Garanhuns, 30 de julho de 2005
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OPINIÃO
 

O BRASIL E OS BRASILEIROS

Odete Melo de Souza


Por que tanta inquietação, temor e acusações?

Quem não deve, não teme, diz um velho e sábio refrão.

É que a pseudodignidade está comprometida e a aparente honestidade, abalada, mas o sórdido manto da ambição, fala mais alto.

Ter, ter mais e sempre ter mais... Eis o programa da vida que rege maleficamente a mente e as decisões de muitas pessoas.

Lamentavelmente isto acontece com alguns notáveis dignitários, ocupantes de cargos e postos elevados, autoridades dos três poderes, perdendo a confiança e a credibilidade.

E assim, hoje, podemos comparar o Brasil a uma acirrada partida de "ping-pong", onde a CPI dos correios e o "mensalão" disputam a vitória. Os dois adversários se acusam mutamente tentando safar-se das penalidades a que, com certeza, jamais se submeterão. Salve a impunidade!... dirão.

É vergonhoso e penoso para nós, para nossos filhos e netos presenciarmos tanta baixeza e desmoralização em nossa Terra!...

Diante do "tsunami" de corrupção surgido nesses últimos meses, nada se resolve de definitivo, embora os governantes apregoem soluções lícitas, honestas e urgentes. Adiam-se medidas que agilizariam a solução do problema, como a escolha do presidente e relator da CPI dos correios, que só depois foi solucionada. Foram indicados os dois nomes dos comandantes desta Comissão de agrado total do Governo, trazendo incertezas e insegurança quanto ao resultado final... Antes, sempre foi costume "alternar governantes e oposicionistas" nas CPIs.

Ninguém assume corajosamente o desempenho das irregularidades e crimes. Todos se arvoram de inocentes e corretos. Pois, nenhuma prova se encontra que os comprometa. Surge ainda a "operação abafa" e tudo cai no vazio do esquecimento e da prescrição.

Tudo termina em pizza, conforme a linguagem popular.

A pusilanimidade dos responsáveis por esta avassaladora e lamentável degradação brasileira é tamanha, chegando até alguns parlamentares comprometerem a dignidade pessoal, cancelando suas assinaturas na CPI dos correios, em troca, com certeza de vantagens e benefícios.

E a impunidade permanece e prevalece!...

Aqui é oportuno fazer uma retrospectiva há tempos longuínquos quando a palavra de um homem equivalia a uma dogma acreditado por todos e a sua assinatura era a expressão autêntica da verdade e segurança. Tudo passou!... Tudo mudou!...

Enfim, o nosso país vive um clima de tristeza, insegurança e total desconfiança nos poderes, poderosos e até nos amigos, podendo repetir a súplica atribuída ao filósofo e literato iluminista Voltaire: Meu Deus protegei-me de meus amigos. Dos meus inimigos eu me encarregarei.

Aguardemos com otimismo, fé e esperança no Altíssimo o fim desta crise política, social e, sobretudo moral, sofrida pelos brasileiros.

Entretanto, não nos regozijemos com a identificação dos culpados apenas pelo sádico prazer de vê-los penalizados ou pelo falso sentimento de justiça hipocritamente externado com a aplicação da Lei. É bastante conhecida a expressão: Para os amigos Tudo. Para os inimigos a Lei. Que concepção errônea de justiça!...

A identificação e penalidade dos culpados devem ser compreendidas como a recuperação da dignidade e dos valores cívicos e morais do nosso tão grande e querido Brasil.

Não nos julguemos superiores a ninguém nem inacessível a quedas, fracassos, crimes e pecados, do que só a proteção divina nos livrará. Pois, no presente, o culpado é o outro e no futuro, poderá ser eu.

Lembremos a máxima latina: Hodie mihi, cras tibi (hoje a mim, amanhã a ti).

Devemos sim vivenciar o preceito divino: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem e invocar sem cessar:

Ó Pai, Senhor de todos e de tudo, concedei aos culpados e inocentes o dom da sabedoria a fim de que possam orientar todos os atos de sua vida particular e pública, na retidão da sua consciência.