Garanhuns, 5 de maio de 2007
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OPINIÃO
 

A natureza não tem botão de reiniciar

Marcílio Luna Filho


Quanto tempo nosso fragilizado planeta suportará as dilapidações de seus ecossistemas? Alimentado pela necessidade de crescimentos das instituições de capital privado, o avanço sobre os insumos ambientais, tornam seus estoques progressivamente insuficientes para o atual crescimento da demanda global. A incapacidade do meio ambiente de acompanhar o acelerado crescimento econômico no mundo, em relação ao estoque de recursos naturais, é conseqüência do elevado nível na atividade extrativista de matéria-prima da natureza, que é, aproximadamente, 20% acima da capacidade de produção do meio ambiente. Isto fatalmente levará a humanidade ao colapso, dada sua dependência pelos recursos naturais.

A Caatinga, único Bioma 100% brasileiro, abrange aproximadamente 11% do território nacional e vem sofrendo constantes agressões ao longo das décadas. Historicamente a utilização dos seus recursos madeireiros, sempre ignorou os limites da sustentabilidade ambiental, colocando o Bioma em sério risco de se extinguir. Estima-se que atualmente a ação antrópica já alterou cerca de 70% da Caatinga e uma pequena fração, aproximadamente 0,30%, encontra-se protegida em unidades de conservação.

São grandes as temerosidades em torno do aquecimento global, dados catastróficos e que até, em certos momentos, soam como mera probabilidade, dada à dimensão e complexidade dos eventos. No entanto, não temos tempo para "achar", nem tão pouco esperar pra ver o que acontece. O momento é de, coletivamente, buscar as alternativas de combate eficazes e agir.

Nos dias atuais a palavra de ordem é "Preservar", isto é o que mais escutamos quando ouvimos sobre meio ambiente. Porém, tão importante quanto preservar, é recuperar. A recuperação preocupa-se em desenvolver o equilíbrio, que ocorria antes da alteração, para o ambiente. No entanto, observa-se que as novas condições ambientais, no máximo, ficarão próximas das condições originais. Na "roda gigante" das discussões sobre meio ambiente em Garanhuns, muito se fala e nada se faz, pelo menos significativamente. Áreas de nascentes recebendo água de esgoto urbano há anos; piscinas de dejetos, que nunca funcionaram, ao lado de áreas de preservação permanente; desmatamentos absurdos de vegetação nativa de Caatinga e nenhuma repreensão. Onde vamos parar com todas essas mazelas? Onde estão nossos Gestores Municipais, que não vislumbram soluções as questões mais complexas?

O Meio Ambiente sadio e de qualidade é um direito constitucional, cabe a nós, enquanto cidadão, cobrar medidas efetivamente eficazes, que busquem verdadeiras soluções. Não podemos separar nosso destino daquele de toda a vida na Terra. Se a rica diversidade da vida que herdamos for empobrecida continuadamente, nosso destino acabará sendo o mesmo.

Enquanto muitos estão vislumbrados com os avanços tecnológicos e científicos, a mãe-natureza pede silenciosamente socorro, com uma voz bem fraquinha, de quem vem sofrendo há anos. Castigada pela ganância de nações e ignorada por mentes brilhantes que achavam que tudo era bobagem, hipótese fantasiosas para longícoas épocas, a Natureza pede ajuda. Muitos crêem que a tecnologia mostrará uma forma de consertar décadas erros, mas acredito que "a natureza não tem botão de reiniciar".