Garanhuns, 30 de julho de 2005
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OPINIÃO
 

O grande astro do festival

Marcílio Luna Filho


Passados alguns dias do 15º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), poderíamos defini-lo como um grande espetáculo, apesar de algumas críticas relacionadas à quantidade de atrações musicais de "peso" nesta edição. A cidade ficou bastante movimentada, lotando restaurantes, aquecendo o setor hoteleiro e o comércio em geral, e, principalmente, possibilitando a geração de empregos temporários, conseqüentemente renda extra para algumas famílias, o que é muito bem vindo em nosso município, que há muito tempo carece da criação de novos postos de trabalho, bem como de ações governamentais voltadas à criação de emprego e renda na cidade.

Mais uma vez o FIG mostrou sua força e prestígio, pois mesmo com uma programação um pouco a desejar, a cidade foi tomada por visitantes, que deslumbravam-se com nosso clima e a diversidade cultural da festa. Um festival para todos os gostos, desde nosso tradicionalíssimo forró, passando pelo envolvente chorinho, dando uma sacudida com a jovem-guarda e com o pop rock e, finalmente, nos deleitando com a MPB. A descentralização do evento é a característica chave da festa, o que possibilita ao público acesso aos diversos atrativos, como: oficinas; teatro; feiras de artesanato; shows; e outras atrações, tudo dentro de um eficiente planejamento e organização da Prefeitura, especialmente da Secretaria de Turismo. O que faltou nesta edição foi um maior empenho pelo Governo do Estado, especialmente a Secretaria Estadual de Educação e Cultura, que tardou o anúncio das atrações deste ano, prejudicando assim a divulgação do evento nos pólos mais atraídos pelo festival, como o Recife, Maceió e João Pessoa, que sem dúvida são o público alvo do setor hoteleiro.

A grandeza do Festival de Inverno de Garanhuns é um espetáculo à parte, e teve como astro principal o Clima, que envolve a população e, principalmente, os turistas, que utilizaram variados adereços apropriados à temperatura da cidade, o que trouxe um certo charme às noites de nossa Suíça Pernambucana e, fundamentalmente, possibilitando que a cada ano sejam atraídos mais visitantes ao nosso município.

A grandiosidade do FIG é indiscutível, porém passados alguns dias após o evento, visualizamos que ele é muito pouco para dar sustentabilidade ao setor turístico local, bem como sanar a carência de empregos no município. Torna-se cada vez mais evidente a necessidade de implantar um Plano Diretor para o turismo de Garanhuns, buscando criar um cenário que possibilite o desenvolvimento turístico ao longo do ano, capacitando a mão-de-obra local, possibilitando a geração de emprego e renda para a população. Não podemos aceitar que os dez dias do FIG e mais quatro da garanheta sejam os únicos a movimentar intensamente uma cidade com o potencial turístico e econômico do porte da Suíça Pernambucana, que é reconhecida pelo seu excelente clima, seus parques e peculiaridades como o relógio de flores, o belíssimo Santuário de Mãe Rainha, o Cristo, dentre outros que podem ser explorados juntamente com o turismo rural, atividade esta praticamente inexplorada na região.

Nosso município é belíssimo, temos um clima espetacular, atrativos turísticos dos mais diversos, que podem oferecer uma enorme variedade de opções de lazer e diversão. Cabe a sociedade juntamente com o setor empresarial, buscar em parceria com o Poder Público, alternativas que visem o desenvolvimento econômico e social local, através da exploração racionalmente das potencialidades locais, qualificação de sua mão-de-obra, investindo em infra-estrutura e, sobretudo, objetivando ações e estudos para a implantação de outros eventos no calendário da cidade, como a ótima proposta do Festival Literário. Fazemos parte de uma região rural, sendo necessário reestruturar as atividades locais e buscar atividades econômicas alternativas, como o plantio da mamona, cultivos consorciados, a Piscicultura em açudes e barragens, reflorestamentos para fornecimento de madeira e recuperação de áreas degradadas, dentre outras atividades compatíveis com o Semi-Árido, que tirem o Agreste Meridional da inércia econômica e promovam a melhoria da qualidade de vida local.

Marcílio Luna Filho é Engenheiro Florestal e Consultor Ambiental