Garanhuns, 17 de setembro de 2005
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OPINIÃO
 

Os técnicos de Lula pisaram na bola!

Pedro Jorge Valença


Sem qualquer fundamento estatístico e desconhecendo totalmente a situação da Pecuária Leiteira de Pernambuco, "tecnocratas" de Brasília, determinaram que a coleta da matéria prima para os Programas Leite de Pernambuco e Fome Zero não pode exceder de mais de 30 litros diários por produtor.

A determinação radical, cavilosa e descabida, tem como fundamento amparar uma faixa de Beneficiários do Pronaf, que devido à situação dos seus imóveis, quando produzem leite é para seu consumo ou a venda entre a vizinhança.

Desconhecendo que para produzir leite no Agreste Seco de Pernambuco são necessários os preenchimentos das seguintes exigências: Clima, Solo, Água, Mão de Obra Especializada, Reserva Alimentar, Área e Tradição. Necessidade que falta praticamente a totalidade dos agricultores que as determinações pretendem atingir e que devido à situação de minifúndio tem suas atividades voltadas para produção de Mandioca. Localizados no Agreste Arenoso em minifúndios que segundo levantamento do INCRA tem uma área média de 2,55 hectares, tendo como Mandioca sua principal fonte de renda, complementada por uma vaca, e dois garrotes de carro criados "na corda".

Em vez de estarem se preocupando com a atitude humanista para amparar os pequenos agricultores, por que não dirigem suas "inteligências" para aumentar a rentabilidade da Mandioca que na nossa Região tem uma produção de 6 toneladas por hectare demorando dois anos para sua colheita, quando se adicionando esterco se consegue 18 toneladas e se acrescentado uma adubação química os resultados vão para 24 toneladas. Porque não estimular atividades especificas para os minifúndios como Os Cultivos: do Urucum, Erva Doce, Algodão Colorido, Feijão Guandu, Batata Doce, Pinha, Graviola e Cajueiros nos limites dos imóveis.

Segundo várias pesquisas os micros produtores que tiram até 20 litros por dia, são apenas 28% e só fornecem 3% do total do leite produzido no Estado.

Foi elaborado um trabalho técnico demonstrando a inviabilidade no atendimento das decisões que vem sendo tentadas pelos "burocratas" que desconhecendo totalmente a situação da Bacia Leiteira de Pernambuco e que se perpetrada trará um grande prejuízo para Pernambuco e /ou a adoção de "Produtores Laranjas", copiados das atividades irregulares praticadas pelas classes dominantes no Governo Federal , hoje largamente incluídas na mídia Nacional que exibe os mais vergonhosos escândalos.

Pernambuco, em vez de preparar Reuniões, para cortejar os áulicos vindos de Brasília, tinha sido mais rendoso se tivesse levado as "autoridades" para conhecer o Agreste Arenoso, elegendo uma área média onde predominam as pequenas propriedades que fica no limite dos Municípios de Caetés e Garanhuns, conhecido como Laje Comprida e dando como exemplo o lote nº 29/ 16736 , que pertenceu a uma família cuja matrona era conhecida por Dona Lindú, cujo marido depois de batalhar plantando Batata Doce, foi para São Paulo tentar nova vida, deixando seus filhos sobre a guarda de sua esposa.

Apesar do pequeno sítio ter 13 hectares, ela não tinha condições de criar vacas leiteiras e foi preciso que um cunhado conhecido na região como Tiuba, maior fabricante de Carro de Boi, cedesse uma vaca para fornecer leite para um garotinho que tinha o nome de Luiz.

Não podendo enfrentar as durezas da Região, o terreno foi vendido e num caminhão Pau de Arara, dirigido por Zé de Né, foi para São Paulo procurar o patrono da família.

Dona Lindú era membro das Famílias Teixeira de Melo e Ferreira da Silva, que eram pequenos criadores de vacas de leite. Que ate hoje é a principal atividade dos seus parentes que exploram a Pecuária Leiteira, tendo como exemplo: Cazuca e Moura que produzem mais de 100 litros de leite por dia.

Voltando a Família de Dona Lindú, que se instalou em Santos e como tinha como herança à capacidade de luta dos criadores de vacas de leite, um dos seus filhos se destacou e chegou a ser um excelente Torneiro Mecânico.

Como todos já desconfiaram o nosso conterrâneo chegou hoje a Presidente da República.

Nas suas visitas a Região Luiz Inácio Lula da Silva, tomou conhecimento das dificuldades dos seus conterrâneos e determinou a um dos seus assessores que procurasse os Técnicos da Região para elaborar um Projeto para aumentar a produção da nossa Pecuária Leiteira e o resultado foi o Planipanema, que vai financiar até 6 vacas de ótima produtividade para os pecuaristas do Vale do Rio Ipanema e adjacências, área pertencente à Bacia Leiteira.

O Projeto só vai beneficiar que tiver tradição na criação de gado leiteiro e disponha no mínimo dois hectares de Palma Forrageira para garantir a alimentação do rebanho. Logo beneficiários do Pronaf A, B e C, não serão incluídos e a exclusão não será elitista.

Tudo está sendo conduzido por pessoas que conhecem nossa Região e os "burocratas" estão fora da elaboração. Se não aparecer um chaleira de Brasília para botar gosto ruim no Projeto em breve vamos ter mais 1.600 ótimas matrizes fornecendo leite para diminuir o nosso déficit que chega perto de 600 mil litros por dia.

Voltando a Família do Presidente Lula, existe um Primo do primeiro grau, que é varredor da Cidade de Garanhuns, é Alberico (Bero) que certo dia me perguntou se era possível falar com o Presidente para ser promovido a categoria de Vigilante.

Felizmente o Presidente não é partidário do nepotismo, o azar de Bero é que não conheceu o Pessoal do Mensalão. Pois ate para se fazer uma "firma laranja" foi escolhido um nome que lembra a cidade natal do Presidente, que já foi conhecida com Tapera do Garcia e segundo o Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco o nome vem de Guiará-nhun que segundo os indígenas significa sítio dos Guarás e Anus.

Hoje com o desmatamento o Guará vive de roubar galinha e os Anus ficaram preguiçosos e passam a maior parte do tempo nos lombos das vacas. Quanto ao nome de Guaranhuns dado a empresa laranja que ajudava a transferir as verbas suspeitas para o exterior, não foi uma homenagem a Terra das Sete Colinas, foi uma esperteza para tentar envolver nosso Presidente.

Vou fazer todo o esforço para que este artigo chegue nas mãos dos técnicos de Brasília. Quem sabe eles vão modificar o pensamento nefasto de limitar a entrega de leite para 30 litros por criador ...

Se o Presidente tomar conhecimento ele modifica essa anomalia.