Garanhuns, 30 de julho de 2005
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Lula obtém apoio em Garanhuns e ataca adversários

Na sua passagem por Garanhuns, na última quarta-feira, dia três, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu uma forte manifestação de carinho de políticos e populares do Agreste Meridional e outras regiões do Estado. Milhares de pessoas foram à Esplanada Cultural Guadalajara ouvir e aplaudir o líder petista, que chegou à cidade com mais de uma hora de atraso, em relação ao horário anunciado. A solenidade de lançamento do Plano Safra, marcada para às 10h, só começou depois do meio-dia, com a chegada de Lula ao palanque.

Prestigiaram a visita do presidente mais de 30 prefeitos de Pernambuco, os governadores Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Ronaldo Lessa (PDT), do Estado de Alagoas. Estavam no palanque ainda ministros, deputados estaduais e federais, vereadores, lideranças dos trabalhadores rurais, sindicalistas, representações de colégios da cidade e jornalistas e radialistas de todas as partes do Brasil. Dentre os dirigentes municipais, destaque para Luiz Carlos de Oliveira (PMDB), que abriu a série de discursos, e o prefeito do Recife, o petista João Paulo.

Entusiasmado com a multidão que o aplaudiu o tempo todo, Lula iniciou sua fala já depois das 13h, começando por cumprimentar uma por uma as autoridades presentes. Rechaçando as vaias de parte do público ao governador Jarbas Vasconcelos, citou o nome do governante pernambucano e de Ronaldo Lessa, destacando em seguida os nomes do ex-ministro Eduardo Campos (PSB), prefeitos Luiz Carlos (PMDB) e Zé da Luz (PT), além do presidente da Câmara de Garanhuns, Sivaldo Albino (PSDB).

DISCURSO - Lula lembrou sua origem humilde, seu nascimento no Sítio Várzea Comprida, em Caetés, quando este município era ainda um distrito de Garanhuns. Em seguida, o presidente disse que o Pronaf nos governos passados beneficiava principalmente o Sul e o Sudeste, ficando os estados do Norte e Nordeste em segundo plano. "Agora estamos privilegiando a região nordestina e aumentando em três vezes os recursos repassados pelo programa", informou o petista.

O presidente relatou algumas outras ações do seu governo, citando a criação de novas universidades no país, a criação de empregos e a chegada da luz elétrica em um milhão de casas, em dois anos e meio de sua administração. "O Governo passado criou 700 mil empregos em oito anos e nós em pouco mais de dois anos já criamos cerca de três milhões de empregos neste país", garantiu Lula.

Segundo ele, determinados setores não estavam preparados para ver um trabalhador na presidência, os gerentes dos bancos nem sabiam atender os pobres e a política ficava sempre para os bem nascidos. "Não é todo presidente que vem para perto do povo", frisou, iniciando uma série de farpas contra os adversários, que a seu ver têm medo de vê-lo disputando a reeleição.

"Sou um homem calejado, que conseguiu tudo através da luta", lembrou Luiz Inácio da Silva, neste ponto já abordando diretamente a crise política atravessada pelo país. "Todo dia surge uma denúncia. Como presidente tudo que eu quero é justiça. Que os culpados sejam punidos, independente de partidos, de sexo, de religião ou de ideologia", complementou.

Ao ratificar que gostaria de ver os culpados punidos, o presidente observou também que esperava assistir parte da imprensa pedindo desculpas aos inocentes acusados injustamente. Lula disse que os adversários querem vê-lo fraco nas próximas eleições, apesar de não ter anunciado sua intenção de disputar um novo mandato. "Outro dia eu li num jornal algém dizendo vamos fazer o Lula sangrar. Isso é porque eles têm medo de que eu em quatro anos faça mais do que o governo passado fez em oito", provocou.

No final, o presidente afirmou que o Brasil nunca teve tanta credibilidade internacional quanto agora, creditou sua eleição ao povo, deixando claro não ter compromissos com ninguém, a não ser com a população humilde que o colocou no poder. "Se querem respeito, me respeitem", alfinetou, lembrando ter sido contra a reeleição, mas agora, que está na presidência, não abrirá mão de um direito constitucional. "Eu acho que vão ter de me engolir" de novo, finalizou, lembrando uma frase do ex-técnico da seleção, Jorge Lobo Zagalo.

Terminado o ato na Esplanada Guadalajara, o presidente da República inaugurou as instalações provisórias da Universidade Federal Rural de Pernambuco e fez uma homenagem ao estudante que tirou a primeira colocação no primeiro vestibular da unidade, realizado em Garanhuns. Segundo Lula, em 10 anos só abriram mais uma universidade no Brasil e no seu governo estão sendo abertas três e mais 31 extensões de instituições de ensino superior.