retornou ao hospital. "A bolsa estourou na portaria da maternidade. A médica veio e disse que iria fazer o parto normal. Eu disse a ela que fizesse tudo, desde que salvasse minha filha mesmo que eu morresse". O drama da paciente continuou quando a profissional iniciou o parto normal. "Ela colocou a mão e começou a puxar. Quando viu que não tinha condições, parou", conta. A partir daí, Maria Mônica deu início ao procedimento cirúrgico e tentou por oito vezes aplicar a anestesia. "Não é a primeira vez que essa médica faz isso com os pacientes não. Outras crianças inclusive já morreram nas mãos dela", acusa Claudenize.

Procurada pela reportagem, a médica negou as acusações e disse que em momento algum tentou fazer o parto normal. "Ela está agindo de má fé comigo", disse. A profissional afirmou que a paciente não apresentou nenhuma ultra-som e nem o cartão de gestante. "Da recepção ela veio aqui pra sala de atendimento só pra gente apronta-la para a cesária. Ninguém tentou fazer o parto normal", explica. "Eu não sou só uma médica. Eu sou especialista", completa. A diretora do Hospital, Emília Pessoa, preferiu não comentar o caso antes de um posicionamento da Justiça.

A família prestou queixa na delegacia de polícia, que encaminhou a criança ao IML em Caruaru, mas o laudo médico ainda não foi concluído. "Vou solicitar a abertura de um inquérito administrativo na Secretaria Estadual de Saúde e requisitar ao Cremepe o início de um procedimento disciplinar para apurar se houve irregularidade na conduta médica", explica o promotor Alexandre Bezerra, que está apurando o caso.