Garanhuns, 21 de maio de 2005
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OPINIÃO
 

O século sangrento

Rafael Brasil


Muito tem se falado do final da segunda guerra mundial, e os horrores cometidos pelos nazistas, onde quer que eles se instalaram. Nunca, em tempo algum, a violência se banalizara tanto, no dizer de Hannah Arendt, famosa filósofa política judia alemã, que sentiria na própria pele os horrores da perseguição, asilando-se nos Estados Unidos. Porém, as sementes do totalitarismo já estavam plantadas, desde a instalação do regime bolchevique em 1917, e da ascensão do fascismo na Itália, no início da década de 20. Década de crise econômica em escala planetária, vindo a culminar com a quebra da bolsa de Nova York, em 1929.

Década de vagabundos desempregados, tão deliciosamente retratados pela figura inesquecível do vagabundo de Chaplin. Bem, não só uma geração de desempregados, mas de mutilados de guerra, tal a dimensão da aventura da primeira guerra. Quando não mutilados, sempre se tinha um parente ou amigo próximo nessa situação. Mutilados, tristes e desempregados, essa era a situação da Europa no período entre-guerras. Uma geração sofrida, e sobretudo com medo de uma nova guerra. Nos anos 30, assistimos a escalada totalitária da Alemanha Nazista, enquanto que na então União Soviética, Stálin tomava conta do poder, matando, ou de fome e exaustão, ou por fuzilamento puro e simples, de 20 a 30 milhões de pessoas. Nunca se saberá ao certo o número de mortes, pois as estatisticas soviéticas nunca foram demais confiáveis. Ademais, o mundo tendia para o totalitarismo. Até nosso Getúlio, em 1937, implantaria a sua ditadurazinha, muito safada por sinal. Na Europa, dos países que realmente contavam, só a velha Inglaterra resistia. Como resistiu, do começo ao fim.

Terminada na metrópole, na periferia, a guerra continuou. A chamada guerra-fria, entre os Estados Unidos e União Soviética, dois regimes economicamente antagônicos, que queriam sempre aumentar a influência geopolítica no mundo. Aí o palco desta guerra foi para países como o Vietnã, Laos, Camboja, Coréia, Afeganistão, Cuba, e os inúmeros países africanos, recém descolonizados. Até países pré-capitalistas como a Etiópia, tiveram sua ditadurazinha do proletariado. Foi também por causa da famigerada guerra-fria, que tivemos nos anos 60 e 70, as inúmeras ditaduras que infernizaram os povos latino americanos, inclusive, claro, o Brasil. O anti-comunismo pariu a famigerada doutrina da segurança nacional, de triste memória. Ou se era amigo ou inimigo dos Estados Unidos, ou da então União Soviética, que ademais se constituiria numa expansão, mais brutal diga-se de passagem do antigo império russo com seus temidos tzares.

Por isso que muitos historiadores contemporâneos, tendem a considerar o fim da guerra, depois da derrocada do império soviético, que aliás caiu mesmo de podre, com muita ineficiência, desigualdades sociais, e, claro, corrupção. Muitos russos sentem saudades dos tempos soviéticos. Em que quase todo mundo se fingia que trabalhava, e o governo que pagava. Onde a escassez de víveres alimentícios era cada vez mais visível, bem assim como de bens de consumo. Isso sem justiça e liberdade. E tem muita gente, inclusive no Brasil, que sonha em implantar tais regimes do tipo marxista leninista, que são os eternos imbecis de plantão. Se bem que eles agora estão mais quietos, trabalhando nos 43 mil cargos do governo Lula. Aliás, são estes milhares de cargos no estado que sustentam os resquícios da era Vargas, onde o estado passaria a ser o grande condutor não só da nossa economia, mas da nossa sociedade.

Vivemos hoje num mundo unipolar, com a hegemonia dos Estados Unidos em escala global. E que depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, se tornaria mais agressivo. Porém, é possível fazer prevalecer a diplomacia, na resolução dos conflitos mundiais. Enquanto escrevo, o autocrata de plantão na Rússia, tenta criar um clima de saudosismo em relação a ex União Soviética. Vade retro satanás... Mas os americanos estão ganhando a parada, isolando cada vez mais a Rússia dos seus vizinhos, de quem não foram assim tão bons amigos no passado. Menos mal. Afinal, a democracia é mesmo o pior sistema, com exceção de todos os outros. Ou não? E a escalada autoritária da Rússia preocupa. Fiquemos atentos, pois, como diria o velho Marx, e história não se repete. Graças a Deus!