Garanhuns, 30 de julho de 2005
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OPINIÃO
 

PODBRE BRASIL

Rafael Brasil


Sinceramente, fico cada vez mais abismado com a roubalheira petista, que, a cada dia se avoluma com o passar das notícias, das horas, dos dias. Esperava tudo, má condução da política econômica (o que felizmente não vem ocorrendo) partidarização da máquina pública, má condução dos problemas sociais, falta de projetos para a educação e saúde, o escambau. Mas corrupção, não. Talvez até uma miudinha corrupção, coisas que por ventura fugissem dos controles governamentais, e que fosse feita por gente de terceiro, ou quarto escalões. Mas não. A roubalheira foi das grossas, envolvendo a compra de votos de inúmeros parlamentares.Segundo visões mais otimistas, pelo menos uns setenta deputados serão cassados. Os pessimistas apontam uns duzentos. Vocês, distinto e enganado público, façam as suas apostas.

E pior, os corruptores são os grandes figurões do governo, e ao que tudo vem indicando, o presidente sabia das maracutaias. Talvez, deslumbrado com o cargo, tenha irresponsavelmente minimizado as coisas, levando-nos as seguintes conclusões; ou ele foi um perfeito idiota, não percebendo nada, ou foi conivente.Se foi conivente, prevaricou, ou seja, cometeu crime de responsabilidade, e pode ser deposto por isso. Seria melhor que fosse mesmo um idiota, sinceramente falando. Mas, como tenho dito, não acredito em comadre fulõzinha. Nem em saci pererê, e tampouco em papai Noel. E vocês?

As malas pretas, cheias de dinheiro, que eu pensava que era tradição do velho e populista PTB. Dos tempos de Getúlio, ou mesmo de Brizola, quando as malas de todas as tonalidades, trafegavam pelos gabinetes governamentais, sem a presença sufocante da imprensa. Maldita imprensa. Por isso, esse bando de ladrões queria amordaçá-la, quando um jornalista americano chamou Lula de cachaceiro. Ademais, é muito melhor ser cachaceiro do que ladrão. Mas aqui, a grande maioria dos ladrões freqüenta as colunas sociais. Fortes e bem vestidos, destilam suas espertezas na frente dos esfomeados, que aliás não são poucos. E foram esses ladrões, que até ontem faziam belos discursos a favor da igualdade entre os homens, a maioria socialistas fervorosos, como o Zé Dirceu, e o próprio Genoíno, além, é claro de Gushiken, que ainda se mantém no governo, agüentando os cada vez mais constantes carões de Lula. Enquanto escrevo, milhares de pobres-diabos petistas choram calados pelas ruas e vielas deste grande e podbre Brasil. Isso mesmo, podbre Brasil.

Interessante, e certamente alvissareiro, é que, até agora a economia de uma maneira geral não está sendo impactada pela gravíssima crise política. A oposição , pelo menos até agora, não quer a deposição do presidente. Prefere que ele sofra o desgaste lento e gradual, chegando a reeleição como um zumbi político.

Outros advogam a renúncia do presidente à reeleição em troca da extinção da mesma, em comum acordo com a oposição. Está claro que a reeleição deve acabar, para o bem do país. E está claro a urgente necessidade de uma grande reforma política, além das reformas urgentes do judiciário, da previdência, fiscal e tributária, e outras tantas que o país precisa. Já dizia Trotski, o velho teórico esquerdista russo assassinado por Stálin, que uma das piores e portanto mais perigosas posições políticas, é a inação. Enquanto tudo acontece, o presidente finge que não é com ele. Apesar do semblante cada vez mais preocupado.

Ademais esta esquerda é tão burra, que quer ressuscitar o dirigismo estatal nos moldes soviéticos, ou coisa semelhante. Um modelo que caiu de podre, e , só um burro não percebe que essas maracutaias são possíveis pelo gigantismo da presença do estado na nossa economia. Ou seja, é preciso aprofundar a privatização. Privatizar o resto dos bancos estatais, reduzir a enorme e ineficiente burocracia que tanto faz sofrer nossa população. Estas propostas arrepiam os cabelos já esbranquiçados da nossa velha esquerda, que ainda vive de utopias para sempre perdidas nos caminhos tortuosos do sangrento século XX.

Vamos esperar o desenrolar dos acontecimentos. De minha parte não agüento mais ver os noticiários, mas, fazer o quê? Esperar para ver se estes tristes acontecimentos resultem em algo positivo como a efetivação de reformas visando um melhor aparelhamento institucional para pegar os ladrões da coisa pública. Que, como sabemos não são poucos. O que está acontecendo é apenas a ponta do iceberg. Nos andares de baixo os fedores são maiores, vocês duvidam? Mas como diria um ditado antigo, para se dar uma longa caminhada, é preciso o primeiro passo. Veremos.