Garanhuns, 30 de julho de 2005
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


Eu também quero o mensalão

Desde que publicou um livro o Raulzito criou ares de importante. Nunca mais escreveu para o Correio Sete Colinas, esperando uma proposta da Folha de São Paulo ou do New York Times. Imagino que era delírio do colunista. Imagino também que ele não recebeu proposta nem mesmo de um dos jornais chapa branca da cidade, pois terminou aparecendo aqui na redação, perto dos buracos da Cohab II e humildemente entregou um apetitoso artigo. É o primeiro do ano, sinal de que o Raul está disposto a trabalhar; ele e o prefeito Luiz Carlos do Jardim das Oliveiras, que segundo dizem quando se arretar vai começar a obrar em Garanhuns e aí não vai parar mais. Vai obrar mais de que Sirvino, aquele que era prefeito e hoje é vendedor de remédio no Lafepe.

Raulzito, no entanto, nessa reestréia deixa de lado os figurões locais, o Luiz, o Sirvino, o Izaías Régua, a Orora e o atuante secretário "Eber deixa Garanhuns numa fria" e entra com tudo na política nacional. Leiam com cuidado, que ele voltou mais doido ainda:

Eu nunca tinha ouvido falar em mensalão. Que todo vereador se vende pra o prefeito por 10 ou 20 mil contos eu sabia. Que deputado estadual se bandeia para o lado do governador pensando em obter vantagens, disso eu tinha conhecimento. E que em Brasília existe lobby por todo lado, disso eu desconfiava. Agora, mensalão, isso aí pra mim é novidade.

Mas não é a mesma coisa? Poderia perguntar-me o leitor atento e medianamente inteligente...

É e não é, raciocinaria com meus botões (que nem tenho). Acontece que política é o reino da hipocrisia - e a safadeza pode dar na canela, desde que não se descubra e não se oficialize. E aí vem o PT, que não sabe governar e nem roubar, escancarando tudo. Passou 25 anos pregando a ética, a honestidade, a instalação de CPIs, o rompimento com o FMI, a virgindade o "caralho a quatro" e quase num segundo deixa arrombar tudo. Tá pior do que ninfomaníaca, a popular mulher vadia, que não pode ver nada em sua frente.

É dinheiro no banco, na mala, na sandália, no sapato, na cueca, na calcinha, no sutiã, debaixo do colchão... Só falta no meu bolso e nas calças dos milhões de brasileiros que ganham salário-mínimo ou mesmo salário nenhum.

E os jornais falam de milhões como se dinheiro de repente tivesse começado a brotar, "qui nem mato". Um sacou R$ 100 mil do Banco Rural (deve ser pras vacas), Valério emprestou não sei quantos milhões ao PT, Delúbio (não confundir com dilúvio) movimentava quatrilhões de dólares junto ao empresariado, Genuíno assinava papéis sem ler, Dirceu jogava uma parte do arrecadado no jogo do bicho e Lula, viajando no seu aviãozinho, pelo mundo, não sabia de nada.

Puta que o pariu! É muito dinheiro, muita confusão, muita safadeza e muita incompetência!

E não tem quem aguente mais os noticiários. Pois agora os bandidos viraram mocinhos: o neto de ACM é um verdadeiro Batman, Roberto Jefferson é o Zorro, Artur Virgílio é um verdadeiro Mandrake e quando chegar o Homem Aranha e o Super Man (que tal Roberto Freire?) O Congresso Nacional será transformado num grande Gibi.

Desse enredo de história em quadrinhos eu já estou cansado, lancei meu livro mas continuo liso e agora Viviane deu para querer ir no motel todo final de semana. Imagine que no último Festival de Inverno eu e a minha loiraça fomos namorar e tivemos que pagar R$ 30 por uma mísera hora de amor. Os empresários simplesmente triplicaram o preço no período do FIG. Prova de que em Garanhuns, no mês de julho, se cobra ágio nos hotéis, nos restaurantes, nos postos de gasolina, no comércio em geral e até nos motéis. Depois ainda querem que os políticos sejam honestos.

E pra terminar o meu protesto: não é justo que Garanhuns, como terra do presidente, fique sem mensalão. Exigo que mandem logo, agora, nesse instante, uma mesada para a pobre imprensa local. Podem mandar via fax, por internet, na mala ou na cueca. Mas que venha. Garanto que quando eu receber a primeira bolada vou escrever um artigo elogiando o Luiz de lá e o Lula de cá, esqueço dos buracos da cidade, verei qualidades insuspeitadas no secretariado municipal e, por fim, que ninguém é de ferro, pego a Viviane e vou passar com ela umas férias em Miami, Buenos Aires, Gramado ou mesmo Natal. Depende do tamanho do Mensalão.

Aqui pra nós: viver no Brasil é um eterno exercício de humor.