Garanhuns, 23 de abril de 2005
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OPINIÃO
 

Ou Caqui, tem Tati?

Pedro Jorge Valença


Nas últimas edições do nosso Correio Sete Colinas, houve uma enxurrada de artigos ligados ao saudosismo, como seguidor dos ótimos ariculistas, vou entrar também nesse tema.

Garanhuns, no passado, foi o precursor das inovações da Agropecuária do Nordeste. Aqui chegaram os primeiros bovinos, quando os criadores, fugindo das requisições dos Invasores Holandeses, seguiram as rotas dos Quilombos e se instalaram no Agreste (1630). No Século XIX, quando da decadência da Cana de Açúcar, foi implantado o café, nos micro climas, e o algodão herbáceo no sequeiro. A palma forrageira que foi implantada pelo comerciante Hermam Lundgren no final daquele século e plantada na região do Tará, em 1920, já existia em São Pedro na fazenda de Sr. Galdino Almeida. O eucalipto chegou ao Brasil em 1906, trazido da Austrália por Leonardo Navarro, já na década de 20 e o Coronel Euclides Dourado plantava na nossa terra. Nessa mesma época foram importadas pelo Sr. Eurico Monteiro as primeiras vacas holandesas. Para conhecimento dos leitores também foi feito o teste do pão fabricado com trigo cultivado em Garanhuns. Que foi trazido pelo agrônomo Italiano Afonso Notaro.

Na Várzea foi implantada uma mata de craibeiras para preservar as fontes de abastecimentos de água para a cidade, naquela área ambém foi criado um campo de uvas, fruta que já existia em vários quintais, como o figo, a alcachofra e as macieiras, comuns em todos os jardins.

O morango uma fruta que era cultivada em todos os jardins, sendo comum se fazer gostosas tortas e geléias para se presentear aos amigos. Na casa do meu Avô, Abílio Valença, tinha um canteiro cheio de Morangos que produziam e era uma beleza, mas "degustado" por um Jabuti que comia só os bem maduros.

O Caqui, uma planta de origem japonesa, foi introduzida no Pará, São Paulo e Garanhuns ao mesmo tempo. Na década de 50, Wilson Sady já pertubava a vida do nosso colega Tati, que trabalhava na Barraca de seu pai, localizada na Av. Santo Antônio e vendia Caqui cultivado na Várzea. O esquema era passar pela Barraca e perguntar: Ou Caqui tem Tati? A explosão era imediata sendo a mãe do consumidor detratada. Na casa de José Calado tinha um Caquizeiro.

Na fazenda do Estado foi plantada a Amoeira para se implantar uma criação do Bicho da Seda, como a primeira Avicultura Confinada e a Cunicultura. As leguminosas e capins, lançadas no centro sul, com pouco tempo foram também introduzidas . Ao mesmo tempo chegaram os cavalos da raça francesa Percheron.

Se não bastasse as primeiras vaquejadas, foram organizadas por Luiz (Lula) de Noronha Branco, onde suas filhas Cilene e Cidinha foram das vaqueiras famosas.

Mais recentemente outras inovações foram feitas como o caso da Algaroba, que foi plantada por Almícar Valença na Fazenda São Pedro, logo no início da campanha feita por Jânio Quadros.

O Urucum utilizado para fabricar colorau, e aqui, é conhecido erroneamente como Açafrão, existia em todos os sítios, hoje são raros esses vegetais. Na Paraíba estão plantando em larga escala visando a exportação das sementes. Outra desaparecida é a Erva Doce, que na nossa região se cultiva a melhor variedade, suplantando a Argentina que é cultivada no sul do país, só que tem o seu preço muito inferior a nossa, chegando a uma diferença de até 50% no preço de mercado.

O pioneirismo de Garanhuns pelo exposto ficou comprovado, mas vamos para frente.

Aproveito a oportunidade para sugerir ao prefeito Luiz Carlos e aos secretários Eber Frias e Antônio Carlos Bartolomeu, para recuperar nossas matas, plantando algumas árvores que estão entrando em extinção como o caso do Cedro, Pau D´Arco, Sucupira, Pau Pombo, Sabonete de Macaco, Baraúna, Caatigueira e outras.

Finalizando, lembro que na Várzea existia um pé de Jaracatiá, uma frutinha parecida com o mamão, muito gostosa e que desapareceu da região. Procurando restaurar o vegetal, coloquei um anúncio na rádio solicitando um contato com quem tivesse algum Jaracatiá, e explicava que aparentava como um mamão pequeno. Recebi uma resposta que em Lajedo, um agricultor tinha feito algumas mudas da "árvore rara". Incontinente, mandei apanhar os Jaracatiás e providenciei um presente para o zeloso agricultor. Quando recebi as "mudas" constatei que era o conhecido mamão Havaí. Se você sabe da existência do Jaracatiá, entre em contato com a Rádio Sete Colinas, pois Ivo Amaral também é interessado, já que no Sítio de seu pai, que ficava entre Lajedo e Calçados existia um pé de Jaracatiá e outro de Trapiá.