Garanhuns, 2 de julho de 2005
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
OPINIÃO
 

Reformas já

Rafael Brasil


Chegou-se ao consenso, não só entre os políticos, mas sobretudo entre os estudiosos, os politicólogos de plantão, pitaqueiros como eu, e o povo, de uma maneira geral, de que é urgente uma reforma política, eleitoral e partidária. Antes mesmo das reformas econômicas, fiscais e federativas, que sem as quais os país não sai do buraco. A frouxidão das instituições políticas e partidárias, somadas à lentidão da justiça, sobretudo em casos de corrupção, faz a população, cada vez mais, ter ojeriza à política e aos políticos. Que são essenciais numa democracia, ora bolas. Será que os nossos destinos possíveis se resumem à ditadura, ou os populismos? Ou se moraliza as atividades políticas, ou então entraremos nos piores dos mundos. Bem pior do que já estamos.

Troca-se de partido, como troca-se de gravata. O passe de um deputado do PSDB custava quarenta mil pratas, mais um abono anual de um milhão. Isso mesmo, um mi, segundo denúncias do ex-collorido Roberto Jefferson, que, parece, quer ser o Pedro Collor de Lula. Claro, a compra de votos sempre existiu. O problema é que, parece, pelo menos parte do PT sempre utilizou está prática, nos palanques duramente criticada. E, cada vez vai ficando igual aos outros, todos sem exceção, satanizados no passado. Aliás, as alianças do PT, são as mais fisiológicas possíveis, com cacarecos partidários como o PP recentemente malufista, e o velho e fisiológico PTB, componentes da base de sustentação de quaisquer governos, desde a redemocratização.

Se a crise governamental, com o caso dos correios e do mensalão alavancam a reforma política ou partidária, menos mal. E é esta a direção correta do governo, se ele a vier a tomar com competência. O que é difícil, dado o grau de incompetência dos seus articuladores políticos, como Aldo Rebelo e o agora ex-ministro José Dirceu. Ambos deviam estar fora do governo desde antes. Mas, vamos ver, acompanhar o desenrolar dos fatos.

No que se refere ao financiamento de campanhas, todo mundo tem o rabo preso, o famoso rabão de palha. Pelas informações, o PT faz parte dessa turma há tempos. Porém é preciso aprofundar. Nas campanhas para prefeito, mais notadamente nos chamados grotões, a compra de votos dá-se a céu aberto, sem constragimentos maiores. Desde a compra sorrateira, feita nas madrugadas, mas sobretudo o caso das camisas batizadas, com dez, ou vinte reais, dependendo do eleitor. Antes era proibido propaganda no dia das eleições. Hoje, a militância paga esconde, ou tenta disfarçar a compra do voto do militante, e, nas regiões mais pobres, a compra dos votos de famílias inteiras. E quem não tiver dinheiro, dane-se, pois segundo o próprio adágio popular, quem manda liso participar de eleições?

É preciso também fortalecer os partidos, instituíndo o dever da fidelidade partidária. E, trilhar a necessária transição rumo ao parlamentarismo. Que ao meu ver, facilita as negociações partidárias com governos de cabalização, e nas transições, com mudanças rápidas e indolores de governo. Também proporia a extinção de vereadores, como o início de amplas reformas no pacto federativo. Mas disso falaremos depois, pois toca na delicada questão da extinção de municípios inviáveis, que não são poucos, na nossa cambaleante federação.