Garanhuns, 21 de abril de 2007
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POLÍTICA
 

ENTREVISTA

Sivaldo revela porque rompeu com Luiz Carlos


Eleito vereador pela primeira vez no ano 2000, com 885 votos, Sivaldo Rodrigues Albino, 34 anos, renovou o seu mandato em 2004, quando obteve nas urnas 1.718 votos. Foi líder do Governo Silvino na Câmara Municipal e ocupou por duas vezes a presidência do Poder Legislativo. Chegou a ter seu nome lembrado para disputar a prefeitura, no pleito passado, mas terminou por apoiar a candidatura de Luiz Carlos de Oliveira, que derrotou o favoritismo de Bartolomeu Quidute.

No final do ano passado, depois da tumultuada eleição de Zaqueu Lins para a presidência da Câmara, Sivaldo terminou rompendo definitivamente com o prefeito. Hoje, apesar de ser quase uma voz isolada na oposição, se movimenta com a mesma desenvoltura de antes, ocupando espaços nas rádios e jornais da cidade para fazer denúncias contra o governo municipal. Garante que não há revanchismo nesta posição e que está apenas cumprindo seu papel de fiscalizar o Executivo.

Nesta entrevista ao editor do Correio, Sivaldo explica porque se deu o rompimento com Luiz Carlos, avalia o peso de Silvino na eleição de 2008, afirma que o povo não vai assimilar a aliança do prefeito com o deputado Izaías Régis e admite ter conversado recentemente com o deputado federal Inocêncio Oliveira, que o convidou a trocar o PPS pelo PR. Cauteloso, o vereador espera os acontecimentos e aposta na união das oposições para barrar o projeto de reeleição que está em curso.


CORREIO - Por que o você rompeu com o prefeito Luiz Carlos de Oliveira?

SIVALDO - O rompimento com o prefeito se tornou inevitável desde o primeiro ano do seu mandato, quando a gente cobrava uma participação maior na administração e respeito, por parte do próprio prefeito e da sua equipe. Esse rutura foi consolidada no dia 14 de dezembro de 2006, com a eleição da Câmara. Nós escolhemos para a presidência o nome do vereador Zaqueu Lins, que era líder do Governo no Legislativo, levamos essa opção ao prefeito, que a acatou num primeiro momento, mas em seguida começou a trabalhar contra essa candidatura. Então eu perdi a crença que tinha numa pessoa com a qual sentei e conversei, que disse a mim que ia fazer uma coisa, mas quando a gente deu as costas fez outra. A partir daí não dava mais para continuar nesse governo e acreditar nele.


CORREIO - As denúncias que você tem feito contra a prefeitura, são uma espécie de vingança pessoal sua contra tudo isso?

SIVALDO - Em hipótese nenhuma. Jamais faria do meu mandato instrumento de vingança pessoal. O que tem ocorrido é que tem algumas coisas que a gente começou a solicitar, mesmo quando fazíamos parte da bancada do governo, com relação primeiro ao episódio que mereceu a intervenção do Ministério Público - e que continua sendo apurado -, quando a polícia federal chegou a bater na prefeitura e na casa de um secretário. Antes de todo esse episódio tínhamos feito o pedido de informação e o prefeito havia se prontificado a nos atender, embora isso nunca tenha se concretizado.

Aí, depois que assumimos publicamente o papel de oposição têm chegado constantemente denúncias pra gente. Só que não fazemos nada de forma infundada. Quando recebemos alguma denúncia procuramos apurar, vamos em busca da matéria pra saber se aquilo realmente é verdade. Comprovada a veracidade vamos tomar providências, exercendo o papel do vereador. E nossa missão é legislar, fiscalizar e reivindicar. É isso que estou fazendo, sem nenhuma conotação pessoal nas minhas ações.


CORREIO - Você toparia disputar a prefeitura e enfrentar Luiz Carlos em 2008?

SIVALDO - Qualquer político deseja um dia ser prefeito de sua cidade. Agora, é muito cedo pra se falar disso, de um projeto de candidatura. Se a gente tiver o apoio dos amigos, da população e dos partidos, acho que não somente eu como qualquer outro nome - e diga-se de passagem que temos bons quadros na cidade - poderia enfrentar o prefeito. Tanto posso vir a ser candidato como apoiar um nome de consenso nesse processo.


CORREIO - Na sua opinião o povo de Garanhuns vai assimilar bem essa aliança entre o prefeito Luiz Carlos e o deputado estadual Izaías Régis?

SIVALDO - Acho que não. O povo de Garanhuns é um povo sábio e independente, e que certamente não esquece as acusações que foram feitas um ao outro, pelo prefeito e pelo deputado. Na eleição de 2004, quando se espalhou o boato de que o atual prefeito era ateu, a informação que chegava pra gente é que isso foi obra da equipe do deputado. Acompanhamos há muito essas desavenças entre os dois grupos, que inclusive se repetiram na eleição de 2006, com agressões em discursos, em caminhadas e nas entrevistas em emissoras de rádio. Eles dizem que a aliança é em prol de Garanhuns, mas sabemos que na verdade foi feito um acordo visando outros interesses. Interesses de cargos e outros interesses pessoais. Tenho certeza de que o povo de Garanhuns em sua maioria não irá engolir essa aliança.


CORREIO - Qual o peso de Silvino na eleição do próximo ano?

SIVALDO - Dr. Silvino tem um peso importante. É uma pessoa com uma história no município de Garanhuns. Foi vice-prefeito, vereador duas vezes e prefeito também em duas oportunidades. Eu creio que Dr. Silvino e Ivo Amaral foram os dois maiores prefeitos de nossa cidade e tenho certeza que tanto um quanto outro terão muita importância na próxima eleição. Silvino sendo candidato ou vindo a apoiar alguém poderá ser decisivo no pleito de 2008. Ele jamais poderá ser desprezado pois pode vir a ser o maior cabo eleitoral da eleição do próximo ano.


CORREIO - Luiz Carlos foi eleito com o seu apoio, de Ivo e de Silvino. Hoje os três estão rompidos com o prefeito. O que foi que aconteceu pra isso, o prefeito não foi leal com seus companheiros?

SIVALDO - Você coloca o meu nome e o dos ex-prefeitos com muita propriedade. E existem outras pessoas que poderiam ser citadas, como as que formam o Partido Verde, o PV. Todos nós apoiamos a eleição do prefeito, que ao ser lançado candidato tinha menos intenção de voto de que eu, de que Ivo Amaral e de que Givaldo Calado. Hoje, curiosamente, os adversários dele - o ex-prefeito Bartolomeu Quidute e o deputado Izaías Régis - é que são os aliados. Acho que o povo é sábio e vai julgar. Vai ver as razões porque o prefeito traiu Silvino, a mim, a Ivo Amaral, ao PV e outras pessoas que estiveram do lado dele. E ver porque ele resolveu ficar ao lado de pessoas que o condenaram e ofenderam até a sua família na eleição passada.

Gostaria de lembrar que quando a gente foi pra rua as pessoas rejeitavam, naquele momento, o nome do prefeito. Ele tinha apenas seis por cento nas pesquisas. Nas primeiras caminhadas ele levava 40 pessoas e eu levava 100. E quando vinha me agradecer eu dizia que só queria a oportunidade de continuar trabalhando por Garanhuns. Infelizmente ele quis cortar esse vínculo, possivelmente só por conta de minha ligação com Silvino.


CORREIO - Como o vereador avalia o trabalho do secretário de Comunicação do Governo, Carlos Eugênio, que praticamente começou com você na Câmara?

SIVALDO - Eu tenho respeito pelo trabalho dele, que realmente começou comigo. Num momento importante da sua vida nós abrimos as portas e acho que ele reconhece isso. Mantemos a amizade, apesar de hoje estarmos em lados políticos diferentes. Digo a ele, porque tenho liberdade pra isso, que o secretário tem sido competente. Acho que a secretaria de Comunicação tem desempenhado o melhor papél dentre todas elas, porque consegue transformar um prato de comida num banguete. Tem sido feito um marketing muito grande levando informações à população que muitas vezes não correspondem à realidade.


CORREIO - Você pode vir a trocar o PPS pelo PR?

SIVALDO - Eu tive uma conversa muito boa com o deputado Inocêncio Oliveira. Já tinha convite desde o ano passado, através do nosso amigo Gedécio Barros. Mas quero dizer a você e aos leitores do Correio Sete Colinas que temos até 30 de setembro pra tomar essa decisão. Mas independente de onde esteja, no PPS ou no PR, é muito provável que esses dois partidos estejam juntos em busca de um nome para disputar a prefeitura. Nesse conjunto de forças deve estar o PV, o PSB, o PT, o PDT, o PMDB, o antigo PFL e partidos novos que estão surgindo. Pra que a gente possa dicutir com essas pessoas um projeto para Garanhuns.