Garanhuns, 3 de setembro de 2005
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Cooperativa dá dignidade a catadores de lixo

No loteamento Santo Afonso, uma das áreas mais carentes deste município, a 55 km de Garanhuns, a Cooperativa de Reciclagem do Lixo de São Bento do Una, Coores, está possibilitando oportunidades de trabalho e dignicando a vida de quase três dezenas de famílias. Idealizada no final de dezembro de 2004 e criada oficialmente em junho deste ano a entidade mudou a realidade de um grupo de jovens da comunidade, que antes do surgimento da Coores viviam na ociosidade, a maioria enverando pelo caminho da bebida e até da violência.

A idéia de ser criar a Cooperativa foi do corretor de imóveis Gilmar Espíndola, natural de São Bento do Una, mas que durante muito tempo residiu no Rio de Janeiro. Além dele, que atua como consultor fiscal da Associação, participam da diretoria o estudante Edmilson Dias da Silva (diretor presidente), Rosilene Nascimento dos Santos (secretária) e Leandro Couto de Araújo (diretor administrativo). Os cooperados estão tendo ainda o apoio do advogado Wellington Cadete, que está dando toda a assistência jurídica gratuitamente.

A entidade está funcionando num prédio localizado no Morro do Urubu, na parte mais alta do Loteamento Santo Afonso. O imóvel, que estava abandonado, foi cedido pelo proprietário somente pela manutenção, no primeiro ano, devendo depois ser feito um acerto financeiro de aluguel entre as duas partes. "A Cooperativa está exercendo um papel importante na comunidade. Tirou as pessoas da rua e já no primeiro momento garante pelo menos o dinheiro da comida dos que dela participam", revela Gilmar Espíndola, entusiasmado o trabalho que vem sendo feito.

O presidente da Coores, Edmilson Dias, colabora com a opinião do seu companheiro e vê perspectivas de crescimento da cooperativa. "Por enquanto funcionamos com três equipes. Uma atua no lixão, outra na rua e a terceira aqui mesmo no prédio. O objetivo final de tudo é vender os produtos coletados", informa o dirigente da associação de catadores.

Nesta fase de consolidação da entidade, todo o produto separado é vendido a uma só pessoa, um senhor conhecido como Cláudio, do município de São Caetano. Ele vem regularmente com o carro e compra a produção, pagando cerca de 10 centavos pelo quilo de papelão ou 40 centavos pelo quilo de vasilhames de vidro.

A luta dos cooperados do loteamento Santo Afonso, no momento, é conseguir comprar pelo menos uma máquina manual utilizada para prensar o lixo reciclável. Este equipamento custa R$ 8 mil e poderá ser adquirida por conta do apoio da prefeitura municipal. "A prefeitura não vai nos dar esse dinheiro. Mas como irá disponibilizar cestas básicas para os integrantes da Coores, iremos aumentar nossa renda e futuramente poderemos comprar a máquina", acredita Gilmar.

Enquanto eles não conseguem realizar esse ideal, vão trabalhando manualmente, separando e vendendo o lixo reciclável. Também já fizeram uma horta comunitária, no terreno do prédio da Cooperativa e nos próximos dias devem estar também atuando com piscicultura, usando para isso uma piscina desativada que existe na própria sede da organização.

Edmilson se mostra tão interessado no fortalecimento da Coores, que até interrompeu os estudos do primeiro ano do segundo grau. O importante, a seu ver, é que 28 famílias hoje sobrevivem ajudadas pela cooperativa e mais pessoas ainda poderão ter garantida sua sobrevivência futuramente. "Cerca de 80% dos integrantes da organização viviam nas ruas e a maioria bebia", frisa o dirigente.

Segundo Gilmar Espíndola, quase todos os integrantes da associação de catadores de lixo são bastante jovens, havendo só na equipe duas pessoas de idade, Sr. Antônio e Sr. Paulo, que trabalham já pensando em conseguir uma aposentadoria. E os participantes da Coores já têm até fardamento, negociado com o empresário de São Caetano que adquire seus produtos.

Tanto Edmilson quanto Gilmar fazem questão de registrar o apoio que têm recebido da prefeitura de São Bento do Una, na pessoa de padre Aldo e dos secretários de Cultura, Valdênio Valença e de Ação Social, Fátima Queiroz. "Padre Aldo deu dinheiro do próprio bolso para que a cooperativa pudesse ser oficializada e Fátima e Valdênio não medem esforços para nos ajudar", assegura o consultor fiscal da associação.