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ENTREVISTA
Sivaldo revela porque rompeu com Luiz Carlos
Eleito vereador pela primeira vez no ano 2000, com 885 votos, Sivaldo
Rodrigues Albino, 34 anos, renovou o seu mandato em 2004, quando
obteve nas urnas 1.718 votos. Foi líder do Governo Silvino
na Câmara Municipal e ocupou por duas vezes a presidência
do Poder Legislativo. Chegou a ter seu nome lembrado para disputar
a prefeitura, no pleito passado, mas terminou por apoiar a candidatura
de Luiz Carlos de Oliveira, que derrotou o favoritismo de Bartolomeu
Quidute.
No final do ano passado, depois da tumultuada eleição
de Zaqueu Lins para a presidência da Câmara, Sivaldo
terminou rompendo definitivamente com o prefeito. Hoje, apesar de
ser quase uma voz isolada na oposição, se movimenta
com a mesma desenvoltura de antes, ocupando espaços nas rádios
e jornais da cidade para fazer denúncias contra o governo
municipal. Garante que não há revanchismo nesta posição
e que está apenas cumprindo seu papel de fiscalizar o Executivo.
Nesta entrevista ao editor do Correio, Sivaldo explica porque se
deu o rompimento com Luiz Carlos, avalia o peso de Silvino na eleição
de 2008, afirma que o povo não vai assimilar a aliança
do prefeito com o deputado Izaías Régis e admite ter
conversado recentemente com o deputado federal Inocêncio Oliveira,
que o convidou a trocar o PPS pelo PR. Cauteloso, o vereador espera
os acontecimentos e aposta na união das oposições
para barrar o projeto de reeleição que está
em curso.
CORREIO - Por que o você rompeu com
o prefeito Luiz Carlos de Oliveira?
SIVALDO - O rompimento com o prefeito se tornou
inevitável desde o primeiro ano do seu mandato, quando a
gente cobrava uma participação maior na administração
e respeito, por parte do próprio prefeito e da sua equipe.
Esse rutura foi consolidada no dia 14 de dezembro de 2006, com a
eleição da Câmara. Nós escolhemos para
a presidência o nome do vereador Zaqueu Lins, que era líder
do Governo no Legislativo, levamos essa opção ao prefeito,
que a acatou num primeiro momento, mas em seguida começou
a trabalhar contra essa candidatura. Então eu perdi a crença
que tinha numa pessoa com a qual sentei e conversei, que disse a
mim que ia fazer uma coisa, mas quando a gente deu as costas fez
outra. A partir daí não dava mais para continuar nesse
governo e acreditar nele.
CORREIO - As denúncias que você
tem feito contra a prefeitura, são uma espécie de
vingança pessoal sua contra tudo isso?
SIVALDO - Em hipótese nenhuma. Jamais
faria do meu mandato instrumento de vingança pessoal. O que
tem ocorrido é que tem algumas coisas que a gente começou
a solicitar, mesmo quando fazíamos parte da bancada do governo,
com relação primeiro ao episódio que mereceu
a intervenção do Ministério Público
- e que continua sendo apurado -, quando a polícia federal
chegou a bater na prefeitura e na casa de um secretário.
Antes de todo esse episódio tínhamos feito o pedido
de informação e o prefeito havia se prontificado a
nos atender, embora isso nunca tenha se concretizado.
Aí, depois que assumimos publicamente
o papel de oposição têm chegado constantemente
denúncias pra gente. Só que não fazemos nada
de forma infundada. Quando recebemos alguma denúncia procuramos
apurar, vamos em busca da matéria pra saber se aquilo realmente
é verdade. Comprovada a veracidade vamos tomar providências,
exercendo o papel do vereador. E nossa missão é legislar,
fiscalizar e reivindicar. É isso que estou fazendo, sem nenhuma
conotação pessoal nas minhas ações.
CORREIO - Você toparia disputar a
prefeitura e enfrentar Luiz Carlos em 2008?
SIVALDO - Qualquer político deseja
um dia ser prefeito de sua cidade. Agora, é muito cedo pra
se falar disso, de um projeto de candidatura. Se a gente tiver o
apoio dos amigos, da população e dos partidos, acho
que não somente eu como qualquer outro nome - e diga-se de
passagem que temos bons quadros na cidade - poderia enfrentar o
prefeito. Tanto posso vir a ser candidato como apoiar um nome de
consenso nesse processo.
CORREIO - Na sua opinião o povo
de Garanhuns vai assimilar bem essa aliança entre o prefeito
Luiz Carlos e o deputado estadual Izaías Régis?
SIVALDO - Acho que não. O povo de Garanhuns
é um povo sábio e independente, e que certamente não
esquece as acusações que foram feitas um ao outro,
pelo prefeito e pelo deputado. Na eleição de 2004,
quando se espalhou o boato de que o atual prefeito era ateu, a informação
que chegava pra gente é que isso foi obra da equipe do deputado.
Acompanhamos há muito essas desavenças entre os dois
grupos, que inclusive se repetiram na eleição de 2006,
com agressões em discursos, em caminhadas e nas entrevistas
em emissoras de rádio. Eles dizem que a aliança é
em prol de Garanhuns, mas sabemos que na verdade foi feito um acordo
visando outros interesses. Interesses de cargos e outros interesses
pessoais. Tenho certeza de que o povo de Garanhuns em sua maioria
não irá engolir essa aliança.
CORREIO - Qual o peso de Silvino na eleição
do próximo ano?
SIVALDO - Dr. Silvino tem um peso importante.
É uma pessoa com uma história no município
de Garanhuns. Foi vice-prefeito, vereador duas vezes e prefeito
também em duas oportunidades. Eu creio que Dr. Silvino e
Ivo Amaral foram os dois maiores prefeitos de nossa cidade e tenho
certeza que tanto um quanto outro terão muita importância
na próxima eleição. Silvino sendo candidato
ou vindo a apoiar alguém poderá ser decisivo no pleito
de 2008. Ele jamais poderá ser desprezado pois pode vir a
ser o maior cabo eleitoral da eleição do próximo
ano.
CORREIO - Luiz Carlos foi eleito com o
seu apoio, de Ivo e de Silvino. Hoje os três estão
rompidos com o prefeito. O que foi que aconteceu pra isso, o prefeito
não foi leal com seus companheiros?
SIVALDO - Você coloca o meu nome e o
dos ex-prefeitos com muita propriedade. E existem outras pessoas
que poderiam ser citadas, como as que formam o Partido Verde, o
PV. Todos nós apoiamos a eleição do prefeito,
que ao ser lançado candidato tinha menos intenção
de voto de que eu, de que Ivo Amaral e de que Givaldo Calado. Hoje,
curiosamente, os adversários dele - o ex-prefeito Bartolomeu
Quidute e o deputado Izaías Régis - é que são
os aliados. Acho que o povo é sábio e vai julgar.
Vai ver as razões porque o prefeito traiu Silvino, a mim,
a Ivo Amaral, ao PV e outras pessoas que estiveram do lado dele.
E ver porque ele resolveu ficar ao lado de pessoas que o condenaram
e ofenderam até a sua família na eleição
passada.
Gostaria de lembrar que quando a gente foi
pra rua as pessoas rejeitavam, naquele momento, o nome do prefeito.
Ele tinha apenas seis por cento nas pesquisas. Nas primeiras caminhadas
ele levava 40 pessoas e eu levava 100. E quando vinha me agradecer
eu dizia que só queria a oportunidade de continuar trabalhando
por Garanhuns. Infelizmente ele quis cortar esse vínculo,
possivelmente só por conta de minha ligação
com Silvino.
CORREIO - Como o vereador avalia o trabalho
do secretário de Comunicação do Governo, Carlos
Eugênio, que praticamente começou com você na
Câmara?
SIVALDO - Eu tenho respeito pelo trabalho
dele, que realmente começou comigo. Num momento importante
da sua vida nós abrimos as portas e acho que ele reconhece
isso. Mantemos a amizade, apesar de hoje estarmos em lados políticos
diferentes. Digo a ele, porque tenho liberdade pra isso, que o secretário
tem sido competente. Acho que a secretaria de Comunicação
tem desempenhado o melhor papél dentre todas elas, porque
consegue transformar um prato de comida num banguete. Tem sido feito
um marketing muito grande levando informações à
população que muitas vezes não correspondem
à realidade.
CORREIO - Você pode vir a trocar
o PPS pelo PR?
SIVALDO - Eu tive uma conversa muito boa com
o deputado Inocêncio Oliveira. Já tinha convite desde
o ano passado, através do nosso amigo Gedécio Barros.
Mas quero dizer a você e aos leitores do Correio Sete Colinas
que temos até 30 de setembro pra tomar essa decisão.
Mas independente de onde esteja, no PPS ou no PR, é muito
provável que esses dois partidos estejam juntos em busca
de um nome para disputar a prefeitura. Nesse conjunto de forças
deve estar o PV, o PSB, o PT, o PDT, o PMDB, o antigo PFL e partidos
novos que estão surgindo. Pra que a gente possa dicutir com
essas pessoas um projeto para Garanhuns.
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