Garanhuns, 15 de outubro de 2005
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OPINIÃO
 

O DESARMAMENTO

Rafael Brasil


Estamos chegando ao dia do referendo sobre o desarmamento. Claro, a princípio, creio que todos desejariam uma sociedade desarmada, não só em termos meramente nacionais ou regionais, mas em termos globais. Já pensaram, um dia, a humanidade desarmada? Desarmada e sem disparidades sociais, sem fome e miséria, e, num clima de solidariedade sem fim? Ai que saudade das utopias socialistas e comunistas engendradas pelos iluministas do século XIX! Como era bom imaginar um mundo em que reinasse a solidariedade mais fraternal entre os homens, e que todos vivessem, de acordo com suas potencialidades, e sobretudo suas habilidades. Um mundo governado pela extrema racionalidade científica, e preceitos humanistas dos mais altos quilates. Claro, estamos muito distantes dessas utopias, e nem os remanescentes socialistas, creio, conseguem pensar, ou sonhar desse jeito. Nem os mais puros, isto é, se ainda existirem estes raros espécimes.

Vivemos numa sociedade extremamente violenta, e a violência ultrapassa fronteiras, com o terrorismo islâmico dando os trágicos exemplos.

O referendo é mal feito, com a questão sendo colocada de forma, podemos dizer assim, no mínimo embaraçosa. O governo deve proibir a fabricação de armas e sua comercialização? A turma do sim, é apoiada pela globo, e seus artistas, muito populares nesse pobre país. A turma do não, é "saudada" pela mídia, como os partidários da bala. A campanha já começou, e os debates sobre a questão idem, embora ainda estejam essencialmente mornos. Muito mornos, por sinal. Em meio aos mensalões, e roubalheiras mil das CPIs, já se discute o assunto, nas escolas, faculdades, praças, calçadas, e obviamente, nas mesas de bares, que aliás não são poucas neste imenso país. Imenso, safado, e corrupto país.

Em princípio, os dois lados estão certos. Desarmar o povo é bom, não desarmar os bandidos é pior. Porém, como diria minha vó, o buraco é mais embaixo. Bem mais embaixo, aliás. Não se poderia fazer tal referendo, sem as devidas reformas que o povo tanto precisa, para combater a violência. Reforma nas polícias, que são desaparelhadas e essencialmente corruptas. E, claro, reformar urgentemente o judiciário. Se não, proibir as armas vai dar mais combustível para a costumeira corrupção policial, pois quem quiser ter uma arma vai ter que pagar mais para a polícia. E o povão vai terminar levando bala do mesmo jeito. E, ademais, o cidadão perde mais um direito constitucional, que é o de ter arma, sobretudo nos grotões da zona rural, onde o estado praticamente não existe. Aqui na nossa região, os pobres moradores da zona rural, estão quase enlouquecidos com as ações das quadrilhas, que além de roubarem, radiolas, aparelhos de televisão, além de motocicletas, matam torturam e estupram. Fazem isso, claro, porque raramente são punidos. Ou seja, o que estimula a violência é a velha impunidade, causada pela falência dos nossos aparelhos policiais e judiciários. Até um hipopótamo um pouco amestrado sabe disso. Então por que não começamos do início? Creio que tudo isso é mesmo uma cortina de fumaça, para desviar a atenção dos problemas realmente essenciais, ora bolas.

Diante de tudo isso, voto não. Não ao estado que nem resolve as questões básicas da população, e ainda quer nos tirar o mais torpe e primitivo instrumento de defesa.

No início era a favor. Agora sou contra. E o leitor amedrontado ainda tem tempo, embora muito pouco, para mudar de idéia. Particularmente, nunca comprei, possuí, ou mesmo manuseei uma arma. Graças a deus nunca precisei. Mas, diante da violência, quero ter uma dentro de casa, para qualquer eventualidade, e não ser presa fácil de bandidos, que a cada dia, estão mais livres, lépidos e soltos.

Nos Estados Unidos, a maior potência mundial, falar em desarmamento da população, pareceria piada. Lá a ideologia liberal prega que o estado não deve se meter na vida privada do cidadão, sobretudo, na questão da segurança pessoal. Da mesma forma que os norte-americanos nunca aceitariam o confisco da poupança, feito no governo Collor, de triste memória.

E por falar em liberdade, querem condenar o nosso amigo , competente e honesto profissional, Roberto Almeida, a pagar uma exorbitante multa a um cidadão, por ser citado erroneamente numa matéria do seu jornal. E que este erro, já foi retificado em outro número do nosso sete colinas. Se houver condenação, será um verdadeiro atentado contra a liberdade de imprensa. Creio que a justiça será feita, pois também temos muitos homens de bem no judiciário, apesar da necessidade de reformas no mesmo. Oxalá que a justiça seja feita, e o nosso Roberto possa continuar a trabalhar em paz. Como aliás ele sempre fez.