Garanhuns, 15 de outubro de 2005
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OPINIÃO
 

Ô CRIDES!

Adilson Luiz Gonçalves


Carlo Bronco Dinossauro: Esse foi o principal personagem da carreira de Ronald Golias! Mas também houve o Pacífico, que consagrou o: "Ô Crides! Fala pra mãe..."; o Profeta, do bordão: "Uáááála!"... Bem, não foram tantos personagens, assim; mas poucos comediantes brasileiros conseguiram dar tanta longevidade para personagens tão pouco maquiados. Aliás, o rosto de Golias era tão ou mais importante do que o esquete, e seus "cacos", precisos!

Quem já viu filmes do humorista Red Skelton, um dos melhores comediantes da época de ouro de Hollywood, reconhecerá uma semelhança facial marcante; mas Golias teve a capacidade de dar vida, incorporar e manter um personagem especialmente querido: o Bronco, por mais de quarenta anos, sem que ele perdesse o pique, ou a graça.

Suas performances na Família Trapo - seu maior sucesso, sem dúvida - estão entre as páginas inesquecíveis do humor brasileiro! Hoje, mesmo, em sua homenagem, reprisaram, pela enésima vez, o capítulo em que ele contracena com Pelé, e ensina o Rei a cobrar pênalti, com "paradinha"... É impossível não rir!

Dono de um humor nada refinado, mas todo irresistível, Golias era capaz de fazer rir com um simples trejeito ou careta. Carlos Alberto de Nóbrega, seu amigo e principal redator, o definiu: "Era um gênio!". Definição perfeita!

Golias deu "status" à categoria dos cunhados! Arrasou, ao vivo, no bom sentido, ao lado de Hebe Camargo, clássicos como: "Romeu e Julieta" e "Cleópatra". Deste último, lembro de uma cena: Os centuriões trouxeram cristãos à sua presença, que, de joelhos, passaram a implorar por suas vidas. Ele demonstrou inconformismo e piedade, e passou a repetir, ao seu estilo: "Não! Não! Não!...", balançando a cabeça acintosamente. Esperançosos com a reação, os condenados passaram a segurar sua mão e beijá-la, falando que tinham famílias para sustentar... Ele, aos prantos, clamou: "Não me torturem!", e, sob os olhos iluminados dos cristãos, chamou: "Centurião!". Quanto o guarda o atendeu, ainda emocionado com o clamor dos pobres coitados, ele disparou: "Levem-nos aos leões!"... Jamais conseguirei reproduzir, com palavras, adequadamente, a sucessão de imagens e diálogos, mas asseguro que só depois de muito tempo a encenação pôde ser retomada, pois a platéia não conseguia parar de rir.

Golias era assim: Capaz de transformar qualquer texto, roteiro e, até, erros numa surpresa cômica! Por isso mesmo ele era imprescindível, ainda mais nos tempos atuais, tragicômicos, graças aos detentores dos três poderes.

Graças a Deus, Golias nunca perdeu o poder de nos fazer rir!
Ô Crides! Fala pra mãe que nós não temos palavras para agradecer a esse gigante do humor, que nunca se deixou derrubar por pedra lançada da funda do desânimo e, enquanto a doença permitiu, não deixou de fazer rir! Que ele se junte, no palco do céu, aos saudosos Otelo Zeloni e Sônia Ribeiro, para encenarem uma nova e eterna "Família Trapo"!

Os anjos nunca mais serão os mesmos...