Garanhuns, 30 de julho de 2005
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COLUNAS
 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Gosto ou Agonia?

Era um final de uma tarde fria, cinzenta de quase solidão, e lá estavam , talvez dois amigos, Zé e Jó, vestidos de julho, na porta da casa de um deles, a discutirem, com os ânimos ponderados, sobre aquela noite em que milhares e milhares de pessoas, em sua maioria, tinham ido à praça a praça da qual falou o poeta , para assistirem a decadência moral e melódica, segundo Zé, e apenas a concretização do gosto popular, segundo Jó.

Lá pelas tantas, onde já não se via nem um vaga-lume urbano a certa distância, se confrontavam, ainda saudavelmente, os dois:

- Perdoe-me, Jó, mas você está equivocado. Não dá para entender esse aperreio de vida daquela multidão.

- Admito que posso até estar, Zé, porque eu não consigo entender certas coisas, mas também não acho que deva concordar com você só por nossa amizade, porque não estarei sendo sincero, principalmente comigo mesmo.

- Jó, o óbvio não se explica, portanto não se deixe levar por este "tomem de goela a baixo", pois vai se perder nesse bananal de produção inacabável, pois lamentavelmente é possível que nunca falte desses frutos para a maioria dos animais. Arte e cultura, claro que podem ser entretenimento, mas nem sempre um entretenimento pode ser arte e principalmente cultura.

Jó balançava a cabeça, não muito rápido, Zé às vezes erguia os ombros e pacata discussão continuava:

- Zé, gosto não se discute e a voz do povo é a voz de Deus. Dá para considerar esses ditados, como argumento, para que paremos por aqui, pois eu preciso ir embora, já passam das 21 horas, e como você sabe, está sendo muito perigoso andar, principalmente sozinho, por esta cidade.

- Claro, meu caro Jó, sem fazer um profundo estudo sociológico e até psicológico, não posso considerar esses ditados como argumento, mas devo, para a sua segurança, deixá-lo ir, pois a violência aqui na cidade realmente está pra lá de feia, mas antes me permita dizer: gosto pode até não se discutir, mas e agonia? E se a voz do povo for a voz de Deus, eu não acredito que, nesse caso, o ouvido do povo seja o ouvido de Deus. E saiba que apesar desses seus pontos de vista, eu não vou relacionar você, ao Jó da Bíblia.
- Boa noite, Zé.
- Boa noite, Jó, espero que a gente volte a conversar sobre este assunto.
Após se distanciar um pouco da casa de Zé, Jô arrisca cantarolar uma música para afugentar o frio.
Zé, já em baixo do chuveiro, coincidentemente, canta a mesma música que Jó está cantando a caminho de casa.
Qual seria essa música, caro leitor?



A crônica doença do Brasil

Desde a época colonial que o nosso país é acometido de uma doença terrível, cujo nome, não menos aterrorizante, é corrupção.

Mas deixemos pra lá os tempos coloniais, os tempos do império e os tempos da república, pois seria alongarmos-nos bastante, haja visto os inúmeros casos de corrupção durante esses "auspiciosos" tempos considerados por corjas e mais corjas, que com o aval equivocado do povo assolavam os cofres públicos, arruinando cada vez mais a nação brasileira.

Pois bem, após as pinceladas acima, partimos dos idos de 1964 para cá, período da pseuda-moralidade. Foi nessa época que apareceram com mais evidência, "as propinas dos delfins"; o promissor "comércio" das esmeraldas, cujo empresário Abe Akel era, na época, o Ministro da Justiça, a restauradora Transamazônica, modelo máximo para o usado esquema do superfaturamento.

Outro que abalou o país foi o episódio de corrupção, chefiado por outro coordenador de campanha, conhecido como "Escândalo PC". Também na desastrosa administração de FHC, houve casos escabrosos de corrupção como: Anões do Orçamento, Ilhas Caiman, onde somas elevadas de dólares eram enviadas para lá; propinas a membros do Congresso Nacional, para a aprovação da reeleição de presidente e, outros casos não menos tenebrosos, cujas investigações são internamente esclarecidas e externamente abafadas.

Agora, com mais esses casos do mensalão e dos Correios, a doença que estava estagnada, voltou a debilitar a nação. O povo é quem paga o pato, com mais impostos, mais aumento de preços nos bens de consumo, mais desemprego, mais violência, menos saúde, menos moradia, menos educação; enfim, mais miséria.

É preciso que a sociedade brasileira, em todos os seus segmentos, exija mais respeito daqueles que, ela colocou lá, para administrar os destinos do brioso povo brasileiro.

Moralidade e dignidade já!
Ainda é tempo de ensinar Civismo, Honestidade e Patriotismo nas escolas.

Prof. Luciano Fontes