Garanhuns, 7 de maio de 2005
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
OPINIÃO
 

Rodovias ameaçam usuários

Marcílio Viana Luna


Além de sofrer com a estagnação econômica, Garanhuns não tem sorte mesmo com o poder político. Sempre relegado a um segundo plano, em função de representação legislativa quase sem existir, o município outrora berço da cultura e do desenvolvimento, chegando a receber o título de uma das cidades mais progressistas do Brasil, Garanhuns sofre agora com o total sucateamento das suas rodovias, principalmente duas federais: BR 423 e BR 424. Uma vergonha nacional, denegrindo o Poder Executivo e os políticos da região. O caso específico do trecho São Caetano/Garanhuns, é de uma irresponsabilidade a toda prova, notadamente sobre o estado atual da rodovia.

Sem querer abordar, no momento, um maior trecho da rodovia e suas implicações econômicas, políticas e sociais para a região, justamente para não tornar o presente artigo em um trabalho longo e cansativo. Vou ressaltar apenas que a área de Garanhuns até São Caetano foi inaugurada em 1968, após alguns longos anos de construção. A engenharia foi a melhor da época, com grandes retas e apenas uma curva mais ou menos perigosa, justamente após o município de Jupi. A sinalização, tanto a vertical como a horizontal, passou a ser abandonada e conseqüentemente relaxada. Somente 19 anos depois, exatamente em 1987, o referido trecho da BR 423 passou pelo seu primeiro e único recapeamento.

Todos esses anos, o referido trecho daquela rodovia federal, e os outros também, foi totalmente esquecido pelo poder público. Agora, para arrecadar impostos e sufocar o contribuinte com uma carga tributária insuportável, não tem ação melhor para o governo. Imaginem que em 1987, quando ocorreu o primeiro e único recapeamento do trecho, o governo federal era ocupado por outro nordestino, o ex-presidente José Sarney e o governo estadual tinha à frente o então governador Roberto Magalhães. Daí aproveitou-se o deputado estadual da época, Ivo Amaral, para ir a Brasília e solicitar o benefício para a região.

Vale ser ressaltado que outrora Garanhuns contava com boa representação parlamentar a nível estadual: Elpídio Branco, Aloísio Pinto, Francisco Figueira, José Cardoso e Luiz Souto Dourado, este último, de quem fui assistente parlamentar na Assembléia Legislativa do Estado. Dos atuais, pouco ou quase nada tenho a dizer. Quanto a nível federal, Garanhuns praticamente nunca teve representatividade, salvo da "guerreira" Cristina Tavares, combativa e de bons pronunciamentos políticos. Os demais cuidam apenas de adquirir, sempre duvidosamente, os seus votos em Garanhuns e depois, como sempre, nada fazerem pelo município. Nada reivindicam ou pleiteiam, nenhum projeto é apresentado e nenhuma audiência com ministros e demais autoridades é solicitada. Uma lástima.

Acabaram com o DNER, criaram o DNIT e piorou ainda mais. Garanhuns e os municípios circunvizinhos não querem nenhuma "operação tapa buraco" inoperante, lenta e sem nenhuma praticidade. Afinal, o problema não é tapar um buraco aqui e ali. O trecho está todo comprometido, precisa de um recapeamento urgente e efetivo. A obra lenta e mal feita que está sendo feita, começou por Garanhuns, está no distrito de Neves, município de Jucati e talvez até o final do ano chegue a Lajedo, o pior trecho. Agora, para multar os pobres motoristas que procuram desviar dos buracos, chegam a Garanhuns até helicópteros do Recife. O Festival de Inverno está seriamente prejudicado e ninguém tem coragem de reivindicar do poder público federal uma melhor atenção para a região.