Garanhuns, 23 de abril de 2005
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


As estradas de Lula e a operação tapa-vergonha

O meu programa preferido é o Ronda Policial. Depois, gosto de um tal de Combate, com um cara que grita tanto contra as misérias da cidade que é o meu candidato favorito a suceder João Paulo II no trono de São Pedro. Se morasse no Recife, ouviria todo dia sem parar o Gino César, que nem sei se ainda tá vivo e o Cardinot, ficando por dentro de todas as foiçadas, facadas, tiros e coisas parecidas que acontecem na Venérea Brasileira.

O leitor ou leitora atenta já deve estar se perguntando: e o que essa leseira toda desse colunista adoidado tem a ver com as estradas ou os buracos do presidente Lula? Calma que eu chego lá. É que preciso preciso mostrar minha intelectualidade, meus conhecimentos a respeito dos grandes homens da mídia brasileira, como os já citados e mais o Ratinho, o Leão, o Fausto, a Cobrinha e o Pedro Miau.

De todo modo, começo falando de programas policiais porque a situação das estradas brasileiras é mesmo um caso de polícia. Quando Boris Casoy diz com aquela boca linda que isso é uma vergonha está dizendo pouco. É safadeza mesmo, é incompetência, corrução, esculhambação, cegueira, putaria, falta do que fazer... Na verdade, no dicionário brasileiro faltam palavras para classificar esse absurdo que estamos assistindo.

E quando falo em assistir, estou me referindo inclusive à televisão. Pois ainda outro dia no Jornal Nacional, que até um tempo desses só falava bem do governo, conferi uma reportagem em que um camioneiro confessava nunca ter visto as estradas brasileiras em situação tão ruim. E olha que o sujeito dirige caminhões de Jundiaí, no interior de São Paulo, passando por Passo Fundo no Rio Grande do Sul, até Manari, onde o diabo perdeu as botas, nos cafundó de Pernambuco, há 40 anos. Depois uma pesquisa de uma confederação porreta qualquer confirmava o que o pobre do motorista disse: está ruim demais mesmo, uma desgraça, é buraco só por todo canto e o dinheiro parece que seu Palocci enfiou no fiofó.

A mesma eficiente TV Globo, no mesmo muito assistido Jornal Nacional, informou a mim e aos outros 80 ou 100 milhões de ansiosos expectadores que o Governo arrecadou através da CIDE (no meu tempo de criança isso era nome de fábrica de doce) cerca de R$ 23 bilhões. Pode até não ser esse o número, sei apenas que era dinheiro que só a gota serena. Pois bem, esse dinheirinho, que é cobrado num imposto embutido na gasolina e outros combustíveis, devia ter sido destinado todinho para consertar e conservar as estradas brasileiras.

Devia, foi o que eu disse no parágrafo acima. Os burocratas, no entanto, deixaram de usar quase a metade do dinheiro da tal de CIDE nas rodovias, preferindo colocar a bufunfa em algum lugar para fazer superávit primário. Taí uma palavra da bobônica que eu não sei direito o que significa, mas coisa boa não pode ser. Se fosse útil ao Brasil e aos brasileiros seria pelo menos secundário ou terciário. E só acredito mesmo que esse bolo de notas de R$ 100 (deve ser tudo verdinha, pois nos bancos e nas mãos da gente é que elas não aparecem) estaria sendo bem utilizado se fosse aplicado no superávit superior, melhorando as universidades e trazendo de volta o que Caruaru tomou de Garanhuns.

Como votei em Lula quatro vezes e até hoje não me arrependi, pois Fernando Collor era um safado, Fernando Henrique um pedante e José Serra um embusteiro (e já tá mostrando isso na prefeitura de São Paulo) juro que morro de tristeza ao ver isso no governo do meu presidente. Das duas uma: ou ele acha que as estradas estão boas, porque no tempo em que ele fugiu de pau de arara para São Paulo era pior, ou esqueceu dos pobres de vez, inebriado que está com seu aviãozinho de 56 milhões, que nunca precisará pousar perto das estradas de Garanhuns, muito menos perto do viaduto que está para desabar de vez nas proximidades do motel Executivo.

Mas tem tanta gente chiando com isso, além do Raulzito, que o tal de Dnit, um cabide de empregos tão inoperante quanto a Compesa de Garanhuns, resolveu fazer uma tapeação na BR-423, que liga a terra do já teve a São Caetano. O nome do trabalho é tapa-buracos, mas está sendo tão lento e tão mal feito que já estão chamando de operação tapa-vergonha. São três ou quatro homens trabalhando, todos eles com cara de preguiça e que apesar de estarem fazendo o recapeamento fajuto há dois meses agora é que chegaram a Jupi, distante uns 20 km da saída da cidade. Do jeito que vai, o inverno que já está chegando acaba com tudo de novo, e os caras só terminam o serviço no segundo mandato de Lula. Isso se o povo não se arretar e botar um doido feito o Garotinho da Febem no lugar do nosso presidente operário.

A operação tapa-vergonha (o nome, claro, é impróprio, pois não consegue tapar a sem vergonhice do Dnit, do Governo e da firma que está fazendo o serviço) segue a passos de tartagura para desespero de alguns motoristas e para o conformismo de outros, pois julgam que pior era não fazer nada. Além disso, na Bahia, no Ceará, em Minas, no Rio, em São Paulo e até no Paraguai, que se brincar pertence um pouquinho ao Brasil as estradas estão mais esculachadas ainda.

O negócio é tão sério, minha gente amiga, que até o comedido prefeito Luiz Carlos do Jardim das Oliveiras se arretou outro dia no seu gabinete e quando todo mundo esperava um balanço dos seus 100 dias de governo esculhambou com as estradas, a instalação de mais um presídio em Garanhuns, pelo governador Jarbas, e o excesso de chuvas mandadas por São Pedro para esburacar as ladeiras da terra das sete colinas.

Seu Luiz já está é com estafa de tanta coisa, de tanto buraco nas ruas, feitas pelas chuvas enviadas por São Pedro, afora os buracos na contas da prefeitura, deixadas por Sirvino. E sem falar que o viaduto do Motel Executivo ameaça desabar a qualquer momento. Desse jeito, é concorrência desleal: todo mundo só vai querer ir pra o Excalibur ou Lua Nua, pois lá não existe risco de cair no buraco errado.

Como minha coluna só é lida por 24 pessoas que não têm o que fazer, espero que o Aluízio leve todos esses fatos ao conhecimento público na Ronda e o Combate consiga mexer com os brios de Lula e seu intragável Dnit. E que o assunto termine nas rádios do Recife, propagados pelo Cardinot, pelo Paulo Marques e pelo ternurinha Samir Habou Hana. Depois, repercuta no Jô, no Sílvio Santos e no infatigável Ratinho.

Se todos fizerem sua parte quem sabe nos livraremos dos buracos, da operação tapa-vergonha, dos burocratas, dos sensacionalistas de plantão e até das crônicas do Raulzito. Que assim seja, amém.

P.S. - Viviane ficou fora desta coluna porque está fazendo um tratamento dentário, cuidando dos buracos dos dentes. São mais de 32 cáries, parece até a BR-423. Enquanto eu escrevia, contudo, a minha namorada ligou e disse estar muito preocupada com o desabamento do viaduto na frente do Motel Executivo. "Isso não pode acontecer. E se começar uma reação em cadeia? Fecha um, depois o outro, acontece como no tempo dos cinemas. Valha-me Deus, isso só pode ser coisa do Severino Cavalcanti, aquele velho brocha!", esbravejou a minha amada, desnorteada com o festival de buracos que assola a cidade e o país.