Garanhuns, 3 de setembro de 2005
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OPINIÃO
 

Pus no fim do túnel

Altamir Pinheiro


Antigamente, toda a cidade de Garanhuns cercava-se de grande expectativa positivista para acompanhar, 15 dias antes, a programação que seria anunciada pelos elaboradores do tradicional e sacramentado Festival de Inverno de Garanhuns. Hoje, lamentavelmente, após essa tal divulgação, o semblante de todos nós vem acompanhado de tristezas, revoltas e desilusões. Este ano, tivemos o pior festival que se tem notícia em nossas cercanias. Não se pode considerar o 15º. FIG como um espetáculo ridículo e sim como patético, insosso e sem tesão. Esse troço denominado FUNDARPE parece que se autodenomina, ou quem sabe, se acha blindada de erros, equívocos e insensatez. Com a criação do Circuito do Frio(dividir para reinar), Garanhuns pode até ter se livrado da pena de morte(transferência do festival para Gravatá), mas ganhou prisão perpétua. Ou seja, vai sempre comer na mão dos inteletuaolóides lá do Recife. Afinal de contas, a ida do FIG para Gravatá sempre esteve dentro do cálculo lógico das probabilidades. A FUNDARPE, subestimando a percepção das pessoas com uma retórica míope e desrespeitosa chega ao cúmulo da ladroeira cobrando somas vultosas aos barraqueiros da Praça Guadalajara, acarretando com isso aos freqüentadores usuais e aos turistas desembolsarem a bagatela de R$ 2,50 por uma simples latinha de refrigerante. E o que é mais grave: contribuindo diretamente com as intermináveis discussões entre barraqueiros e fregueses. Chegando ao ponto de, muitos cidadãos de bem ao reclamarem da carestia, passam pelo crivo da polícia, indo presos e ficando constrangidos perante seus familiares e amigos. Diga-se de passagem que os coitados dos barraqueiros não tem culpa nenhuma nesses episódios. A solução dessa exploração explícita é uma só: Procon na FUNDARPE; Procon no Prefeito; Procon no Secretário de Turismo. Sinceramente, nesse campo específico, essas três figuras acima citadas, ou são incompetentes, desumanas, teimosas ou então beberam mal?

Prefeitura, Secretarias e o escambal a quatro, passam-nos uma impressão de se comportarem(perante a FUNDARPE), como as mulheres fáceis, Só sabem dizer sim. Como também seus procedimentos se equivalem aos calangos ou catengas em cima de estacas ou lajeiros onde ficam o tempo todo balançando a cabeça, dando uma impressão de recorrerem ao famoso bordão de sempre, quando não sabem o que dizer nem muito menos terem voz ativa: "Manda quem pode. Obedece quem tem juízo". Depois do Circuito do Frio, entra ano e sai ano, vê-se um dos pilares fundamentais da qualidade do FIG sendo questionado. Sob o signo de vexames, confusões e ineficiências, observa-se claramente que os ditos responsáveis batem fofo, ficam com mais e mais, disse me disse, trocando as palavras, defendendo interesses e se desculpando perante a imprensa local com o famoso não nego nem confirmo(Durma-se com um barulho desse). Em caráter de urgência urgentíssima é preciso dá de garra de um bisturi para fazer o pus jorrar. E não ficar voltado para o próprio umbigo ou então manter um comportamento de avestruz que enfia a cabeça num buraco no chão, deixando o cu pra cima e um festival fragilizado, isolado e caminhando para um suicídio lento e em estado terminal de incultura.

O FIG tem tudo para entrar no tenebroso corredor escuro do faz de conta, vindo a morrer de inanição e ao relento. Sentindo-se a ventania da mudança negativa, em termos de futuro, não é preciso usar microscópio eletrônico, lupa ou luneta, nem muito menos binóculos para alcançar o pus no fim do túnel, basta enxergar o óbvio.