Garanhuns, 30 de julho de 2005
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OPINIÃO
 

EDITORIAL

POR QUE SERÁ QUE O BRASIL NÃO ANDA?

O Brasil viveu o populismo de Getúlio, nas décadas de 30, 40 e 50. O pai dos pobres fez uma revolução, deu um golpe de Estado, foi afastado do poder e voltou pelo voto. Terminou dando um tiro no coração, certamente por não poder se perpetuar no poder. Aí veio um louco chamado Jânio, aquele da vassoura, e apenas com sete meses de governo renunciou, sem que ninguém conseguisse entender o que lhe deu na cabeça tresloucada.

No início dos anos 60, com a saída de Jânio Quadros, chegou ao poder o vice-presidente, João Goulart, que os militares e outros segmentos poderosos não queriam. O líder político de verniz esquerdista se mostrou indeciso, não teve peito nem jogo de cintura suficientes e terminou tendo de se exilar no Uruguai. Aí começou a ditadura militar de 64. Castelo, Costa e Silva, Médici, Geisel e João Batista Figueiredo. Cada um mais truculento do que o outro e o Brasil mergulhado nas trevas.

Nos livramos da tirania depois da bela campanha das diretas-já, derrotamos o regime militar com Tancredo e caimos nos braços de Sarney. Um puta azar. O presidente- escritor foi substituído por Collor, veio o impechmment e vivemos um período relativamente calmo com o irriquieto Itamar. Então vieram os oito anos de Fernando Henrique, o erudito, que a nosso ver não fez o país caminhar (evoluir) tanto assim.

O Brasil da era FHC permaneceu atrasado, assistencialista, mantendo o fosso entre uma elite abastada e culta, e uma maioria pobre e iletrada. Violência no campo e na cidade, injustiça, impunidade, escola pública de péssima qualidade, saúde de terceiro mundo, desemprego, salário-minímo vergonhoso... Pobre país do futuro!

Enfim, depois de tantos anos, a esperança venceu o medo. Um trabalhador, retirante nordestino, operário, um homem do povo no poder. Luiz Inácio Lula da Silva iria nos redimir de todo sofrimento, governar reduzindo a miséria, valorizando a gente sofrida do Nordeste, das periferias das médias e grandes cidades.

Mas a tal de governabilidade é complicada. A economia mais ainda. E assim foi preciso manter os acordos com o FMI e praticamente o mesmo direcionamento do governo anterior. No campo político, as alianças: com o PP, o PL, o PTB e o cameleônico PMDB.

O povo, os trabalhadores, os funcionários públicos, os sem terra, os professores, os profissionais liberais, a classe média... Enfim, todo mundo que não é empresário, banqueiro, deputado, artista ou jogador de futebol pode esperar.

Veio o primeiro escândalo, o segundo, o terceiro. Nem sabemos quantos mais; agora só se fala em CPI dos correios, mensalão, milhões pra lá, milhões pra cá, e gente de prestígio, verdadeiros heróis do passado, gente que pegou em armas para enfrentar a ditadura, envolvida em coisas sujas, que pensamos ser praticadas somente por gente do PFL de Bornhausen e PP de Maluf.

Afinal de contas, nos últimos 50 ou mesmo 80 anos andamos pra onde? Temos TV colorida, computadores, telefone celular, hidrelétricas, viadutos, a indústria automobilística, rodovias, cinemas, DVD, microondas, aviões modernos e a internet nos ligando a qualquer parte do mundo.

Mas essa parafernália dos tempos modernos, o conforto, a casa boa, o salário justo, a dignidade chegou a quantos brasileiros? Estamos em melhores ou piores condições de que nos tempos de Getúlio, de Geisel, de Sarney ou de Fernando Henrique?

Melhorou para alguns, claro. Pra outros piorou.

Precisamos, contudo, de muito mais. Não podemos, em pleno século XXI, viver de assistencialismo, de esmola.

Precisamos não somente andar. Mas correr. Em busca do emprego, do salário decente, da escola de qualidade, da boa assistência médica, do lazer, do viver plenamente.

É possível? É. Mas só quando tivermos povo e governantes mais preparados, em todos os sentidos.

Por isso é preciso investir em educação, em cultura, em leitura, na inteligência das pessoas.

Enquanto for assim, com mais circo do que pão, sairá um e chegará outro e ficaremos na mesma. E tome violência, injustiça, burrice, cretinice, desigualdade, atraso, corrupção e impunidade.

O mensalão é apenas mais um palavrão num país de tanta safadeza e putaria.

Chega. Que o Brasil possa andar e que o seu povo (por inteiro) consiga alcançar um dia a tão sonhada modernidade.