Garanhuns, 21 de maio de 2005
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
OPINIÃO
 

Cultura e cena cultural em Garanhuns

Prof. Josualdo de Menezes


É certo, vivemos em um país do terceiro mundo na condição de emergente. Também é correto reconhecermos que não estamos isolados e, portanto, estamos mergulhados na decantada globalização. Ora, se tudo se encontra globalizado ou em processo de globalização, cremos que a cultura, essa pérola que recobre a humanidade com certezas e incertezas, não está escape ou de fora do aventado processo.

Mas, o que dizer de Garanhuns, a cidade serrana e de tão altaneira nos parece que a cultura se incorporou a aridez do seu clima de agreste? Será mesmo que existe uma aridez na cena cultural de Garanhuns? Podemos colocar a questão de outro modo: existe uma tal cena cultural em ou de Garanhuns?

Os questionamentos acima, nos conduzem a mergulhar na reflexão sobre o assunto que de muito espinhoso abre queixumes nas vaidades. Mas, cultura é um "artigo caro" ou um assunto controverso a ponto de nos privarmos do mesmo seja em que nível for? Tantas questões, parece que realmente é difícil a construção da cultura pelo menos no que o termo exige. Deixemos um pouco a arguição e passemos ao que nos interessa: cultura e cena cultural em Garanhuns.

Como os antropólogos dizem: "Não há indivíduo humano desprovido de cultura exceto o recém-nascido e o homo ferus; um, porque não sofreu ainda o processo de endoculturação, e o outro porque foi privado do convívio humano". Aproveito a segunda parte do conceito para adaptá-lo e dizer mesmo, que, nós de Garanhuns estamos privados de cultura no seu aspecto de manifestação pública. Logo, não existe cena cultural na cidade.

Falando de cultura brasileira, Renato Ortiz, renomado sociólogo e pesquisador da cultura, comenta: "...falar em cultura brasileira é falar em relações de poder". Nesse sentindo apela-se para o bom senso tanto do lado dos artistas nas suas diversas manifestações e o poder público local para que entrem em diálogo e formulem uma pauta de ações a partir das já existentes e formuladas no último fórum no qual o insigne prefeito do município prestigiou e se prontificou a ouvir os artistas, leiamos, no plural. Aspecto relevante dessa discussão, e espero que o gestor maior da municipalidade nos ouça, é quanto à premissa de abertura deste artigo quando nos reportarmos à inserção da cultura no mundo globalizado. Portanto, não é possível a formulação de "propostas culturais" isoladamente sem que as partes interessadas façam parte e daí uma ampla discussão, sem a qual a cultura em Garanhuns será tocada no varejo, reafirmando a metáfora da aridez do agreste. Não é possivel falar, "e fazer cultura" sem estar em sintonia com a cena cultural nacional, estadual e local, ainda que esta última padeça de alguns males, porém, não incuráveis.

Por exemplo: é urgente que se crie em definitivo o Conselho de Cultura do Município, pois acreditamos que isoladamente não se construirá uma cena cultural no município de Garanhuns. E isto por que não existirá uma proposta, ou mesmo um projeto de uma política cultural para a cidade das flores.