Garanhuns, 17 de setembro de 2005
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
GERAL
 

SAGA persiste na geração de políticas para a cultura local

"Nem só de pão vive o homem", célebre frase bíblica que, trazendo para a contemporaneidade, pode muito bem ser relida assim: "Nem só de pão e circo vive o cidadão". Sendo a cultura um direito de todos, não podemos esperar a banda passar, ou ainda, "esperar Godot", expressão dos personagens Vladimir e Estragon, de Beckett, diante de um "Urinol", de Marcel Duchamp. Fora do teatro, é impossível resolver questões relativas à ausência de políticas culturais em nossa cidade, contando apenas com a espera. Enquanto isso na sala da justiça questionamos o objeto direto.

Dia 27 de agosto passado, a Sociedade dos Artistas de Garanhuns participou de um dos mais ricos eventos de cultura popular do Estado, Festival Lula Calixto, em Arcoverde, o qual reuniu vários grupos de cultura popular da Zona da Mata Norte, Litoral, Agreste e Sertão pernambucano. De Garanhuns foram o Camaleão Quântico, Moendas e Boi da Macuca. Os articuladores foram os de sempre, Paulo Ferreira e Zé da Macuca, sem máguas da ausência de uma Secretaria de Cultura que promova o intercâmbio entre os grupos. Fizeram e fazem por amor à causa. Mas amor não enche barriga. É preciso, no mínimo, amenizar na comunidade a síndrome da pobreza política em suas diversas densidades. Melhor explicando, a pobreza política é uma tragédia histórica, na mesma dimensão da pobreza sócio econômica, e se retrata, entre outras coisas, na dificuldade de formação de um povo capaz de gerir seu próprio destino. Não é sustentando eventos de massa que iremos garantir o desenvolvimento cultural de nossa cidade, a menos que queiramos que essa cultura seja representada pela pobreza de conhecimento. Há quem diga que o "tiro de Lula saiu pela culatra", mas numa coisa temos que concordar com o atual Ministro da Cultura, o eclético Gilberto Gil em um de seus discursos: "(...) O povo quer o que sabe, mas também tem direito ao que não sabe (...)". Se é de democracia cultural que estamos falando, cadê ela?

Mas (pausa longa...) Vamos em frente e esquecer a fadiga. Temos uma Lei de Incentivo à Cultura, que legal! Mas não funciona. Temos a Lei do Conselho Municipal de Cultura, que legal! Está inativo. Ser coibido de "ter", caracteriza-se por um sintoma de pobreza política. Mas é pensando em ajudar a reverter este quadro que a Sociedade dos Artistas de Garanhuns atua. Portanto, visamos ações que priorizem a diversidade e a identidade cultural de nossa cidade, e esta idéia tem sido compartilhada por maioria dos artistas dessa terra, e apoiada por pessoas sérias ligadas ao desenvolvimento deste município.