Garanhuns, 16 de julho de 2005
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Especial
  Cultura
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
CULTURA
 

Tua poesia

Vera Lúcia Correia Rodrigues


Ficou mais pobre a poesia,
Sem graça, métrica ou rima.
Orfã, carente, desprovida,
Daquela que, com maestria,
Dava-lhe fôlego, viço, vida.

Entender agora a poesia,
Na tua ausência, minha tia,
É tarefa árdua, difícil.
Torna-se indecifrável,
Pois as letras se embaralham,
Em aleatória mistura,
Numa frenética procura,
Do seu verdadeiro lugar.
Não há mais quem as conduza,
Não mais quem as transforme,
Qual sublime metamorfose,
Em suaves melodias
Que docemente embalaram,
O curso de tantas vidas.

Vou tentar, tia querida,
Dar ordem a esse caos,
Compor com as letras um hino,
Que te faça jus, te enalteça,
Forme a poesia mais linda
Que hoje pode ser escrita
Para amenizar a dor,
Essa saudade infinda.
Poesia de uma só palavra.
Eterna, marcante,
Quase divina.
Tua poesia.
Almerinda.

Em memória de minha tia Almerinda Espíndola Rodrigues, em quem sempre me mirei, na tentativa de, como ela, dar sonoridade às letras.

2 de junho de 2005