Garanhuns, 3 de setembro de 2005
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OPINIÃO
 

Mamona: Biodiesel e inclusão social

Marcílio Luna Filho


A cultura da mamona é a bola da vez na região Nordeste, principalmente pela facilidade de adaptação às condições de solo e clima locais. Sendo uma planta que suporta baixas precipitações anuais e que pode ser consorciada com outras culturas, em especial com o feijão, viabilizando a prática da agricultura de subsistência e agregando maior valor à produção local.

Impulsionado pela crescente preocupação com a preservação do meio ambiente e com os altos níveis de emissão de gases poluentes na atmosfera, pelo consumo de combustíveis fósseis, o biodiesel da mamona surge como principal fonte alternativa de "combustível limpo". Nesse contexto o Brasil, em especial o Nordeste brasileiro, encontra-se numa posição estratégica no mercado mundial, exercendo local de destaque junto aos países tradicionalmente produtores como China e a Índia. Apresentando uma imensa área com potencial produtivo, o Semi-árido e Agreste, com mais de 500 municípios, todos inseridos na região que tem os piores indicadores sociais do país e uma enorme carência da geração de trabalho e renda.

É bastante claro que as condições edafoclimáticas do Nordeste brasileiro contribui para o quadro dos mais baixos índices de desenvolvimento humano no país, contudo o resgate da cultura da mamona, em virtude do promissor mercado de bio-combustível, poderá transformar de forma gradativa o perfil macro-econômico nordestino, através do cultivo de espécies melhoradas como a BRS 149 Nordestina e a BRS 188 Paraguaçu. A viabilização do cultivo da mamoneira poderá englobar um enorme contingente de pessoas, devido a grande área para o plantio da mamona, possibilitando o desenvolvimento sustentável na região, sobretudo inserção social que conseqüentemente possibilitará uma melhoria da qualidade de vida do homem do campo pelo aumento da renda familiar.

A partir da medida provisória n 214, de 13 de setembro de 2004, que autoriza a mistura de 2% do biodiesel ao óleo diesel mineral, foi criado um mercado gigantesco para o plantio da mamona no Brasil. O principal beneficiado foi, sem dúvida, o semi-árido, região ótima para a cultura mamoneira e grande esperança do povo nordestino para geração de emprego e renda. A criação de políticas públicas que permitam o acesso a créditos específicos ao perfil destes produtores, como também assistência técnica e apoio logístico, é um ponto determinante para a concretização da atividade agrícola, onde os produtores necessitam de um apoio governamental de forma direta e ostensiva, fazendo cumprir seu compromisso social com os pequenos agricultores, sobretudo com a agricultura familiar.

Durante anos a migração do homem do campo para os grandes centros urbanos era vista como a única saída para trabalhar e sustentar a família, mesmo que a longas distâncias e grande sofrimento. Hoje as capitais estão saturadas, com uma enorme massa de desempregados, crescimento das habitações em áreas de risco, desemprego e um assustador aumento da criminalidade. Na direção contrária o campo pode visualizar uma janela para o desenvolvimento econômico e social, criado pelo cenário do bio-combustível da mamona, que poderá reerguer a atividade agrícola nordestina, fixando o homem no campo e dando melhores condições de vida ao produtor rural.

Tornar o plantio e o beneficiamento da mamona viável e de forma sustentável no Semi-árido brasileiro, é um grande desafio social, que poderá significar um novo rumo do agronegócio na região Nordeste, promovendo a geração de emprego, renda e inclusão social para uma fatia da sociedade brasileira, que sempre viveu às margens dos grandes processos econômico-produtivos no país e, sobretudo, contribuir com o crescimento do PIB do Brasil.


Marcílio Luna Filho é engenheiro Florestal e consultor Ambiental - E-mail: marciliovlf@ig.com.br