Garanhuns, 1º de outubro de 2005
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OPINIÃO
 

DA FELICIDADE COMO ELIMINAÇÃO DA BAGAGEM

Pe. Daniel Lima


Você começa a possuir, você começa a escravizar-se.

Na medida em que você vai tendo coisas, você vai ficando dependente delas, até chegar a um ponto em que elas é que decidirão tudo que você deve fazer na vida.

Então, você será escravo de tudo, até de você.

A dificuldade do rico é a sua bagagem, ele é um homem que tem de pensar na enormidade de volumes e pacotes que possui.

Não pode ser, nunca, um homem leve.

Felicidade é ausência de peso, de extensão, de quantidade. É não carregar pacotes e não possuir volumes.

É ter leveza, isto é, capacidade de sair pelos caminhos e transpor obstáculos sem cansaço. É voar, se preciso.

É passar pela porta estreita. É ir embora a cada instante, dizendo apenas "até logo!". É andar de mãos soltas, de coração sem peso, de alma tranqüila.

O pobre é aquele que não pergunta como será o amanhã. Amanhã é uma palavra sem sentido, filha do espírito de posse, é o atormentado e inútil desejo de dispor de tempo.

O pobre vive simplesmente a graça deste instante que desabrocha nele, que vem para ele agora, como um presente de Eterno Amor.

Você se despreende de tudo, você se liberta. Não terá então o problema da bagagem, nem o problema das preocupações com a bagagem e as heranças.

Mas se lembre de que a posse que limita e estraga a felicidade do homem, não é apenas o domínio exterior das coisas. É aquela que cresce e se afirma no coração da gente.

Se você lança fora a bagagem mas fica a pensar nela, o pensamento da bagagem não deixa você dormir. Você estará terrivelmente preso a ela pela tirania do desejo. E o desejo é a mais consumidora forma de possuir as coisas.

Então, mais valerá ir de novo buscar a bagagem que você apenas sacudiu das mãos para a própria alma.

(Este texto belíssimo nos foi enviado gentilmente pela assinante Luzinete Laporte).