Garanhuns, 1º de outubro de 2005
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CULTURA
 

Literatura
Luzinete publica "Os Caminhos de Isabela"

Luzinete é a maior e melhor escritora de Garanhuns. Nivaldo Tenório, Roberto Almeida, Carlos Janduy, Paulo Gervais, João Marques, Mário Magalhães e todos os outros são alunos, aprendizes. Luzinete é mestre (a). Sabe como ninguém manipular as palavras, respirar os parágrafos, pontos, vírgulas e encantar os leitores através de um texto enxuto, belo, simples e elegante.

Luzinete Laporte já escreveu e publicou "A Menina que Falava com as Coisas", "Revelações" e "O Homem com Girassóis no Olhar", este último premiado pela Academia Pernambucana de Letras. Infelizmente, essas obras estão esgotadas e muitos ainda não tiveram o privilégio de lê-las. Alguns, no entanto, têm a sorte de conferir a erudição e o bom senso da professora (que durante muitos anos ensinou no Colégio Diocesano) nas crônicas quinzenais de O Monitor.

Recentemente, a professora Luzinete publicou um livrinho simples, despretensioso, a quem distribuiu com um pequeno grupo de amigos, ex-alunos, pessoas privilegiadas que tiveram a sorte de conhecê-la e receber suas lições, dentro ou fora da sala de aula. O livro é intitulado "Os Caminhos de Isabela", tem um quê de autobiográfico e deslumbra quem gosta de boa literatura em suas poucas páginas.

Isabela é uma menina encantada com a família, a natureza, a vida. Uma jovem feliz ao lado dos amigos, extrovertida , consciente da presença de Deus nos gestos e no mundo que a cerca. Vive numa cidade pequena, depois chega à adolescência e muda para a capital, prosseguindo seu estudos.

Com esse enredo simples vão sendo contadas as amizades, são descritas as festas de padroeiro, os namoros e aparecem os primeiros choques da existência. O texto flui tranqüilo como as águas de um rio e quando não esperamos a história acaba, deixando a gente com um gosto de "quero mais". Se há defeito, em "Os Caminhos de Isabela", é exatamente o livro ser excessivamente curto, pois o texto de Luzinete merece ser lido mais e mais.

E para quem acha que há um certo exagero, no "encantamento" com a prosa de Luzinete Laporte, aí vão trechos do precioso "Os Caminhos de Isabela":


Isabela não sabia como expressar a alegria que brotava como fonte, inundando seu coração, sua alma, sua vida.

Não era alguma coisa que vinha e acabava. Ao contrário. Era um sentimento constante. Seu coração queimava e se derretia.

Quase sempre obrigada a controlar, a esconder tudo. Para não parecer exibição.

Por vezes, o riso brotava como flexa que dispara...

...

Toda a alegria do mundo porém não se comparava à que a alma de Isabela sentia. Gostaria de dançar, cantar, correr, voar. Tão forte que doía. Era o seu dom.

Quando olhava o rio, prata de sol ou de lua, os jacintos d`água, as baronesas, como se diziam, galinhas d`água, os flamboyans - parecia que se embriagava de luz, de cor, de som, de beleza.

O pai, enquanto ela era criança, a tomava pela mão e passeavam à margem do rio.

...

Nos dias de festa-da-igreja ia-se de uma barraca a outra, nas quermesse. Havia de tudo: frutas secas, doces de corte (o de leite então!)

Bolos, tortas, cremes, pudins. Empadões, empadinhas, pastelões, pasteizinhos, sanduichões, sanduíches. Biscoitos doces e salgados. E os inefáveis bolos de goma que derretiam na boca. Alfenins em forma de flores, pombos, folhas.