Garanhuns, 4 de junho de 2005
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OPINIÃO
 

"Garanhuns e seus tipos populares"

Marcilio Reinaux


Não é comum nas Capitais, mas quase toda Cidade interiorana que se preza, tem seus tipos populares, ou até mesmo o seu "doido" preferido. Garanhguns não poderia fugir da regra geral, pois através dos anos tem dado seus tipos populares que marcaram capítulos na Historia do Município, ou pelo menos agregaram à paisagem, acontecimentos, fatos grotescos, inusitados e jocosos provocados pelos tipos populares. Claro que não sendo como não somos vivenciados nas gerações de hoje, nem na vida da cidade na atualidade, os tipos populares de Garanhuns aos que nos referimos, são de décadas passadas. Aquelas do nosso tempo.

Por isso mesmo, outro dia em um jantar repleto de conterrâneos, ex-alunos do Colégio Quinze, capitaneados por Jessisai Vitralino, a conversa no final descambou para uma agradável relembrança de "tipos populares de Garanhuns". Foi uma conversa amena, telúrica e saudosista, que trouxe no seu "miolo" exatamente este assunto. E aí ficamos a pensar que a própria matrona Simôa Gomes, teria sido a pioneira dessa linhagem, posto que foi e é sempre referida na Historiografia do Município, embora mais de dois séculos nos separem dela. Até entendemos que ela, foi mesmo uma autêntica " Relações Públicas".

Falamos de "Póla", uma doida que ficou famosa por ter levantado a saia diante de imponente palanque de comício político, na Avenida Santo Antonio, nos idos da candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes à Presidência da República. Ficou famosa porque diziam que ela estava "desprevinida". Isto é sem calcinha. Outro conhecido foi "Cherife", um tipo cheio de medalhas, talabarte,cinturão com fivela cromada, que circulava pelas ruas do centro. "Zé Branco" era um doido - que fique registrado que não pertencia à Família Branco. As pessoas o abordavam e diziam: " Um papelzinho pra Zé Branco". Ele ficada danado de raiva. "João do Ovo", era um freteiro (carregava frete) que andava ligeiro zunindo, fazendo barulho como um caminhão. Inclusive "dava um freio" gritando esganiçado. "Jeitoso" era um tipo que conserva sombrinhas e guarda-chuva. "Catrevage", um doido que gritava pela rua, fazendo muito barulho. E havia um tal de "Zé Pitanga" conhecido como " o catimbozeiro do Arraial".

Além de todos estes um despontava no nosso tempo de menino, que foi talvez o mais conhecido e mais longevo tipo popular de Garanhuns: "O Mudo da Estação", que traspassou por várias gerações. Mesmo mudo, era barulhento, procurando pegar as bagagens dos passageiros recém chegados nos trens de cada dia. "Turrica" era outro conhecido carregador de frete. Havia um motorista que ficou famoso, não sabemos o porque. Chamavam-no de "Borborema". Ao tempo um fedorento que chegava muito perto das pessoas: " Bode Cheiroso". "Maria Bacharé" era um outro doido. Este dava espetáculo na rua: os meninos gritavam: " Maria Bacharé... ré, ré, ré..." Ele respondia: " è a puta que pariu... riu, riu, riu".

Como porteiro do Ginásio Diocesano havia um apelidado de: "Meu Loro". Ficava danado. O Padre Adelmar recomendava: "Meninos não abusem com ele..." Abusávamos. "Jornaleiro" era um tipo que tinha mãos mirradas e só um dedo em cada mão. Dava mêdo aos meninos. Entrega o Jornal " O Monitor" de porta-em - porta.Havia um chamado "Horácio" que não conhecemos, mas urbano Vitalino conheceu e dizia que ele encostava-se em um poste e resmungava: " Governador Zé de Souza, manda um caximbo pra Horacio". O "Rei de Portugal" chamva-se Simão Ramos Dantas e mais "Messias". Desse tem uma historia: afirmavam que ele fora o primeiro homosexual de Garanhuns. "José Catão" este não era dois. Mas era popular porque era um bêbvado inveterado. Ficou conhecido pelas "carrasapanas" nas ruas.

E mais: "Beron", " Zacarias " ( este asustava o povo, escondido atráz dos postes ). "Otavio", " Matéria Plástica" e "Rosinha" este uma "bicha" desvairada e assumida. Além deste lembramos de "Terezinha Sete Saia" rua abaixo, rua acima, com um "monte" de saias. "Doze Anos" uma moiçola que foi ficando velha, mas que aparecendo em todas as festas de menina, dizia que tinha doze anos. Esta era enfeitadíssima, cheia de berloques, adereços. Quase um espatalho.

Assim, Garanhuns teve inesquecíveis "Tipos Populares", que marcaram a historiografia da cidade, com suas vidas jocosas, ou tristes. Mas sempre presentes por períodos. Hoje deve haver alguns. Eles sempre existem. Mas não os conhecemos, nem sabemos quem são. Quem alguém da atualidade nos diga quem são.