Garanhuns, 15 de outubro de 2005
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POLÍTICA
 

Mototaxistas denunciam crime eleitoral

Sete mototaxistas de Garanhuns assinaram uma declaração pública no Cartório Jacobina, no último dia três, denunciando a prática de crime eleitoral no município, na campanha política de 2004. Segundo eles, o então prefeito Silvino Andrade e o candidato do PMDB à sucessão local, Luiz Carlos de Oliveira, contrataram 200 mototaxis para trabalhar na fase de campanha, devendo cada um receber pelos serviços prestados 10 litros de combustível e R$ 25 em dinheiro. A gasolina foi liberada antes da eleição, no Posto Shell da Rua XV de Novembro, mas a importância financeira, a ser quitada depois da vitória, até hoje não foi paga.

"Nem o ex-prefeito Silvino, nem o atual prefeito, Luiz Carlos efetuaram o pagamento ajustado e prometido", revelam os mototaxistas. Eles disseram ainda que cada profissional recebeu camisas com a estampa do número 15 e o nome do candidato, tudo na cor laranja, para que fosse feita a propaganda. "Prometeram ainda legalizar o serviço de mototáxi. Mas, como nada foi cumprido, conforme o acertado, no mês passado fizemos um protesto em frente à prefeitura, quando queimamos camisas e bonés, em forma de protesto", acentuaram os profissionais.

Assinaram o documento registrado em cartório os mototaxistas Abelardo Pereira, Sérgio Andrade, André Batista, Adivanilson Barros, Lopes Oliveira, Adivan Santos Andrade e José Ricardo. Esse é o segundo fato que surge envolvendo a suspeita de crime eleitoral, já depois do pleito realizado em outubro. No primeiro caso, integrantes do Partido Verde denunciaram que o ex-prefeito Silvino Andrade prometeu R$ 120 mil aos integrantes do PV, caso eles retirassem a candidatura própria à prefeitura para apoiar Luiz Carlos.

A coligação Novos Tempos, Novos Rumos, capitaneada por Bartolomeu Quidute, que à época da campanha entrou com uma ação na justiça, denunciando uso da máquina e abuso do poder econômico na eleição, anexou ao processo, que ainda espera julgamento, as novas denúncias envolvendo os verdes e os mototaxistas.

Os partidários do ex-prefeito acreditam que a justiça eleitoral pode vir a cassar o mandato de Luiz Carlos e tornar Silvino inelegível. Na avaliação deles, casos como o que ocorreram em Goiana, na zona da mata de Pernambuco, são "café pequeno", quando comparados com o de Garanhuns.

Um advogado da cidade ouvido pelo Correio acha que a ação da coligação Novos Tempos, Novos Rumos não tem consistência porque teria sido feita "fora do prazo". O ouvidor geral da prefeitura, Gerson Carvalho, disse em entrevista ao Jornal da Sete Segunda Edição, na FM Sete Colinas, que o ex-prefeito Bartolomeu Quidute está por trás da movimentação dos mototaxistas. "Ele não soube perder a eleição e fica tentando manipular as pessoas. Acho que o ex-prefeito devia ir pra o muro das lamentações", ironizou Gersinho, garantindo que o prefeito Luiz Carlos está inteiramente tranqüilo e convencido de que essas acusações não vão dar em nada.