Garanhuns, 5 de maio de 2007
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POLÍTICA
 

Poeta popular mostra chegada de Miguel Arraes no céu

Miguel Arraes de Alencar nasceu no Ceará mais fez a vida de homem público em Pernambuco. Foi o único político a se eleger governador do Estado em três oportunidades: em 1962, 1986 e em 1994. Por sua defesa consequente das populações carentes, principalmente do homem do interior, virou um mito e mesmo depois de morto ainda influenciou na última eleição de governador, ajudando com sua história de coerência o neto Eduardo Campos a vencer o pefelista Mendonça Filho na disputa de 2006.

É esse Arraes que luta pelo povo, presente na memória de muitos pernambucanos e brasileiros, tema da última obra em cordel do poeta Adeilzo Santos, natural de Lajedo, autor de livros, discos e outros cordéis versando sobre a realidade nordestina. No livreto "A Chegada de Arraes no Céu", o autor escreve 22 estrofes de 10 versos, cada, imaginando como seria a recepção no paraíso ao ex-governador pernambucano.

Adeilzo imagina que o próprio São Pedro estaria na porta, sorridente, a espera de Arraes, a quem abraçaria com ternura. "Quando Arraes no céu chegou/São Pedro na porta estava/sorridente lhe esperava/com ternura lhe abraçou/logo depois lhe saudou/falando-lhe com franqueza: - entre nessa fortaleza/é uma honra para nós/receber que foi a voz/lá na terra da pobreza...", canta o poeta, logo na abertura do cordel.

Em seguida o escritor popular fala da luta do líder socialista na terra, ao lado do agricultor, na Mata, no Agreste e no Sertão. Na versão do lajedense, por conta de suas posições, de suas obras no campo, construindo barragens, levando água e luz para os mais necessidados, o político pernambucano terminaria fazendo jus ao apelido de "Paia Arraia do povão".

Arraes ficaria emocionado com a recepção no céu, pois além do abraço e de um aperto de mão de São Pedro seria saudado com flores - pétalas pelo chão -, harpas e cânticos. "Arraes pigarreou, tossiu./Começava a emoção/foi um bonito cortejo/até chegar ao salão".

O cordelista conta que o salão estava lotado de simples agricultores, que em vida sofreram, mas tiveram Arraes ao seu lado. Ele lembra que muito desses homens, marcados pela dor, morreram lutando, nas diversas regiões do Estado. E agora estavam ali "unificando a emoção, chapéu de palha acenando".

O livreto se torna mais criativo e emocionante quando o autor idealiza São Pedro mandando Arraes sentar numa espécie de trono. Aí chama, um a um, poetas e nordestinos famosos que vêm cumprimentar o ex-governador: entram Gonzagão cantando Asa Branca, Patativa de Assaré recitando um de seus versos, Frei Damião, Dom Hélder Câmara, Padre Cícero, Pinto do Monteiro, o professor Paulo Freire, Francisco Julião, Josué de Castro, Barbosa Lima e Zeto do Pajeú.

Lá na terra Arraes foi perseguido
Simplesmente porque tava com o povo
Por querer lhe mostrar um mundo novo
Proteger, ajudar o oprimido
Pela força maligna foi detido
Ditadura arrasou nossa nação
Expulsam-lhe da sua obrigação
Tiraram-lhe o governo estadual
Entra Arraes no paço celestial
Carregado nos braços do povão.

Zeto recepciona Arraes com alguns versos belíssimos, à maneira dos que fez na campanha política de 1986, deixando o velho ainda mais emocionado. O repente é recebido com palmas e vivas e São Pedro, satisfeito, resume que tudo já estava escrito, lembrando que "o ser é quem faz o seu caminho, se ele é justo não estará sozinho, provações são testes para ver, se ele segue ou se vai retroceder e Arraes foi avante com espinho".

Na estrofe final, Adeilzo Santos celebra: "E foi assim, que esplendor / uma festa tão maravilhosa / cantoria, verso, muita prosa. / Não se sabe que hora terminou / feriado São Pedro decretou / e falou para o anjo Gabriel: / anuncie, coloque no papel. / esse dia aqui no firmamento / foi um grande acontecimento / quando Arraes chegou no céu.