Garanhuns, 3 de setembro de 2005
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POLÍTICA
 

Bartolomeu consegue primeira vitória na justiça

O ex-prefeito Bartolomeu Quidute conseguiu uma importante vitória na Justiça, no último dia 24, quando o recurso da coligação Novos Tempos, Novos Rumos teve decisão favorável do pleno do Tribunal Regional Eleitoral, TRE. Os partidos que apoiaram a candidatura do petebista, na eleição passada, entraram com uma ação contra a prefeitura denunciando abuso de poder econômico e uso da máquina pública, na campanha de 2004. O juiz da comarca mandou arquivar o processo, alegando falta de consistência e provas insuficientes, porém a coligação recorreu à instância superior e a questão agora vai entrar numa nova fase.

Além de avaliar novamente o pleito de Quidute, os juízes do Tribunal Regional Eleitoral determinaram que seja feita uma investigação a respeito do sumiço de duas provas da ação impetrada pela coligação Novos Tempos, Novos Rumos. Trata-se de duas fitas, uma de vídeo, mostrando as obras feitas pelo ex-prefeito Silvino Andrade (PMDB), no período da campanha, com suposto uso eleitoral, e a outra uma fita cassete, com gravação de uma reunião realizada no prédio público da Escola Elvira Viana, quando o ex-dirigente do município pede votos para o candidato Luiz Carlos de Oliveira e o então vereador Mazinho, que disputava a reeleição.

O processo está sendo conduzido pelo juiz Pierre Souto Maior, que dentro de poucos dias deve começar a ouvir os envolvidos na ação, de um lado e outro. Devem ser convocados para depor o deputado estadual Izaías Régis, o ex-prefeito Silvino Andrade, dirigentes do Partido Verde e outras lideranças políticas locais. Satisfeito com a decisão do TRE, Bartolomeu Quidute demonstra firme disposição de continuar lutando e revelou a amigos que irá prosseguir com a questão até a última instância. "Ele espera que se faça justiça em Garanhuns mesmo, mas se necessário se recorrerá ao TSE, em Brasília", confidenciou à reportagem uma pessoa ligada ao ex-prefeito.

Na ação inicial da coligação Novos Tempos, Novos Rumos são enumerados diversos atos da campanha eleitoral considerados ilícitos, incluindo caminhadas dos candidatos com o uso da máquina pública, reunião em prédio público e uso do guia eleitoral de forma indevida. Num dos programas eleitorais citados no processo, o locutor enumera uma série de feitos do Governo Silvino, alguns meramente assistencialistas, como o da distribuição de leite, e depois o locutor entra, colando à administração à campanha: Vote 15!

Bartolomeu e seu aliados tentam com essa ação, que tramita em Garanhuns, e uma outra, que será julgada na capital, mostrar que na campanha de 2004 houve abuso de poder econômico e uso da prefeitura de modo a distorcer o resultado eleitoral. O ex-prefeito busca cassar o registro da candidatura de Luiz Carlos de Oliveira ou mesmo impugnar sua eleição, comprovada sua ineligibilidade.

No município, alguns até fazem comparações entre o que está acontecendo em Garanhuns e o que ocorreu há poucos dias em Goiana, na Zona da Mata de Pernambuco, quando a justiça cassou o mandato do prefeito da cidade, Beto Gadelha. Existem até os que consideram os fatos desse outro município "café pequeno" diante do que aconteceu na Suíça Pernambucana.

Para tornar o quadro ainda mais turbulento, os aliados de Bartolomeu acrescentaram ao processo, já depois da posse de Luiz Carlos, uma emenda incluindo declarações feitas por dirigentes do Partido Verde, em emissoras de rádio da cidade, denunciando o ex-prefeito Silvino Andrade por descumprir um acordo feito com o PV, na fase da campanha. Eles alegam que o ex-dirigente do município prometeu R$ 102 mil aos verdes, caso apoiassem Luiz Carlos, mas só pagou uma pequena parte dessa quantia.

Como esses recursos não foram contabilizados na Justiça Eleitoral, desconfia-se que foi utilizado uma Caixa Dois na campanha, com o uso de dinheiro público para favorecer Luiz Carlos. As principais lideranças do PV, como José Carlos Espinhara, José Gundes e Alcindo, hoje rompidos com o governo municipal, têm dito em conversas na cidade que na justiça estão dispostos a confirmar toda a negociação feita com Silvino.

A ouvida das testemunhas pelo juiz Pierro Souto deveria ter começado no último dia 24 de agosto. Mas os depoimentos foram adiados por que os advogados de Silvino e Luiz Carlos colocaram sob suspeição o nome da promotora, Dra. Maura, por esta ser esposa do ex-vereador Cacau, aliado de Bartolomeu. O ex-parlamentar, contudo, além de não ter mais mandato eletivo, está desligado de qualquer partido político.