Garanhuns, 3 de setembro de 2005
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OPINIÃO
 

Desarmamento, sim

Odete Melo de Souza


"É um assalto!... Passando tudo ligeiro!... Não gritar!... Não se mexer!... Não correr!... Ficar quietinho!..."

Eis a setença irrevogável e constante proferida atrevidamente por personagens assustadoras, desumanas, mascaradas, encapuzadas, ou mesmo com a maligna face à mostra que apontam a arma ou disparam fatalmente na vítima indefesa e amedrontada.

Eles surgem como que magicamente em toda parte e em sua "maldita colheita" não fazem distinção de sexo, idade, religião, cor, cultura, condição social e econômica.

Por que eles agem assim? Por que tanta perversidade?

Alguém atribui a dificuldade de vida, escassez de emprego.

Justificativas estas, improcedentes, inaceitáveis.

Será uma condição mórbida hereditária, um desequilíbrio mental ou emocional, um instino malvado aguçado?

Só Deus o sabe!... De qualquer maneira, merecem compaixão...

Digamos com o Livro Maior: abençoai os que vos perseguem!...

No Brasil, comprovam as estatísticas, que há anualmente 50 mil mortes por arma de fogo, número este, de soldados norte-americanos mortos no Vietnã, em 10 anos de guerra.

É verdade que há inúmeros outros meios de homicídios, mas a arma de fogo é a preponderante.

Enfim, surge como paliativo benéfico o Estatuto do desarmamento aprovado principalmente pelo Senado, mas que continua polemicamente discutido, sendo também aprovado pela Câmara que eliminando aspectos importantes descaracterizaram o texto inicial.

Entre outras medidas rejeitadas destacam-se a expansão do porte e posse de armas, tornando-se também não inafiançável o porte ilegal de armas.

Há registros que optam pelo uso de armas de fogo restrito aos policiais, juízes, promotores e vigilantes de empresas regularmente autorizadas.

A aplicação do estatuto do desarmamento, com certeza, contraria ainda os interesses dos poderosos donos das fábricas de armas e assim, os legisladores enfrentam um grande dilema. Mas estes devem agir com consciência e espírito de justiça e fraternidade ao elaborar as leis.

Muitos crimes poderiam e poderão ser evitados sem o porte de arma de fogo.

Urge um combate ininterrupto, sem trégua ao armamento, como extinção das fábricas, recolhimento das armas e aumento da pena pelo porte ilegal, crime este, que no Japão pega nunca menos de 15 anos de detenção.

Com otimismo aguardemos dias melhores, mais tranqüilos e seguros para nossas famílias e todos nós brasileiros.

Lembrando sempre de que a paz verdadeira é a dádiva do céu e fruto da justiça.