Garanhuns, 17 de setembro de 2005
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O promotor Alexandre abre o jogo

Praticamente um ano após as eleições municipais, o promotor Alexandre Augusto Bezerra, 34, que disputou a prefeitura pelo PT conseguindo 6.202 votos nas urnas, revela fatos da campanha que até então estavam obscuros. Numa entrevista exclusiva ao Correio Sete Colinas, Alexandre fala sobre sua vida profissional e pessoal, diz que lutar contra a elite política não é fácil e se mostra cauteloso quando questionado sobre a situação política local e nacional. Durante duas horas, o Correio esteve frente a frente com Alexandre Bezerra, que se mostrou muito satisfeito e feliz com a vida que leva nos dias atuais em Garanhuns.


Correio Sete Colinas - Por que o senhor escolheu Garanhuns para viver depois de ter tido experiência de vida na capital e no sertão (Floresta)?

Alexandre Bezerra - Foi uma opção pessoal. Escolhi Garanhuns entre outras alternativas que tinha. Poderia por exemplo ir para Caruaru, mas não quis. Gostei da cidade, do clima e das pessoas.Não me arrependo.


CSC - Na sua atividade de promotor o senhor já recebeu algumas ameaças de morte. A que o senhor atribui esse fato?

Alexandre Bezerra - Realmente vale a pena arriscar a vida em defesa de um ideal? Claro que sim. Recebia várias ameaças de morte, de perda do cargo e de ser transferido, inclusive de Garanhuns, entretanto nada é capaz de me afastar dos meus ideais. Tenho consciência de minha responsabilidade com o povo, especialmente o mais carente, e dela não vou me afastar em nenhuma hipótese.


CSC - O senhor é tido hoje em Garanhuns como um promotor de destaque e inclusive já foi apontado pela imprensa da capital como o "promotor do povo". Na sua opinião por que isso aconteceu?

Alexandre Bezerra - Pago um preço alto por isso. Manter-me firme contra a elite política e econômica tem sido uma tarefa difícil. A estrutura do poder tende a impedir a emancipação do povo, da massa. O Estado é feito para privilegiar as elites. As leis também, e infelizmente a cada dia mais sofrimento é imposto ao homem humilde, principalmente aquele que sequer conta com o direito básico à saúde, educação, emprego, segurança, cultura e lazer, que lhe são subtraídos pelas organizações políticas criminosas que se abastecem da corrupção.


CSC - A sua passagem pela promotoria criminal foi de certa forma responsável pelo seu reconhecimento?

Alexandre Bezerra - Acredito que sim.Sempre tive como prioridade o combate ao crime. Mas hoje tenho uma compreensão mais ampla do problema. Vejo o crime como um fenômeno social. O crime é conseqüência, enquanto que a causa é a falta de oportunidades e de uma vida digna a todos os cidadãos.


CSC - Em pouco tempo na cidade o seu nome foi cotado por praticamente todos os partidos políticos para disputar a prefeitura. Fazia parte dos seus planos vim para Garanhuns com a intenção de ser o prefeito da cidade?

Alexandre Bezerra - Não. Queria apenas ser um bom Promotor de Justiça.


CSC - Por que o senhor aceitou o desafio de disputar a prefeitura pelo partido do presidente Lula?

Alexandre Bezerra - Vivi como os outros o sonho da esperança, da mudança.


CSC - Se o senhor pudesse voltar no tempo, seria candidato de novo?

Alexandre Bezerra Não.


CSC - O PT não investiu na sua campanha e isso reduziu as chances de vitória. Foi uma traição?

Alexandre Bezerra - O PT Regional tinha uma opção clara em Garanhuns. Eles defendiam a candidatura do PTB. Não tive qualquer ajuda. Mas sei que muitos dos militantes do PT em Garanhuns me acompanharam. Essa foi uma posição do diretório municipal. E a falta de apoio ou ajuda financeira não fez diferença. Usamos dos nossos ideais e da nossa força o que acabou dando condições para se fazer uma campanha limpa e vitoriosa. Eu particularmente sou grato a todos que acreditaram nas propostas que nós defendemos para que Garanhuns pudesse se recuperar social e economicamente. E tenho uma dívida de gratidão com o ex- Senador Carlos Wilson, que acreditou nesse nosso sonho.


CSC - Um dos momentos mais polêmicos da campanha foi quando o ex-deputado Carlos Batata, na Rádio Jornal, lhe chamou de assassino. Gostaria que o senhor comentasse esse fato.

Alexandre Bezerra -Todo mundo conhece o jogo político. Carlos Batata fazia cena. Inventava fatos na intenção de afastar o eleitorado. Sou um homem limpo. Nunca cometi um crime, e se não fosse assim não poderia ser Promotor de Justiça.


CSC O senhor se arrependeu de ter ido dar resposta a Batata na mesma hora?

Alexandre Bezerra - Politicamente sim. Mas como homem não. Ele merecia ouvir o que ouviu. Estava lá para mentir e não poderia deixar que ele fizesse isso livremente. Infelizmente na política isso acontece com freqüência. É próprio de quem não tem propostas, só pensa em si. Ele só pensa em si. Eu pensava e penso no melhor de Garanhuns. Fui lá por mim, por minha família e pelas pessoas que acreditavam e acreditam em mim.


CSC É verdade que o ex-prefeito Silvino, ajudou financeiramente sua campanha?

Alexandre Bezerra - Não. Nunca recebi nenhuma ajuda de Silvino, nem do PT. A ajuda veio dos amigos voluntários a quem posso atribuir a nossa vitória eleitoral. Esse comentário e outros surgiram para desestabilizar a candidatura do PT e o surgimento de uma nova liderança política.


CSC Durante a campanha o senhor se viu ameaçado pelo então candidato Luiz Carlos?

Alexandre Bezerra - Não. Luiz Carlos contava com apoio político do ex-Prefeito. Isso foi um fator importante, embora se deva conhecer das qualidades pessoais daquele candidato. Mas a vitória de Luiz Carlos e a derrota de Bartolomeu podem ser atribuídas principalmente a candidatura do PT, do Promotor Alexandre Bezerra. É uma questão matemática. Os votos do PT foram os votos necessárias para o desequilíbrio da balança.


CSC Como o senhor avalia o desempenho dele à frente do Governo Municipal?

Alexandre Bezerra - Não quero me pronunciar a respeito disso. Espero apenas que ele possa cumprir o que prometeu na campanha.


CSC O que o senhor acha da participação do PT no governo Luiz Carlos?

Alexandre Bezerra - Não se pode falar em PT no governo municipal, pois essa posição de adesão pelo que me contaram foi fruto apenas de uma decisão da executiva municipal. Eu acho até um contra-senso, pois na campanha o PT municipal defendia a criação de uma terceira via, uma alternativa entre os dois grupos oligárquicos existentes naquela oportunidade.


CSC Falando agora sobre o plano nacional. O Governo Federal está envolvido numa grande crise de corrupção. O senhor acha que o presidente que o senhor defendia durante a campanha está inocente no caso "mensalão"?

Alexandre Bezerra - Eu não tenho condições de dizer. Espero que exista uma investigação profunda e que os culpados não sejam poupados.


CSC O senhor será candidato a deputado em 2006, a prefeito em 2008, ou ainda é cedo para falar nisso?

Alexandre Bezerra - Não sou mais político, sou Promotor de Justiça com orgulho e honra.


CSC - Por ser um homem público, o senhor fica muito exposto a sociedade. Os seus adversários políticos têm uma preocupação muito grande em vasculhar sua vida pessoal. Falar sobre sua família, sobre suas presenças em festas da região, lhe deixa incomodado?

Alexandre Bezerra - Não. Eles falam e na maioria absoluta das vezes mentem, mas eu vou continuar vivendo e sendo feliz.


CSC Muito obrigado pela entrevista, e fique a vontade para as suas considerações finais.

Alexandre Bezerra - Quero agradecer a você Fernando Rodolfo, ao Roberto Almeida e ao Correio Sete Colinas pela oportunidade. E finalmente garantir a todos que continuarei firme aos meus propósitos, na defesa de uma cidade, um Estado e um País melhor, agindo humildemente dentro das minhas funções de Promotor de Justiça para garantir a todos o direito a dignidade.