Garanhuns, 1º de outubro de 2005
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OPINIÃO
 

Os 90 anos do Diocesano

Ivo Tinô do Amaral


Garanhuns já está comemorando os 90 anos de existência do Colégio Diocesano. O antigo Ginásio de Garanhuns não é apenas mais um educandário que existe e aniversaria. Trata-se de um templo sagrado de luz e saber, como diz a letra do seu hino. Uma autêntica casa sempre aberta para os seus alunos e ex-alunos, como sempre dizia o saudoso Monsenhor Adelmar da Mota Valença, auxiliado pelas suas queridas irmãs Alódia, Almira, Anita e Arlinda. Além da nossa cidade, Pernambuco e o Brasil também estão orgulhosos de termos um educandário de renome nacional e ex-alunos espalhado por todos os recantos do Planeta.

Mas sem qualquer crise existencial de meu presente, sinto imensa saudade do meu passado. Se pudesse trazê-lo de volta, eu faria tudo outra vez. E, como os que tiveram a sorte e o privilégio de pertencer a minha geração, vivendo na cidade de Garanhuns e estudando no Colégio Diocesano, teria que ter participação marcante, sem o que esse mesmo passado não faria, hoje, o menor sentido. O mesmo que passar cinco anos interno, vividos de 1946 e 1951, sem as aulas de civilidade do Padre Adelmar, bem como os saborosos petiscos e a benevolência de dona Alódia, responsável na época pela alimentação dos alunos internos.

O saudoso diretor disponha de uma equipe de professores como Elzira Pernambuco, Luzinete Laporte, Izaura Medeiros, Mário Matos, Maurílio Matos, Dom Gerardo Wanderley, Padre Edgar Carício, Padre Tarcísio Falcão, Manoel Lustosa e Manoel Vieira dos Anjos. O Padre Carício era chamado de Padre Caramba e depois de ser vigário em Bom Conselho, foi ser Bispo em Jequié, na Bahia. Outro sacerdote, o Padre Tarcísio, com o seu jeito bonachão, sempre encontrava tempo para dar um cochilo em suas aulas de história.

Infelizmente, alguns desses nossos amigos preceptores não se encontram mais conosco, estando, talvez, quem sabe, prestando os seus valiosos serviços em outra dimensão, mais elevada, ao lado do Padre Adelmar e do nosso Criador. Não é o caso, por exemplo, de professores como dom Gerardo Wanderley, Anita Valença, Elzira Pernambuco e Luzinete Laporte, que continuam conosco gozando de boa saúde.

O Colégio Diocesano do meu tempo não seria o mesmo sem a presença de um Luiz Gonzaga de Oliveira Lima, aluno inteligente e gozador. Quando cursávamos o quarto ano Ginasial, fomos submetidos a uma prova de Latim assunto ministrado pelo Padre Edgar e que quase ninguém sabia nada. Pois bem, o nosso Luiz Gonzaga antecipou-se, fez sua prova, entregou-a e, mui gentilmente, se dispôs, acintosamente, ante os olhares indiferente do Padre, a ajudar os demais colegas. No dia da entrega dos resultados, somente ele (Gonzaga) tirou 10, enquanto todo o resto da classe recebeu um zero. Com medo de represália, Luiz Gonzaga passou uma semana ser ir ao Colégio.

Muitos ainda se recordam de um dos nossos colegas, o Amauri de Siqueira Medeiros (o orador da minha turma), hoje médico e professor da Universidade de Pernambuco; Zireli de Oliveira Valença, também médico e professor da Universidade Federal de Alagoas (atleta e líder da classe); Edval Monteiro, Procurador aposentado do Estado de Pernambuco; Pedro Ribeiro, advogado militante; além de Manoel Sales Santana, Luciano Faelante Casales, hoje General do Exército Brasileiro e Cícero de Moraes, o primeiro apresentador do NE-TV, da Globo Nordeste.

Eram tantos os bons colegas e contemporâneos, que seria para mim impossível enumerá-los todos sem cometer algumas injustiças, em caso de omissão. A eles, eu muito devo e, por causa deles, jamais poderia esquecer e deixar de recordar a beleza daqueles tempos que não voltam mais. eStou completando 59 anos em Garanhuns, pois cheguei em 1946, vindo da Fazenda Salobro, pertencente ao então Distrito de Lajedo, trazido pelo meu pai, Ismael Tinô, e pelo meu tio, Dom João da Mata Amaral, naquela época bispo da diocese do Amazonas.

Com certeza, não seria o homem feliz que sou, sem o Gigante da Praça da Bandeira, denominação antiga e hoje Praça Monsenhor Adelmar da Mota Valença. Tive a honra e o privilégio de governar por duas vezes este importante municipio, além de ter sido também por duas vezes o seu representante na Assembléia Legislativa. Ao saudoso Padre Adelmar da Mota Valença, cuja história se confunde com a própria história do Colégio, o qual esteve sob sua direção por 45 anos. E agora, quando o querido educandário completa 90 anos, já sem o Padre que se constitui, sem a menor sombra de dúvida, um bom exemplo de vida a ser seguido pelas novas gerações.


Ivo Tinô do Amaral foi por duas vezes Prefeito de Garanhuns, Deputado Estadual em duas legislaturas , Vereador e Vice-Prefeito do Município.